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04-03-2004 

Acordo com Interbrew não é fusão, diz Ambev
 

 
 
Marcel Telles (esq.), da Ambev, e John Brock, da Interbrew
Marcel Telles (esq.), da Ambev, e John Brock, da Interbrew
Os diretores da AmBev negaram que o acordo com a cervejaria belga Interbrew anunciado nesta quarta-feira seja uma incorporação ou fusão.

"É uma permuta de ações", explicou o diretor-executivo, Carlos Britto.

"Não há holding", completou Victorio de Marchi, co-presidente do Conselho de Administração da empresa, afirmando que eram equivocadas as interpretações de parte da imprensa de que o negócio representava na verdade a compra da empresa brasileira pela cervejaria belga. "As duas empresas continuam independentes. O que existe é uma aliança entre elas", afirmou.

"É mesmo uma operação complexa, uma operação inovadora, mas muito bonita e boa para o Brasil."

Apesar de o acordo com a Interbrew deixar a cervejaria belga com 57% do controle acionário da AmBev, os diretores da empresa brasileira disseram que as duas companhias terão controle compartilhado.

"O importante não é o controle acionário. É o acordo de acionistas que rege a governança de uma companhia", afirmou Carlos Britto.

Este acordo, segundo Victorio de Marchi, vale por 20 anos e pode ser renovado no futuro.

A união da brasileira AmBev com a belga Interbrew não envolve dinheiro. O negócio prevê a troca de ações entre um dos grupos que controla a Ambev, a Braco, antiga dona da Brahma, e a Interbrew.

Além disso, a Labbat, braço da Interbrew na América do Norte e Caribe, será incorporada à Ambev. As ações da Fundação Antonio e Helena Zerrener, antigos donos da Antarctica, não entram no negócio.

"Eles entregaram ativos e vão receber ações", disse De Marchi, referindo-se ao controle da Labbat. A Labbat, canadense, atua também nos Estados Unidos, México e Cuba.

Apesar do acordo, Interbrew e AmBev continuam como duas empresas independentes, cada uma delas com ações negociadas nos países de origem: São Paulo e Nova York no caso da AmBev, e bolsa européia e Bruxelas no caso da Interbrew.

Todas as operações da InterBev, como a empresa está sendo chamada temporariamente, nas Américas serão controladas a partir de São Paulo.

As atividades na Europa e na Ásia serão comandadas a partir da Bélgica, por um conselho que terá quatro representantes da Ambev e quatro da Interbrew.

Diante das repetidas perguntas dos jornalistas sobre a composição acionária, os dois tentaram minimizar a questão, dizendo que o acordo de acionistas para a gestão compartilhada é o ponto mais importante.

Brahma no exterior

De Marchi, que se encontrou na segunda-feira com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para comunicar o acordo, disse várias vezes que o negócio só foi possível por causa da estabilidade econômica, social e institucional do país e pela perspectiva de crescimento nos próximos anos.

"Isso é reflexo direto da confiança que o Brasil desperta no mundo inteiro", afirmou.

Ele disse ainda que o acordo começou a ser negociado em setembro do ano passado.

"A AmBev é verdadeiramente a multinacional verde e amarela", disse.

O acordo prevê o lançamento da cerveja Brahma nos outros mercados em que a Interbrew atua, mas ainda não está definido se o produto será exportado do Brasil ou produzido localmente.

"Alguns mercados, como os Estados Unidos, valorizam a cerveja importada, enquanto outros preferem produção local. Ainda temos que analisar caso a caso", disse De Marchi.

A intenção também é lançar o guaraná Antarctica nos outros mercados.

Juntas, as duas empresas estarão presentes em 32 países, com marcas líderes ou vice-líder em 22 deles.

Hoje, a AmBev é a quinta maior cervejaria do mundo, com 64% do mercado brasileiro e atuação em toda a América Latina.

As empresas calculam uma economia de US$ 350 milhões por ano com a sinergia na operação conjunta.

Desse total, cerca de US$ 100 milhões serão absorvidos pela AmBev.

 

 

Fonte: BBC-BR

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