Denize Bacoccina
de São Paulo
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Marcel Telles (esq.), da Ambev,
e John Brock, da Interbrew
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Os diretores da
AmBev negaram que o acordo com a cervejaria belga Interbrew
anunciado nesta quarta-feira seja uma incorporação ou fusão.
"É uma permuta de
ações", explicou o diretor-executivo, Carlos Britto.
"Não há holding",
completou Victorio de Marchi, co-presidente do Conselho de
Administração da empresa, afirmando que eram equivocadas as
interpretações de parte da imprensa de que o negócio representava na
verdade a compra da empresa brasileira pela cervejaria belga. "As
duas empresas continuam independentes. O que existe é uma aliança
entre elas", afirmou.
"É mesmo uma
operação complexa, uma operação inovadora, mas muito bonita e boa
para o Brasil."
Apesar de o acordo com a Interbrew deixar a
cervejaria belga com 57% do controle acionário da AmBev, os
diretores da empresa brasileira disseram que as duas companhias
terão controle compartilhado.
"O importante não é
o controle acionário. É o acordo de acionistas que rege a governança
de uma companhia", afirmou Carlos Britto.
Este acordo,
segundo Victorio de Marchi, vale por 20 anos e pode ser renovado no
futuro.
A união da
brasileira AmBev com a belga Interbrew não envolve dinheiro. O
negócio prevê a troca de ações entre um dos grupos que controla a
Ambev, a Braco, antiga dona da Brahma, e a Interbrew.
Além disso, a
Labbat, braço da Interbrew na América do Norte e Caribe, será
incorporada à Ambev. As ações da Fundação Antonio e Helena Zerrener,
antigos donos da Antarctica, não entram no negócio.
"Eles entregaram
ativos e vão receber ações", disse De Marchi, referindo-se ao
controle da Labbat. A Labbat, canadense, atua também nos Estados
Unidos, México e Cuba.
Apesar do acordo,
Interbrew e AmBev continuam como duas empresas independentes, cada
uma delas com ações negociadas nos países de origem: São Paulo e
Nova York no caso da AmBev, e bolsa européia e Bruxelas no caso da
Interbrew.
Todas as operações
da InterBev, como a empresa está sendo chamada temporariamente, nas
Américas serão controladas a partir de São Paulo.
As atividades na
Europa e na Ásia serão comandadas a partir da Bélgica, por um
conselho que terá quatro representantes da Ambev e quatro da
Interbrew.
Diante das
repetidas perguntas dos jornalistas sobre a composição acionária, os
dois tentaram minimizar a questão, dizendo que o acordo de
acionistas para a gestão compartilhada é o ponto mais importante.
Brahma no
exterior
De Marchi, que se
encontrou na segunda-feira com o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva para comunicar o acordo, disse várias vezes que o negócio só
foi possível por causa da estabilidade econômica, social e
institucional do país e pela perspectiva de crescimento nos próximos
anos.
"Isso é reflexo
direto da confiança que o Brasil desperta no mundo inteiro",
afirmou.
Ele disse ainda que
o acordo começou a ser negociado em setembro do ano passado.
"A AmBev é
verdadeiramente a multinacional verde e amarela", disse.
O acordo prevê o
lançamento da cerveja Brahma nos outros mercados em que a Interbrew
atua, mas ainda não está definido se o produto será exportado do
Brasil ou produzido localmente.
"Alguns mercados,
como os Estados Unidos, valorizam a cerveja importada, enquanto
outros preferem produção local. Ainda temos que analisar caso a
caso", disse De Marchi.
A intenção também é
lançar o guaraná Antarctica nos outros mercados.
Juntas, as duas
empresas estarão presentes em 32 países, com marcas líderes ou
vice-líder em 22 deles.
Hoje, a AmBev é a
quinta maior cervejaria do mundo, com 64% do mercado brasileiro e
atuação em toda a América Latina.
As empresas
calculam uma economia de US$ 350 milhões por ano com a sinergia na
operação conjunta.
Desse total, cerca
de US$ 100 milhões serão absorvidos pela AmBev. |