ANA PAULA DE OLIVEIRA
MARCOS DÁVILA
da Folha de S.Paulo
Um curativo desenvolvido no Brasil a partir da celulose
poderá substituir temporariamente a pele em casos de
queimadura, abreviando o tempo de cicatrização da ferida.
Ainda em fase de aprovação pela Anvisa (Agência Nacional de
Vigilância Sanitária), a membrana biocompatível, por ser de
emprego único, não exige a aplicação por diversas vezes na
região até que a pele se restabeleça.
Trata-se de uma membrana obtida pela bactéria produtora de
celulose Acetobacter xylinum, que, quando colocada sobre a
área atingida, cria uma película protetora semelhante à
pele. Feridas de diabéticos também poderão ser tratadas,
segundo Lecy Marcondes Cabral, coordenador de pesquisas da
Bionext Produtos Biotecnológicos, que, em parceria com a
Unesp e a USP, desenvolveu o curativo.
O dermatologista Samuel Henrique Mandelbaum, da Sociedade
Brasileira de Dermatologia, entretanto, esclarece que ainda
não existe um curativo que seja universal, ou seja, que
possa ser aplicado em todas as pessoas --e na mais variadas
feridas. "É uma invenção excelente, mas, como todos os
outros curativos, tem suas limitações de uso", afirma.
A idéia para a invenção surgiu quando o pesquisador Luis
Fernando Xavier Farah, há 20 anos, se queimou com água
fervente. Segundo ele, como estava em um local sem acesso a
primeiros socorros, improvisou um curativo que consistiu em
retirar a pele da bolha que se formou sobre a queimadura e
usá-la como protetor da ferida --e funcionou. Depois do
episódio, passou a colonizar bactérias de celulose em sua
própria casa e descobriu que, do cultivo dos
microorganismos, era possível obter uma membrana com
textura semelhante à formada pela bolha da queimadura. Esse
é o material usado no curativo.
Além do uso na cicatrização de feridas, a parceria entre os
pesquisadores e as universidades estuda a utilização do
produto da bactéria da celulose no revestimento de coletes
à prova de balas.
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