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27-02-2004

O Carnaval que a 'grande imprensa' não mostrou
  • Da Redação do Jornal da Mídia com Colaboradores
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    Salvador -O Jornal da Mídia produziu uma matéria especial e exclusiva sobre o que aconteceu no Carnaval de Salvador e que a grande imprensa nada divulgou. Os bastidadores da folia, a puxação de saco às autoridades na avenida, as garfes dos artistas e apresentadores de televisão e muito mais. Você vai saber como foi o desempenho de estrelas como Daniela Mercury, Ivete Sangalo, Bell Marques e Carlinhos Brown. Leia:

    "João Ubaldo, e aí meu rei? Nunca li um livro seu, mas minha irmã já leu e me disse que é muito bom"

    Frase de Ivete Sangalo na saudação a João Ubaldo Ribeiro, cujo livro "Viva o Povo Brasileiro" inspirou o tema do Carnaval de Salvador.


    Que Ivete Sangalo é autêntica e irreverente todo mundo já sabe. Mas desta vez, a cantora perdeu uma grande oportunidade de fazer justiça aos escritores brasileiros. Se fosse bem assessorada, teria aproveitado a presença de João Ubaldo Ribeiro no Campo Grande para elogiar seus livros e recomendar aos milhares de foliões e fãs o hábito da leitura.

     

    Sangalo não soube se dirigir ao escritor baiano João Ubaldo Ribeiro e exagerou na sua dose normal de bajulação às autoridades, no Campo Grande

    Não custaria nada, também, a Sangalo, ter lido uma sinopse de algum livro do conhecidíssimo escritor baiano, já que ela realmente é uma artista de muitos compromissos e não tem tanto tempo assim para ler um livro completo. Imagina-se que não.

    Pegou muito mal. João Ubaldo, com seu jeitão tranqüilo, humilde, ficou vermelho.

    Garfes e mais garfes na cobertura da TV

    Carnaval agora só em 2005. Até lá, seria bom que o pessoal de TV fizesse
    uma reflexão sobre o seu papel na cobertura da folia. Este ano, foi constrangedor assistir ao vivo jornalistas e apresentadores querendo aparecer mais que o artista. Querendo aparentar uma intimidade com as estrelas da axé music que não existe, totalmente irreal e falsa.

    Na repetidora da Rede Globo, uma repórter pegou carona no trio do Babado Novo. Cantou (bem desafinada, por sinal) e fez discurso em pleno Campo Grande. Disse que aquele era o melhor bloco do mundo, o mais lindo,
    o mais isso, o mais aquilo. Deprimente.

    O campeão da falta de mancômetro foi o apresentador de um telejornal do meio dia. Subiu no trio do Eva, dançou, acenou e mandou beijinhos para a multidão. Na passagem de Ivete Sangalo resolveu fazer uma "entrevista" que deveria ser gravada e arquivada nas faculdades de comunicação, como um bom exemplo do que um jornalista não deve fazer no exercício de sua profissão. Eis alguns trechos da pérola:

    "Ivete, Ivete. Está me ouvindo..."

    -Sim, sim. Diga aí. Eu estou bonita? Gostou?

    "Você está linda, Ivete. Você é maravilhosa".

    - Olha que eu sou bem casada.

    "E eu posso lhe dizer, Ivete, que hoje estou solteiríssimo".

    A entrevista rolou mais. A turma do bloco Coruja, principalmente as garotas, morriam de rir com o rapaz, que acenava para a multidão. Parecia deslumbrado.

    Pelo visto o chamado padrão Globo de qualidade foi literalmente jogado para escanteio durante a folia.

     

  • E fica uma questão: será que a Globo permitiria que Pedro Bial e Glória Maria subissem num carro alegórico para rebolar ou dividir o microfone com Neguinho da Beija-Flor? Certamente, que não. Até porque isso não seria jornalismo.

     
  • Na Bandeirantes, a cobertura foi repetitiva e chata. Muita imagem bonita, mas uma pobreza de informação. A audiência em São Paulo foi ridícula. Astrid foi um horror. Chorou quando Tatau passou. Foi para o trio de Ricardo Chaves e pulou adoidada de um lado para o outro sob os olhares incrédulos da colunista Joyce Paskovicht e da promoter Lícia Fábio. Preta Gil, Carla Perez, Marcos Mion, Sabrina Parlatore, entre outros, não conseguiram transmitir uma única informação nova e digna de registro.

     
  • É claro que a cobertura do Carnaval é diferente de qualquer outra coisa ou evento. É mais despojada. É natural e aceitável que o apresentador vá trabalhar de bermuda, dê alguns pulinhos e improvise no texto. O que não pode é o jornalista se misturar com artista. O distanciamento é fundamental até para poder opinar,criticar, sugerir, elogiar, fazer uma entrevista imparcial. Em outras palavras: cumprir seu papel de mediador, de informar o telespectador.

     
  • O que se viu na telinha foi um festival de garfes e asneiras. Um puxa-
    saquismo inconcebível e inaceitável numa cobertura que se diz jornalística. Uma afronta à inteligência do telespectador baiano e de todo o mundo.

    E por falar em puxa-saquismo...

     
  • Todos os baianos sabem que o prefeito Antonio Imbassahy foi escolhido o melhor do Brasil, por sua inquestionável competência como administrador. Na última pesquisa do Datafolha, Imbassahy ficou com 92% da preferência dos entrevistados.

     
  • Mas, sinceramente, ele deve ter ficado cansado com a insistência dos artistas. O povão querendo música, pedindo festa, querendo brincar, e o artista lá na dele, como a musa Ivete Sangalo:

    "Imbassahy, você não é prefeito, você é perfeito. Imagina se Imbassahy fosse presidente do Brasil e eu amiga dele. Que chic!"

     
  • O folião deu suas vaias, mas Sangalo nem ligou. Continuou falando, conversando, mostrando os cabelos ali, as pernas lá, o vestido aqui.

    Saulo Fernandes não perdeu tempo e também apelou...

    Uma coisa puxa outra. Como Ivete perdeu alguns minutos com seus elogios, o cantor Saulo Fernandes não perdeu tempo quando passou pelo Campo Grande:

    "Eu gostaria de agradecer ao nosso prefeito Imbassay e ao governador Paulo Souto por nos proporcionar esta festa liiinda...".

    Todo ano quem vai ao Carnaval do Campo Grande ouve este mesmo blá blá blá das estrelas do axé, de uma criatividade discursiva que lembra as entrevistas com os jogadores de futebol ou as perguntas de um conhecido jornal da TV baiana aos artistas da terra, num puxa-saquismo digno das personagens de humorísticos classe B da TV.

    Saulo Fernandes se superou na arte de bajular ao passar pelo camarote das autoridades:

    "Lamento profundamente a saída do prefeito no próximo ano. Mas a nossa amizade vai ficar para sempre".

    Como paparicação e canja de galinha parecem não fazer mal a ninguém -
    principalmente aos artistas do axé, gênero que, segundo alguns entendidos, está atualmente em decadência -, Saulo chamou ainda para dançar em cima do trio o apresentador e diretor artístico da Band FM, Betinho, e o apresentador da TV Bahia, Casemiro Neto - ou simplesmente "Neto" para Saulo -, deixando quem pagou pelo caro abadá do EVA parado por mais de cinco minutos vendo o circo armado especialmente para as câmeras de televisão.

    TV Aratu se deu bem com o talento de Cristovão Rodrigues

    A TV Aratu fez uma cobertura interessante. Sem grandes recursos técnicos, a TV do Galinho apostou no bom Cristóvão Rodrigues e se deu bem. Discreto, sem abusar dos adjetivos, Cristóvão cumpriu com perfeição o papel de âncora. Suas informações foram precisas, contextualizadas, cheias de dados históricos. Aliás, foi a TV Aratu que fez a melhor entrevista com o ministro Ciro Gomes.

    Apesar do clima carnavalesco, a repórter quis saber sobre a crise política, sobre a CPI dos bingos, etc, etc. Nos outros canais, a pergunta era sempre a mesma:

    "Ministro, tá gostando do Carnaval?"

    Imagina se ele iria dizer que não.

    Edi Bala como comentarista de Carnaval...um desastre

    Não deu para entender a participação do tal do Edi Bala na cobertura do Carnaval. Como humorista ele é péssimo e sem graça. Como entrevistador, um fiasco.

    Baiano não gosta de escola de samba

    Também não deu para entender a insistência da Rede Globo em querer impor o Carnaval carioca para os baianos. É simplesmente insuportável ficar 10 horas acompanhando o desfile de escolas de samba. Cansa ficar ouvindo o mesmo samba 20 vezes. Definitivamente, não dá.

    Na Bahia, o ritmo é outro.

    Desorganização nos camarotes "vips"

    E os camarotes, heim? Este ano, o espaço foi dividido por vips, empresários, astros globais e pela peãozada toda. Tinha fila para entrar e para sair. No camarote de Daniela Mercury foi preciso esperar quase uma hora para ter acesso à mordomia.

    Teve o camarote de uma telefônica recém-chegada à Bahia que limitava a permanência de um jornalista credenciado em no máximo uma hora. O repórter ficava lá, procurando alguém para entrevistar, e uma moça atrás:

    "Olha, você tem mais 55 minutos...olha, você só tem agora, 30 minutos...olha, você só tem 5 minutos, por favor, se retire".

    Isto é o que se pode chamar de vergonhoso. Falta de respeito total, falta de profissionalismo acima de tudo.

    PM acertou no caso de Carlinhos Brown

    Exemplar o comportamento da Polícia Militar quando enquadrou o músico Carlinhos Brown. Por conta do sucesso e das ligações com autoridades, o timbaleiro sempre se sentiu acima do bem e do mal. Há quatro anos ele ficou nu na Barra e todo mundo riu.

    Desta vez a história foi diferente. O rapaz só não foi preso graças à interferência acertada dos organizadores do Carnaval. Temia-se que o foco da festa fosse transferido do Campo Grande e da Barra para a delegacia. Temia-se que a detenção de Brown ganhasse as manchetes dos jornais do mundo inteiro, ofuscando o brilho da festa baiana.

    Os argumentos convenceram o comando da PM que resolveu passar a mão sobre a vasta cabeleira de Brown.

    Mídia impressa: quem foi melhor?

    Na mídia impressa, a edição do Carnaval do Correio da Bahia, que circulou na Quarta-Feira de Cinzas, deu um banho nos concorrentes. Teve muito ôba-ôba também, é verdade. Como sempre tem. Mas o Correio circulou na quarta-feira com 62 páginas de bons textos e fotos. A edição de A Tarde foi insossa e fria. A Tribuna da Bahia se esforçou, dentro de suas possibilidade.

    Despedida de Netinho, decadência de ...

    O Carnaval de 2004 marcou o fim da carreira de Netinho como puxador de
    bloco, confirmou a decadência do Asa de Águia, Ricardo Chaves, do grupo É
    O Than e Márcia Freire e mostrou que as bandas Patranka, Psirico e
    Harmonia do Samba não têm esse fôlego todo.

    Daniela Mercury, Ivete Sangalo,Tatau e Chiclete com Banana continuam dando as cartas na folia baiana.

    "Sem esses quatro, o Carnaval baiano seria musicalmente um fiasco", confessou um empresário da axé music. "O desafio agora é revelar novas bandas e cantores. Gente que chegue e fique. Nos últimos anos, as revelações não duraram mais que dois carnavais. Isso é muito preocupante", completou.

    O vexame de Preta Gil em cima do trio

    "Gente, estão querendo me sabotar!", reclamou Preta Gil ao constatar uma falha em seu microfone enquanto puxava o trio independente Expresso 2222, de propriedade do seu famoso papai, o cantor e ministro da Cultura Gilberto Gil. Mas quem (ou)viu garante: o público que ia atrás do Expresso desapareceu completamente por causa do limitado talento musical da aspirante à cantora.

    Desde que a ex-produtora resolveu escutar os conselhos do padrinho Caetano para tentar a carreira musical, só tem dado com os burros n´água. E não é por falta de oportunidade, já que todos no meio artístico tem dado uma forcinha para a moça, apresentando-a ao público como a gordinha simpática, sem complexos e independente, disposta a vencer pelo próprio talento. Mas a morena não emplaca de jeito nenhum.

    Antes de ser cantora, Preta se arriscou como atriz em "Agora é que são elas", apresentando uma performance sofrível e amadora. Seu atual projeto é estrear em breve como apresentadora de TV nos sábados da Band. A moça já deu uma canja durante a transmissão da Band do Carnaval 2004.

    Ao público resta esperar para ver se desta vez a Darlene do clã dos Gil finalmente conseguirá o seu lugar ao sol. Afinal, dona Marlene Matos consegue tirar leite de pedra. Uma dica é que não leve tão a sério os conselhos do padrinho Caê de agora em diante.
     
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    Fonte: Jornaldamidia                    

     

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