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Salvador -O
Jornal da Mídia produziu uma matéria
especial e exclusiva sobre o que aconteceu
no Carnaval de Salvador e que a grande
imprensa nada divulgou. Os bastidadores da
folia, a puxação de saco às autoridades na
avenida, as garfes dos artistas e
apresentadores de televisão e muito mais.
Você vai saber como foi o desempenho de
estrelas como Daniela Mercury, Ivete
Sangalo, Bell Marques e Carlinhos Brown.
Leia:
"João Ubaldo, e aí meu rei? Nunca li
um livro seu, mas minha irmã já leu e me
disse que é muito bom"
Frase de Ivete
Sangalo na saudação a João Ubaldo Ribeiro,
cujo livro "Viva o Povo Brasileiro"
inspirou o tema do Carnaval de Salvador.
Que Ivete
Sangalo é autêntica e irreverente todo
mundo já sabe. Mas desta vez, a cantora
perdeu uma grande oportunidade de fazer
justiça aos escritores brasileiros. Se
fosse bem assessorada, teria aproveitado a
presença de João Ubaldo Ribeiro no Campo
Grande para elogiar seus livros e
recomendar aos milhares de foliões e fãs o
hábito da leitura.
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Sangalo
não soube se dirigir ao escritor
baiano João Ubaldo Ribeiro e exagerou
na sua dose normal de bajulação às
autoridades, no Campo Grande |
Não
custaria nada, também, a Sangalo, ter lido
uma sinopse de algum livro do
conhecidíssimo escritor baiano, já que ela
realmente é uma artista de muitos
compromissos e não tem tanto tempo assim
para ler um livro completo. Imagina-se que
não.
Pegou muito mal. João Ubaldo, com seu
jeitão tranqüilo, humilde, ficou vermelho.
Garfes e mais garfes na cobertura da TV
Carnaval agora só em 2005. Até lá, seria
bom que o pessoal de TV fizesse
uma reflexão sobre o seu papel na
cobertura da folia. Este ano, foi
constrangedor assistir ao vivo jornalistas
e apresentadores querendo aparecer mais
que o artista. Querendo aparentar uma
intimidade com as estrelas da axé music
que não existe, totalmente irreal e falsa.
Na repetidora da Rede Globo, uma repórter
pegou carona no trio do Babado
Novo. Cantou (bem desafinada, por sinal) e
fez discurso em pleno Campo Grande. Disse
que aquele era o melhor bloco do mundo, o
mais lindo,
o mais isso, o mais aquilo. Deprimente.
O campeão da falta de mancômetro foi o
apresentador de um telejornal do meio dia.
Subiu no trio do Eva, dançou, acenou e
mandou beijinhos para a multidão. Na
passagem de Ivete Sangalo resolveu fazer
uma "entrevista" que deveria ser gravada e
arquivada nas faculdades de comunicação,
como um bom exemplo do que um jornalista
não deve fazer no exercício de sua
profissão. Eis alguns trechos da pérola:
"Ivete, Ivete. Está me ouvindo..."
-Sim, sim. Diga aí. Eu estou bonita?
Gostou?
"Você está linda, Ivete. Você é
maravilhosa".
- Olha que eu sou bem casada.
"E eu posso lhe dizer, Ivete, que hoje
estou solteiríssimo".
A entrevista rolou mais. A turma do bloco
Coruja, principalmente as garotas, morriam
de rir com o rapaz, que acenava para a
multidão. Parecia deslumbrado.
Pelo visto o chamado padrão Globo de
qualidade foi literalmente jogado para
escanteio durante a folia.
E fica uma
questão: será que a Globo permitiria que
Pedro Bial e Glória Maria subissem num
carro alegórico para rebolar ou dividir o
microfone com Neguinho da Beija-Flor?
Certamente, que não. Até porque isso não
seria jornalismo.
Na
Bandeirantes, a cobertura foi repetitiva e
chata. Muita imagem bonita, mas uma
pobreza de informação. A audiência em São
Paulo foi ridícula. Astrid foi um horror.
Chorou quando Tatau passou. Foi para o
trio de Ricardo Chaves e pulou adoidada de
um lado para o outro sob os olhares
incrédulos da colunista Joyce Paskovicht e
da promoter Lícia Fábio. Preta Gil, Carla
Perez, Marcos Mion, Sabrina Parlatore,
entre outros, não conseguiram transmitir
uma única informação nova e digna de
registro.
É claro
que a cobertura do Carnaval é diferente de
qualquer outra coisa ou evento. É mais
despojada. É natural e aceitável que o
apresentador vá trabalhar de bermuda, dê
alguns pulinhos e improvise no texto. O
que não pode é o jornalista se misturar
com artista. O distanciamento é
fundamental até para poder
opinar,criticar, sugerir, elogiar, fazer
uma entrevista imparcial. Em outras
palavras: cumprir seu papel de mediador,
de informar o telespectador.
O que se
viu na telinha foi um festival de garfes e
asneiras. Um puxa-
saquismo inconcebível e inaceitável numa
cobertura que se diz jornalística. Uma
afronta à inteligência do telespectador
baiano e de todo o mundo.
E por falar em puxa-saquismo...
Todos os
baianos sabem que o prefeito Antonio
Imbassahy foi escolhido o melhor do
Brasil, por sua inquestionável competência
como administrador. Na última pesquisa do
Datafolha, Imbassahy ficou com 92% da
preferência dos entrevistados.
Mas,
sinceramente, ele deve ter ficado cansado
com a insistência dos artistas. O povão
querendo música, pedindo festa, querendo
brincar, e o artista lá na dele, como a
musa Ivete Sangalo:
"Imbassahy, você não é prefeito, você é
perfeito. Imagina se Imbassahy fosse
presidente do Brasil e eu amiga dele. Que
chic!"
O folião
deu suas vaias, mas Sangalo nem ligou.
Continuou falando, conversando, mostrando
os cabelos ali, as pernas lá, o vestido
aqui.
Saulo Fernandes não perdeu tempo e
também apelou...
Uma coisa puxa outra. Como Ivete perdeu
alguns minutos com seus elogios, o cantor
Saulo Fernandes não perdeu tempo quando
passou pelo Campo Grande:
"Eu gostaria de agradecer ao nosso
prefeito Imbassay e ao governador Paulo
Souto por nos proporcionar esta festa
liiinda...".
Todo ano quem vai ao Carnaval do Campo
Grande ouve este mesmo blá blá blá das
estrelas do axé, de uma criatividade
discursiva que lembra as entrevistas com
os jogadores de futebol ou as perguntas de
um conhecido jornal da TV baiana aos
artistas da terra, num puxa-saquismo digno
das personagens de humorísticos classe B
da TV.
Saulo Fernandes se superou na arte de
bajular ao passar pelo camarote das
autoridades:
"Lamento profundamente a saída do prefeito
no próximo ano. Mas a nossa amizade vai
ficar para sempre".
Como paparicação e canja de galinha
parecem não fazer mal a ninguém -
principalmente aos artistas do axé, gênero
que, segundo alguns entendidos, está
atualmente em decadência -, Saulo chamou
ainda para dançar em cima do trio o
apresentador e diretor artístico da Band
FM, Betinho, e o apresentador da TV Bahia,
Casemiro Neto - ou simplesmente "Neto"
para Saulo -, deixando quem pagou pelo
caro abadá do EVA parado por mais de cinco
minutos vendo o circo armado especialmente
para as câmeras de televisão.
TV Aratu se deu bem com o talento de
Cristovão Rodrigues
A TV Aratu fez uma cobertura interessante.
Sem grandes recursos técnicos, a TV do
Galinho apostou no bom Cristóvão Rodrigues
e se deu bem. Discreto, sem abusar dos
adjetivos, Cristóvão cumpriu com perfeição
o papel de âncora. Suas informações foram
precisas, contextualizadas, cheias de
dados históricos. Aliás, foi a TV Aratu
que fez a melhor entrevista com o ministro
Ciro Gomes.
Apesar do clima carnavalesco, a repórter
quis saber sobre a crise política, sobre a
CPI dos bingos, etc, etc. Nos outros
canais, a pergunta era sempre a mesma:
"Ministro, tá gostando do Carnaval?"
Imagina se ele iria dizer que não.
Edi Bala como comentarista de
Carnaval...um desastre
Não deu para entender a participação do
tal do Edi Bala na cobertura do Carnaval.
Como humorista ele é péssimo e sem graça.
Como entrevistador, um fiasco.
Baiano não gosta de escola de samba
Também não deu para entender a insistência
da Rede Globo em querer impor o Carnaval
carioca para os baianos. É simplesmente
insuportável ficar 10 horas acompanhando o
desfile de escolas de samba. Cansa ficar
ouvindo o mesmo samba 20 vezes.
Definitivamente, não dá.
Na Bahia, o ritmo é outro.
Desorganização nos camarotes "vips"
E os camarotes, heim? Este ano, o espaço
foi dividido por vips, empresários, astros
globais e pela peãozada toda. Tinha fila
para entrar e para sair. No camarote de
Daniela Mercury foi preciso esperar quase
uma hora para ter acesso à mordomia.
Teve o camarote de uma telefônica
recém-chegada à Bahia que limitava a
permanência de um jornalista credenciado
em no máximo uma hora. O repórter ficava
lá, procurando alguém para entrevistar, e
uma moça atrás:
"Olha, você tem mais 55 minutos...olha,
você só tem agora, 30 minutos...olha, você
só tem 5 minutos, por favor, se retire".
Isto é o que se pode chamar de vergonhoso.
Falta de respeito total, falta de
profissionalismo acima de tudo.
PM acertou no caso de Carlinhos Brown
Exemplar o comportamento da Polícia
Militar quando enquadrou o músico
Carlinhos Brown. Por conta do sucesso e
das ligações com autoridades, o timbaleiro
sempre se sentiu acima do bem e do mal. Há
quatro anos ele ficou nu na Barra e todo
mundo riu.
Desta vez a história foi diferente. O
rapaz só não foi preso graças à
interferência acertada dos organizadores
do Carnaval. Temia-se que o foco da festa
fosse transferido do Campo Grande e da
Barra para a delegacia. Temia-se que a
detenção de Brown ganhasse as manchetes
dos jornais do mundo inteiro, ofuscando o
brilho da festa baiana.
Os argumentos convenceram o comando da PM
que resolveu passar a mão sobre a vasta
cabeleira de Brown.
Mídia impressa: quem foi melhor?
Na mídia impressa, a edição do Carnaval do
Correio da Bahia, que circulou na
Quarta-Feira de Cinzas, deu um banho nos
concorrentes. Teve muito ôba-ôba também, é
verdade. Como sempre tem. Mas o Correio
circulou na quarta-feira com 62 páginas de
bons textos e fotos. A edição de A Tarde
foi insossa e fria. A Tribuna da Bahia se
esforçou, dentro de suas possibilidade.
Despedida de Netinho, decadência de ...
O Carnaval de 2004 marcou o fim da
carreira de Netinho como puxador de
bloco, confirmou a decadência do Asa de
Águia, Ricardo Chaves, do grupo É
O Than e Márcia Freire e mostrou que as
bandas Patranka, Psirico e
Harmonia do Samba não têm esse fôlego
todo.
Daniela Mercury, Ivete Sangalo,Tatau e
Chiclete com Banana continuam dando as
cartas na folia baiana.
"Sem esses quatro, o Carnaval baiano seria
musicalmente um fiasco", confessou um
empresário da axé music. "O desafio agora
é revelar novas bandas e cantores. Gente
que chegue e fique. Nos últimos anos, as
revelações não duraram mais que dois
carnavais. Isso é muito preocupante",
completou.
O vexame de Preta Gil em cima do trio
"Gente, estão querendo me sabotar!",
reclamou Preta Gil ao constatar uma falha
em seu microfone enquanto puxava o trio
independente Expresso 2222, de propriedade
do seu famoso papai, o cantor e ministro
da Cultura Gilberto Gil. Mas quem (ou)viu
garante: o público que ia atrás do
Expresso desapareceu completamente por
causa do limitado talento musical da
aspirante à cantora.
Desde que a ex-produtora resolveu escutar
os conselhos do padrinho Caetano para
tentar a carreira musical, só tem dado com
os burros n´água. E não é por falta de
oportunidade, já que todos no meio
artístico tem dado uma forcinha para a
moça, apresentando-a ao público como a
gordinha simpática, sem complexos e
independente, disposta a vencer pelo
próprio talento. Mas a morena não emplaca
de jeito nenhum.
Antes de ser cantora, Preta se arriscou
como atriz em "Agora é que são elas",
apresentando uma performance sofrível e
amadora. Seu atual projeto é estrear em
breve como apresentadora de TV nos sábados
da Band. A moça já deu uma canja durante a
transmissão da Band do Carnaval 2004.
Ao público resta esperar para ver se desta
vez a Darlene do clã dos Gil finalmente
conseguirá o seu lugar ao sol. Afinal,
dona Marlene Matos consegue tirar leite de
pedra. Uma dica é que não leve tão a sério
os conselhos do padrinho Caê de agora em
diante.
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