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25-05-2004 - Caramujo perigoso |
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Os problemas causados pelo crescimento da população do caramujo gigante africano no Brasil começaram a ser notados há cerca de quatro anos. Entre equívocos e exageros, a divulgação de que os animais transmitiriam doenças capazes de levar à morte fez com que o pânico obscurecesse questões fundamentais, como a perda da biodiversidade nos ecossistemas nativos frente a esta fauna exótica. A pesquisadora do Departamento de Malacologia do Instituto Oswaldo Cruz Silvana Carvalho Thiengo conta que o Achatina fulica, como é chamado cientificamente o caramujo africano, foi introduzido no país em substituição ao escargot na década de 1980. O fracasso das tentativas de comercialização levou os criadores, por irresponsabilidade ou desinformação, a soltar os caramujos no ambiente silvestre. Como se reproduz rapidamente e não possui predadores naturais no Brasil, hoje pode ser encontrado em praticamente todo o país. |
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O caramujo africano, à esquerda, atinge até 15cm. Ele
é maior, "O caramujo africano está presente na região amazônica, o que é preocupante uma vez que compete com a fauna nativa e pode causar desequilíbrios ecológicos", a malacologista esclarece. "Em Ilha Grande, no litoral do Estado do Rio de Janeiro, a situação já é emergencial pela quantidade de animais e demanda uma intervenção do poder público para o controle da praga e esclarecimento da população." Experiências em outros países mostram que em sistemas insulares o desequilíbrio ambiental deflagrado pelo caramujo africano pode ser desastroso. A especialista confirma que o caramujo africano pode de fato transmitir ao homem os vermes que causam peritonite e meningite. "Potencialmente, esse molusco pode hospedar dois parasitos. O primeiro deles é o Angiostrongylus cantonensis, responsável por um tipo de meningite que ocorre principalmente na Ásia, havendo alguns casos descritos em Cuba, Porto Rico e Estados Unidos", resume. "Embora no Brasil não haja registro dessa parasitose, sua introdução é possível, principalmente em regiões próximas às áreas portuárias, através de ratos de navios que chegam de países asiáticos", alerta. O segundo parasito que pode ser hospedado pelo caramujo africano é o Angiostrongylus costaricensis, presente desde o sul dos Estados Unidos até o norte da Argentina, capaz de levar a um quadro infeccioso grave chamado abdome agudo, que pode levar à morte. Raramente a doença evolui de forma tão severa, permanecendo na maior parte das vezes assintomática ou comportando-se como uma parasitose comum. "Conhecida como angiostrongilose abdominal, essa doença é transmitida por caramujos nativos, e não pelo gigante africano. Não há registro de exemplares de A. fulica naturalmente infectados no Brasil e, além disso, estudos em laboratório também indicam que o caramujo africano não é um bom transmissor dessa parasitose", a pesquisadora avalia. A infecção humana acontece principalmente pela ingestão de hortaliças contaminadas com as larvas do verme, presentes no muco deixado pelo molusco ao se movimentar. "Após serem lavadas em água corrente, as hortaliças devem ser deixadas de molho em solução de água sanitária", aconselha. Basta diluir uma colher de sobremesa de água sanitária em um litro de água e deixar os alimentos em molho durante 15 a 30 minutos. A utilização de moluscicidas não é recomendada, devido a sua alta toxicidade. A melhor forma de controle e erradicação dos caramujos africanos é a catação manual, seguida da destruição por incineração ou água fervente. Estes cuidados são necessários porque os caramujos podem sobreviver se simplesmente descartados no lixo ou jogados em rios. Apesar de nunca terem sido encontrados caramujos africanos infectados no Brasil e embora até onde se sabe, a larva não seja capaz de penetrar a pele, é aconselhável usar luvas ou proteger as mãos com sacos plásticos ao manipulá-los. "Além da questão ambiental e da saúde humana e animal, esses caramujos são também considerados pragas agrícolas pois se alimentam vorazmente de vários tipos de plantas ornamentais e de culturas de subsistência", a especialista observa. "Quanto à criação do caramujo africano visando à comercialização, em vários países este tipo de malacocultura é terminantemente proibido." Preocupada com os problemas causados por essa espécie no Brasil, em outubro de 2001 a Sociedade Brasileira de Malacologia (SBMa) enviou uma carta ao Ministério da Agricultura e Abastecimento (MAPA) solicitando providências para o controle dos animais. O resultado foi o Parecer 003/03 publicado pelo Ibama e pelo Ministério da Agricultura em 2003, que considera ilegal a criação de caramujos africanos no país, determina a erradicação da espécie e prevê a notificação dos produtores sobre a ilegalidade da atividade. Este parecer vem reforçar a Portaria 102/98 do Ibama, de 1998, que regulamenta os criadouros de fauna exótica para fins comerciais com o estabelecimento de modelos de criação e a exigência de registro dos criadouros junto ao Ibama. Mesmo assim, a prática da cultura dessa espécie ainda é comum.
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| Mais informações sobre o perigo |
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Trata-se de um molusco grande, terrestre, que, quando
adulto, atinge 15 centímetros de comprimento e 8 centímetros de
largura, com mais de 200 gramas de peso. A cada dois meses, um
caramujo põe 200 ovos.
A simples manipulação desses moluscos vivos pode causar contaminação, pois dois tipos de microorganismos perigosos são encontrados em sua secreção. Um deles é o Angiostrongytus costaricensis, causador da angiostrongilíase abdominal, doença que pode resultar em morte por perfuração intestinal, peritonite e hemorragia abdominal. Os sintomas são dor abdominal, febre prolongada, anorexia e vômito. O outro é o Angiostrongylos cantonensis, causador da angiostrongilíase meningoencefálica humana, que tem como sintomas dor de cabeça forte e constante, rigidez na nuca e distúrbios do sistema nervoso.
A orientação é para que
os próprios moradores façam o recolhimento dos moluscos e, munidos de
luvas descartáveis para não ter contato com o caramujo, Para
exterminar este caramujo, é necessário queimá-lo completamente, pois,
caso contrário, os vermes continuam no local.
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| Fonte: Sitepopular |
Os assuntos assinados são de responsabilidade dos autores
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