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11-02-2004 |
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Saúde Caminhos e posturas para vencer a doença Diagnóstico e tratamento do câncer a custo zero no Cican e Hospital Aristides Maltez JOSÉ BOMFIM Quem passa pela ladeira em direção ao Hospital Geral do Estado ou pela Avenida Dom João VI, em Brotas, por volta das 5 horas da manhã, de segunda a sexta-feira, estranha as grandes filas na entrada do Cican (Centro Estadual de Oncologia) e Hospital Aristides Maltez, referência no tratamento de câncer no Estado e também no País. Desinformadas, essas pessoas preferem se concentrar no local nas primeiras horas do dia, por não saberem que o atendimento acontece das 7 às 19 horas. E não é só nesse caso que ainda predomina a desinformação para quem busca o tratamento contra o câncer. Muitos desconhecem que podem fazer consultas e exames gratuitamente e que podem até sacar dinheiro do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para investir no tratamento (leia quadro de serviço). Há instituições que abrigam os doentes e a legislação brasileira assegura aos portadores de neoplasia maligna - câncer - e outras doenças graves alguns direitos especiais, que precisam ser melhor divulgados. Os casos de câncer vêm aumentando e, segundo estatística do Ministério da Saúde, matam cerca de 5 milhões de pessoas por ano em todo o planeta. Em 2003, foram atendidos 10.200 novos doentes na Bahia e, desse total, 4.545 no Hospital Aristides Maltez, que diariamente atende em consultas e exames a 2.500 pessoas, sendo que a triagem matricula 100 novos pacientes a cada dia. ÚLTIMA GERAçãO – No Cican, onde qualquer pessoa acima de 16 anos com suspeita ou diagnóstico de câncer pode ser atendida, são 300 consultas diárias. A coordenadora de enfermagem do centro, Tereza Gomes, acredita que madrugar para tirar documentos ou marcar exames faz parte da cultura do soteropolitano e que a fila das 5 horas da manhã não se justifica. O local tem equipamentos de última geração e até infunde a idéia equivocada em alguns pacientes de que para fazer exames ali o pagamento é alto. Mas não. É tudo de graça, mesmo. E quando o problema excede ao que o Cican pode fazer, o tratamento não é interrompido. Lá, não se faz tratamento de radioterapia, mas o paciente é encaminhado para onde pode ser feito e retorna ao Cican. O mesmo acontece nos casos de cirurgias maiores, como a extirpação da mama. O próprio cirurgião do Cican leva a paciente ao hospital que tem a tecnologia específica e realiza a cirurgia. “Sangrou diferente, teve um cheiro estranho ou surgiu um sinal na pele, esteja a pessoa em qualquer um dos 417 municípios baianos, o melhor caminho é correr ao Cican”, enfatiza Tereza Gomes. Tal como ocorre no Aristides Maltez, no estacionamento do centro tem carros, ambulâncias, caminhonetes com placas de vários municípios. Sentada na sala de triagem, aguardando a palestra diária, B. S., 72 anos, da cidade de Barreiras, diz que finalmente conseguir falar o que sentia há mais de 20 anos. “Eu tinha um sangramento e uma dor nas partes baixas, agora sei que é uma doença terrível, mas estou sendo bem-cuidada aqui no Cican”. afirma B. S. Como não há internamento no centro, ela estava sendo encaminhada ao Núcleo Assistencial de Pessoas com Câncer (Naspec), no fim de linha do Engenho Velho de Brotas, que recebe pacientes de todos os municípios baianos que não têm onde ficar durante o tratamento em Salvador. ESTIGMA – O Hospital Aristides Maltez, mantido pela Liga Bahiana Contra o Câncer (LBCC), presta assistência às pessoas carentes, atuando nas áreas de prevenção, diagnóstico, tratamento, reabilitação, ensino e pesquisa, informa o médico e diretor Aristides Maltez Filho. “Da nossa clientela, 99,8% são do Sistema Único de Saúde (SUS). Quem tem dinheiro e sofre de câncer vai para São Paulo ou para o exterior, porque a doença ainda é estigmatiza”, fala o médico. Depois da triagem, o paciente é matriculado e levado a um especialista. Entre a matrícula e a primeira consulta, a demora é de no máximo 48 horas. A partir daí, faz-se uma complementação diagnóstica para se proceder ao tratamento, que se baseia em cirurgia, quimioterapia e radioterapia, combinados ou isolados. O hospital tem 200 leitos; dez unidades de tratamento intensivo (UTI), realiza em média, por mês, 625 cirurgias, 520 tomografias e 400 ressonâncias magnéticas. |
| Fonte: A Tarde |
Os assuntos assinados são de responsabilidade dos autores.
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