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25/12/2003 |
Atravessadores recebem a aguardente produzida no sudoeste do Estado e revendem como se fosse de Minas Gerais JUSCELINO SOUZA PIRIPÁ – (DA SUCURSAL SUDOESTE) – Uma fraude contra a economia do Estado está transformando a cachaça baiana em produto mineiro. Não há números oficiais, porque o mercado é informal, mas as estimativas são de que cerca de 500 litros mensais de cachaça são comercializados ilegalmente por atravessadores, na própria região ou no norte de Minas Gerais. O produto é adquirido no local de fabricação ou, quando isso não ocorre, o produtor leva a aguardente até atravessadores, segundo um diagnóstico de comercialização de derivados de cana-de-açúcar nas localidades de Vereda Grande e Matinha, zona rural de Piripá, a 611 km de Salvador. Os valores vão dos R$ 3 aos R$ 5 o litro que, depois de “maquiado”, chega a ser vendido por R$ 25 – em alguns locais atinge R$ 50. “Os atravessadores vendem uma parte da cachaça a proprietários de bares e mercearias do sudoeste baiano e a outra a núcleos de produção mais estruturados, no Estado mineiro”, informa a consultora Luciana Nery. Segundo ela, “nesses núcleos, a cachaça de Piripá e de outras fábricas da Bahia passa por um processo de melhoramento, antes de ser engarrafada, devidamente rotulada e comercializada como sendo produzida em Minas Gerais”. DÓLAR – Técnicos do Sebrae detectaram a fraude e resolveram intervir “para evitar que o projeto de produtores baianos de alcançar o mercado europeu não se perca”. A razão é o crescente interesse pela cachaça baiana, especialmente a produzida no sudoeste, cotada em dólar. Algumas marcas da Bahia apreciadas na Europa, por exemplo, no Brasil custam entre US$ 3 e US$ 4 a garrafa e chegam ao consumidor a US$ 30, equivalente a R$ 90. Abaíra, exportou para a Itália, no ano passado, quatro mil litros. A mesma trilha, os produtores de Itarantim pretendem seguir. Tamanho interesse é reforçado pela definição oficial da cachaça, por meio de decreto federal publicado em outubro, esclarecendo que a denominação é típica e exclusiva da aguardente de cana produzida no Brasil, com graduação alcoólica de 38% a 48% em volume, a 20º Celsius. A cachaça é obtida pela destilação do mosto fermentado de cana-de-açúcar com características peculiares, podendo ser adicionada de açúcares até seis gramas, por litro. PROCESSamento – Após a moagem da cana-de-açúcar, a garapa é transportada para os tanques de fermentação, por meio de tubos diretamente para os tanques de fermentação, usando apenas a força da gravidade nesse processo. Nos tanques de fermentação, a garapa pode ficar até mais de 24 horas. Segundo os produtores, o tempo de fermentação depende do clima e do tipo de fermento utilizado. O líquido só pode ser retirado dos tanques depois que a fermentação está completa, quando o líquido fica totalmente imóvel. Processo de destilação da aguardente – Após o processo de fermentação, retira-se a garapa manualmente, com o auxílio de cuias e baldes, despejando-a no alambique (movido a lenha). Neste alambique, a garapa começa a se evaporar em algumas horas. Ao passar pelo cano que fica inserido em um tanque de água fria, inicia-se o processo de destilação. Está pronta a aguardente. |
| Fonte: BBC-BR |
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