Fichamento de americanos 'não é
vingança', diz juiz
Adriana Stock
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| A União tem um
prazo de 20 dias para entrar com
recurso |
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As novas medidas
de segurança impostas aos cidadãos
americanos que visitam o Brasil não
são uma "vingança" contra os Estados
Unidos, segundo o juiz federal Julier
Sebastião da Silva, que determinou a
identificação dos turistas.
Segundo sua
decisão, os americanos devem ser
fotografados e suas impressões
digitais recolhidas ao entrarem em
portos e aeroportos brasileiros.
As mesmas
exigências serão feitas, a partir de 5
de janeiro, aos brasileiros que
viajarem para os Estados Unidos.
"Não há uma
conotação de vingança contra os
Estados Unidos. É apenas uma questão
de proteção aos direitos civis",
afirmou o juiz à BBC Brasil.
Diplomacia
Para Sebastião da
Silva, o fichamento dos americanos não
deve afetar as relações entre o Brasil
e os Estados Unidos.
"Parece até que
há uma certa simpatia por parte do
governo na medida em que a decisão vai
forçar a um ajuste diplomático entre
os dois países", comentou.
Está previsto na
sentença da Justiça Federal que as
medidas de segurança sejam mantidas em
vigor apenas enquanto perdurar o mesmo
sistema nos Estados Unidos.
"É uma assimetria
total", disse o juiz.
Segundo Sebastião
da Silva, mais de 200 americanos já
teriam sido fichados no Aeroporto
Internacional de Guarulhos, em São
Paulo, na quinta-feira, quando as
novas exigências de segurança foram
postas em prática.
"Alguns
apresentaram alguma contrariedade,
mas, na medida em que era explicado
que esse era o mesmo tratamento que
estava sendo dispensado aos
brasileiros nos Estados Unidos, eles
assimilaram bem."
A União tem um
prazo de 20 dias para entrar com
recurso contra a sentença, mas, de
acordo com o juiz, essa não é uma
questão de urgência para o governo.
"A decisão não
traz nenhum prejuízo para a União",
disse.
No caso de a
Advocacia Geral da União entrar com um
recurso e ganhar, caberá ao Ministério
Público Federal, o autor da ação,
recorrer.