17/10/2003

                                  

         

17/10/2003

Presidente da Bolívia renuncia.


 

 
 

 
 




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Gonzalo Sánchez de Lozada não resiste a pressões e renuncia, dizem fontes

Reuters





LA PAZ - Acossado por mais de um mês de protestos violentos e pela repercussão da matança de dezenas de manifestantes, o presidente da Bolívia, Gonzalo Sánchez de Lozada, renunciou ao cargo na noite desta sexta-feira através de uma carta enviada ao Congresso, afirmaram fontes de alto escalão de seu governo.

A renúncia ainda não foi anunciada formalmente, mas políticos já afirmam que o poder deverá ser passado à meia-noite (1h horário de Brasília) ao vice-presidente Carlos Mesa Gisbert. Segundo agências de notícias, Sánchez de Lozada já deixou o palácio do governo em La Paz e partiu de avião rumo a Santa Cruz de la Sierra. De lá, ele pode partir para a Argentina ou para os EUA.

A decisão de renunciar foi tomada por Sánchez de Lozada horas depois de Manfred Reyes Villa, chefe do partido Nova Força Republicana (NFR) e seu aliado-chave, ter decidido abandonar o governo. A saída foi um golpe de misericórdia na coalizão governante, já alquebrada pela renúncia de ministros e pela dissidência do vice, ao longo da semana.

O presidente, um empresário de 73 anos educado nos EUA, uma das pessoas mais ricas do país, é detestado por milhões de bolivianos, que o chamam de "gringo". Ele foi eleito pelo Congresso há 14 meses, depois de fracassar em obter um quarto do voto popular. Há cinco semanas, as ruas de La Paz, El Alto, Cochabamba e outras cidades vinham sendo tomadas por manifestações diárias e sangrentas por sua renúncia. Ao menos 74 pessoas morreram nos protestos, que denunciavam a política externa pró-EUA e a incapacidade do governo de reerguer a economia da Bolívia - país mais pobre da América do Sul.

A dissidência do partido Nova Força Republicana (NFR), até então aliado incondicional do presidente, deu novo alento às manifestações pela renúncia. Reyes Villa, chefe do partido de centro-direita Nova Força Republicana, disse ter pedido a Sánchez de Lozada nesta sexta-feira que renunciasse para evitar mais protestos e matança. Diante da recusa do presidente, ele decidiu se retirar da coalizão e três ministros de seu partido o seguiram. A dissidência tirou do presidente a maioria no Congresso.

- Não há nada a fazer a não ser deixar o governo. Isso não pode continuar - afirmou Reyew Villa. - Disse ao presidente que não podemos ir contra a corrente e esperar por mais e mais mortes.

Sem o apoio de Reyes Villa, Sánchez de Lozada não tem mais a maioria de dois terços no Congresso, necessária para aprovar a maioria das legislações.

Enquanto Sánchez de Lozada se reunia com seus poucos aliados na sede do governo em La Paz, dezenas de milhares de mineradores, agricultores e mulheres indígenas caminhavam até o centro colonial da capital sitiada, gritando "Saia, saia!" e explodindo bastões de dinamite, a dois quarteirões do palácio.

Na quinta-feira, o Departamento de Estado dos EUA exortou americanos a não viajarem para a Bolívia e sugeriu que os que lá estavam deixassem o país imediatamente. Nesta sexta-feira, o Exército dos EUA enviou um pequeno contingente de soldados para a Bolívia a fim de proteger a embaixada em La Paz.

                    

 Fonte: Sitepopular