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Gonzalo
Sánchez de Lozada não resiste a pressões e renuncia, dizem
fontes

Reuters
LA PAZ - Acossado por mais de um mês de protestos violentos e
pela repercussão da matança de dezenas de manifestantes, o
presidente da Bolívia, Gonzalo Sánchez de Lozada, renunciou ao
cargo na noite desta sexta-feira através de uma carta enviada ao
Congresso, afirmaram fontes de alto escalão de seu governo.
A renúncia ainda não foi anunciada formalmente, mas políticos já
afirmam que o poder deverá ser passado à meia-noite (1h horário
de Brasília) ao vice-presidente Carlos Mesa Gisbert. Segundo
agências de notícias, Sánchez de Lozada já deixou o palácio do
governo em La Paz e partiu de avião rumo a Santa Cruz de la
Sierra. De lá, ele pode partir para a Argentina ou para os EUA.
A decisão de renunciar foi tomada por Sánchez de Lozada horas
depois de Manfred Reyes Villa, chefe do partido Nova Força
Republicana (NFR) e seu aliado-chave, ter decidido abandonar o
governo. A saída foi um golpe de misericórdia na coalizão
governante, já alquebrada pela renúncia de ministros e pela
dissidência do vice, ao longo da semana.
O presidente, um empresário de 73 anos educado nos EUA, uma das
pessoas mais ricas do país, é detestado por milhões de
bolivianos, que o chamam de "gringo". Ele foi eleito pelo
Congresso há 14 meses, depois de fracassar em obter um quarto do
voto popular. Há cinco semanas, as ruas de La Paz, El Alto,
Cochabamba e outras cidades vinham sendo tomadas por
manifestações diárias e sangrentas por sua renúncia. Ao menos 74
pessoas morreram nos protestos, que denunciavam a política
externa pró-EUA e a incapacidade do governo de reerguer a
economia da Bolívia - país mais pobre da América do Sul.
A dissidência do partido Nova Força Republicana (NFR), até então
aliado incondicional do presidente, deu novo alento às
manifestações pela renúncia. Reyes Villa, chefe do partido de
centro-direita Nova Força Republicana, disse ter pedido a
Sánchez de Lozada nesta sexta-feira que renunciasse para evitar
mais protestos e matança. Diante da recusa do presidente, ele
decidiu se retirar da coalizão e três ministros de seu partido o
seguiram. A dissidência tirou do presidente a maioria no
Congresso.
- Não há nada a fazer a não ser deixar o governo. Isso não pode
continuar - afirmou Reyew Villa. - Disse ao presidente que não
podemos ir contra a corrente e esperar por mais e mais mortes.
Sem o apoio de Reyes Villa, Sánchez de Lozada não tem mais a
maioria de dois terços no Congresso, necessária para aprovar a
maioria das legislações.
Enquanto Sánchez de Lozada se reunia com seus poucos aliados na
sede do governo em La Paz, dezenas de milhares de mineradores,
agricultores e mulheres indígenas caminhavam até o centro
colonial da capital sitiada, gritando "Saia, saia!" e explodindo
bastões de dinamite, a dois quarteirões do palácio.
Na quinta-feira, o Departamento de Estado dos EUA exortou
americanos a não viajarem para a Bolívia e sugeriu que os que lá
estavam deixassem o país imediatamente. Nesta sexta-feira, o
Exército dos EUA enviou um pequeno contingente de soldados para
a Bolívia a fim de proteger a embaixada em La Paz.
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