Rio – O
presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, disse que o
Brasil respeitará as decisões do governo boliviano de
controlar as refinarias e de aumentar os impostos sobre a
produção de gás e petróleo no país, a partir do decreto que
nacionaliza as reservas da Bolívia. Contudo, ele ressaltou
que não aceitará um aumento no preço do gás que é exportado
ao Brasil.
Gabrielli participou de uma reunião com o vários ministros e
o presidente Lula sobre o assunto. Em entrevista à imprensa,
o presidente da Petrobras explicou que os contratos
assinados com a Bolívia nas áreas de produção, refino e
distribuição de óleo e gás são regidos pelas leis bolivianas
e, portanto, a empresa brasileira tem que acatar as decisões
daquele país.
Já o contrato de exportação de gás, ressalta o presidente da
Petrobras, é regida por um acordo internacional e
supervisionada pelo Tribunal Arbitral de Nova Iorque. Isto
significa que qualquer decisão de aumento ou redução de
preço tem que ser feita em comum acordo entre os dois
países. Se houver discordância, o caso vai para o tribunal
norte-americano.
"Nós ainda não fomos formalmente notificados, mas é provável
que a Bolívia solicite alteração de preços. Se ela fizer
essa solicitação, nossa posição é pública: somos contra
alterar o preço do contrato. E estamos absolutamente
tranqüilos, trabalhando dentro das relações contratuais
estabelecidas desde 1996", afirmou.
Caso a Petrobras seja notificada da intenção da Bolívia de
aumentar o preço do gás exportado ao Brasil, haverá um prazo
de 45 dias para negociações. Se não houver acordo, o caso
vai para o Tribunal Arbitral de Nova York.
Segundo o presidente da Petrobras, não há motivo para
aumentar o preço do gás, que hoje é vendido a cerca de US$
5,50 - cerca de R$ 11. Além disso, ele lembra um episódio,
em 2003, quando Brasil solicitou a redução do preço do
produto, porque tinha pouca demanda nacional, e a Bolívia
negou.
Até a publicação da medida do presidente boliviano, a
Petrobras operava 46% das reservas de gás natural e produzia
toda a gasolina e óleo diesel consumido pelos bolivianos. A
empresa era responsável por 20% dos investimentos diretos no
país e por 18% do Produto Interno Bruto (PIB) boliviano.