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17/12/2003   

AS EMPRESAS DA OPERAÇÃO ANACONDA
Polícia Federal investiga grandes companhias suspeitas de
comprar sentenças e pagar propinas a juízes e delegados


 

Hugo Studart e Thaís Antonelli

 
  A COBRA ANACONDA Símbolo
da caçada policial que já colocou
na cadeia juizes e delegados

Começou a segunda fase da Operação Anaconda. Depois de desbaratar um esquema de extorsão e venda de sentenças envolvendo juízes e policiais federais – oito estão presos e 15, indiciados –, num dos maiores e mais rumorosos casos de corrupção da história recente, a Polícia Federal e o Ministério Público agora investigam as empresas suspeitas de estarem na outra ponta do escândalo: a dos pagadores de propinas. DINHEIRO teve acesso a documentos que envolvem diretamente até mesmo grandes empresas ou grupos no caso, entre elas a indústria de computa-
dores Metron, a fábrica de sardinhas Gomes da Costa – ambas
entre as líderes em seus segmentos de mercado – e a Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Abifarma), entidade que representa as principais multinacionais do setor instaladas no País.
Por causa da Abifarma, também está sendo apurado o envolvimen-
to indireto de 18 gigantes do setor farmacêutico. “Vamos abrir inquéritos separados sobre as empresas corruptoras”, revelou à DINHEIRO a procuradora da República Janice Agostinho Ascari, que lidera as investigações. “Teremos que rever os casos em que a quadrilha atuou, aprofundar investigações sobre os esquemas e
até mesmo anular muitos julgamentos.”

A revisão mais delicada é o processo contra as grandes indústrias farmacêuticas – entre elas Abbot, Lilly, Roche e Bayer – acusadas de promover um lobby para impedir a comercialização de medicamentos genéricos. O inquérito policial foi instaurado a 13 de outubro de 1999 pelo delegado federal Luiz Carlos Zubcov, um dos primeiros a ser implicado pela Operação Anaconda. “As empresas promoveram uma reunião e discutiram estratégias de domínio de mercado”, relata Zubcov na Portaria onde oficializa o inquérito policial. “Tentaram o controle da rede de distribuidores visando impedir a livre concorrência no comércio dos genéricos”, prosseguiu. O principal acusado era o então presidente da Abifarma, José Eduardo Bandeira de Melo. “A reunião contra os genéricos existiu e foi iniciativa dos executivos, jamais da Abifarma”, defende-se Bandeira de Melo, que, segundo fontes da PF, encabeça a lista de executivos e empresários a serem investigados. Lotado em Brasília, o delegado produziu um inquérito de quase 2 mil páginas, considerado pelos colegas uma peça exemplar. Foram indiciados 23 executivos de 21 laboratórios multinacionais. Depois, entretanto, Zubcov parece ter mudado de lado. Segundo documentos dos quais DINHEIRO obteve cópias, em maio de 2000 o delegado pediu o deslocamento do inquérito para São Paulo, onde o juiz João Carlos da Rocha Mattos – principal suspeito da venda de sentenças – requisitou o caso para seu julgamento. Nesse momento, começaram as chicanas jurídicas e o processo desandou. No final, Rocha Mattos absolveu os implicados. “Se algum laboratório fez algum acerto com as autoridades, eu não sei, mas da Abifarma não saiu um tostão para o Zubcov”, afirmou Bandeira de Melo à DINHEIRO. Por uma coincidência que intriga os investigadores, Zubcov se aposentou e, em maio de 2002, começou a trabalhar na entidade sucessora da Abifarma, a Febrafarma. Atuava como consultor em segurança de carga, com o salário de R$ 5 mil mensais, segundo informa a própria entidade. Foi demitido em novembro último, depois que foi apontado como um dos líderes da quadrilha de venda de sentenças.

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Fonte: Veja

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Os assuntos assinados são de responsabilidade dos  autores.

     

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