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26/03/2005 - Água mineral merece mais análise

                                                               
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Da redação - sitepopular

 

Laboratório referência no País ressalta a precariedade do controle e diz que não é pesquisada a presença de poluentes orgânicos

 

Letícia Belém

As águas minerais subterrâneas extraídas e engarrafadas em Dias d’Ávila, a sete quilômetros do Pólo Petroquímico de Camaçari, não sofrem análise especializada para garantir que estão livres de contaminação industrial por resíduos petroquímicos, substâncias orgânicas, clorados e ácidos.

Tanto a Vigilância Sanitária da Secretaria Estadual de Saúde quanto o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) se preocupam em analisar periodicamente apenas possíveis contaminações por bactérias, coliformes fecais e totais, características naturais da água (cálcio, sódio, etc.) e potabilidade, como ph, turbidez, temperatura e dureza, conforme determinam o Código de Águas Minerais (Lei 7.841/45) e as normas da Vigilância Sanitária para alimentos (Lei 3.982/81).

Segundo Lauro de Oliveira, químico responsável pelo laboratório especializado de análises de águas subterrâneas minerais de todo o País (Lamim), contratado pelo DNPM, a checagem destes parâmetros são essenciais, já que há um risco iminente e uma grave suspeita de que as águas minerais consumidas no Estado estejam também contaminadas.

“Os órgãos de saúde deveriam estar fiscalizando isto severamente, porque envolve saúde pública, mas o controle é muito precário e os custos são muito altos”, explicou o químico. O Lamim coleta amostras das águas minerais de Dias d’Ávila apenas para a análise química que é vista nos rótulos, mas nada de contaminação industrial.

Estudos geofísicos realizados em parceria com a Universidade Federal da Bahia e com a Cetrel (Empresa de Proteção Ambiental do Pólo) indicaram que o maior reservatório de água doce subterrânea do Estado contém extensas manchas poluentes, em alguns lugares com a profundidade de 100 metros.

Entre os contaminantes estão 35 substâncias químicas despejadas sem controle pelas indústrias desde a implantação do Pólo, em 1977, que não podem ser ingeridas por ser perigosas para a saúde e cancerígenas, com efeitos a longo prazo. O superintendente da Cetrel, Carlos Eugênio, garante que a contaminação está confinada na área do Pólo e que nenhuma gota desta água está sendo consumida.

“Está na hora de o governo do Estado se preocupar”

“A gente bebe sem saber o que está bebendo porque não há órgãos que analisem esta água e nem uma legislação que exija. A gente não pode ficar fingindo o tempo todo que não há riscos”, comentou a doutora em engenharia ambiental da Ufba Iara Brandão

O hidrogeólogo Francisco Negrão enfatiza que cabe à sociedade cobrar o acesso às informações para poder cobrar soluções. “Está na hora de o governo do Estado se preocupar em fiscalizar o problema de forma responsável e divulgar os resultados para a sociedade”.

O diretor de controle ambiental do Centro de Recursos Ambientais (CRA), Ronaldo Martins, admitiu que não tem como garantir que a remediação feita pela Cetrel é suficiente para contaminar as camadas mais profundas do solo e nem as águas de Dias d’Ávila. A Cetrel não divulga os relatórios anuais de monitoramento do aqüífero “porque estes dados pertencem às empresas do Pólo”.

O QUE É FEITO – Segundo a diretora da Vigilância Sanitária da Sesab, Raylene Logrado, o monitoramento das águas minerais é feito por meio de coleta do material na fonte, que é analisado no Laboratório Central do Estado (Lacem), que não analisa a presença de metais pesados, ácidos ou organoclorados, presentes no lençol freático contaminado pelo Pólo. “Todas as engarrafadoras de água mineral estão na região metropolitana próximo ao Pólo Petroquímico, com alvará sanitário atualizado, com boas condições de higiene e nenhuma delas apresentou indícios de contaminação comprovados por qualquer substância”, afirmou.

O geólogo Antônio Rodrigues, do DNPM, órgão federal que dá a autorização para exploração de água subterrânea, explicou que o controle de qualidade das águas minerais é feito pela própria engarrafadora, com uma contra-prova feita por outro laboratório. O monitoramento feito pelo DNPM é através do Lamim, que só analisa características de potabilidade, bacteriológicas, físico-químicos, mas nada de contaminação industrial.

O chefe substituto do DNPM, José Admário, avalia que as indústrias não deveriam ter sido instaladas sobre um manancial que poderia abastecer Salvador e afirma que os maiores poluidores de mananciais são os postos de gasolina, aterros sanitários e lixões, indústrias e falta de saneamento básico.

Engarrafadoras dizem ter controle

O responsável pelo laboratório Senai/Cetin (Centro de Tecnologia Industrial), Edvaldo Queiroz, afirmou que recebe amostras de fornecedores para fazer análise de água dentro dos parâmetros relacionados à potabilidade pedidos pelo cliente. Eles analisam dados microbiológicos, metais, inorgânicos, mas não avaliam organoclorados, ácidos e solventes.

Todas as engarrafadoras de água mineral informaram que possuem um controle de qualidade feito em laboratório próprio e todas as amostras são analisadas também fora do Estado, com análises fisico-químicas e microbiológicas, e que as águas não oferecem qualquer perigo à saúde.

A Ambev, situada no Pólo, produtora das cervejas e refrigerantes Antarctica, Brahma, Skol, Bohemia, Gatorade, Sukita, Pepsi, Guaraná Antarctica e Ice Tea, informou que retira a água a dez quilômetros de distância do Pólo, no distrito de Monte Gordo, a 400 metros de profundidade, e analisa periodicamente em laboratório próprio e envia também para um em Jacaraí, São Paulo.

O responsável pelo escritório operacional da Embasa em Camaçari, Reginaldo Pereira, informou que a exploração das águas que abastecem a sede do município é feita através de cinco poços a uma profundidade de 300 metros no Espaço Alpha, a dez quilômetros do Pólo. O abastecimento da orla, de Catu de Abrantes a Arembepe, é feito em quatro poços em Machadinho, a 16 quilômetros do Pólo.

Em Dias d’Ávila, a Embasa explora através de quatro poços na Praça do Balneário, a oito quilômetros do Pólo. Antes de chegar às torneiras, a água passa na estação de tratamento para receber flúor e cloro.

A química do laboratório da Embasa Márcia Qualrk informa que faz a análise integral conforme exige a Portaria 518 do Ministério da Saúde, ou seja, microbiológica, hidrobiológica, físico-química e os metais pesados, orgânicos e ácidos e nenhum traço de contaminação foi encontrado. “A análise é feita mensalmente e é excelente”, informou, sem disponibilizar os dados.

O prefeito de Camaçari, Luiz Caetano (PT), e a prefeita de Dias d’Ávila, Andréa Cajado (PFL), mostraram-se muito preocupados com a possível contaminação das águas minerais. Caetano solicitou uma audiência com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, na próxima quarta-feira e irá pedir uma comissão técnica do governo federal para avaliar os riscos de perto e marcou uma reunião com a Cetrel, o CRA e o Ibama para solicitar informações.  
 

 

 

 

Fonte:  Sitepopular / A Tarde

 

Os assuntos assinados são de responsabilidade dos  autor

 

 
 
 
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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