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Brasília – O
ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto
Rodrigues, disse acreditar que em 2007 a agricultura brasileira
começará a sair da crise econômica. Em entrevista coletiva concedida
hoje (30) às emissoras de rádio da Radiobrás (rádios
Nacional AM de Brasília, Nacional da Amazônia, Nacional do Rio de
Janeiro), o ministro classificou a crise como a maior enfrentada
pelo setor nos últimos 40 anos.
"Hoje estamos no fundo do poço, mergulhados num pântano de dívidas,
de renda quebrada e de dificuldades muito grandes. Mas, se
construirmos esse projeto coletivo e articulado de medidas, teremos
sem dúvida uma agricultura cada vez mais estabilizada e mais
competitiva".
Para Rodrigues, há espaço para otimismo em função de fatores como
mudanças na área cambial e programas estruturantes que estão sendo
desenvolvidos. "Temos o compromisso do governo de que algumas
mudanças na área cambial virão e, portanto, esse fator essencial,
responsável pela crise que é o câmbio, terá uma modificação positiva
à agricultura".
No que se refere às ações estruturantes, ele citou as propostas de
reformulação do seguro rural e de extensão do chamado regime de
drawback para todos os produtos do agronegócio.
Por esse modelo, há a isenção de impostos na importação de
matérias-primas desde que o produto final seja exportado.
Atualmente, essa isenção vale apenas para frutas, algodão, camarão,
carne de frango e carne suína, mas, segundo Rodrigues, o ministério
vai enviar uma mensagem à Câmara de Comércio Exterior (Camex)
pedindo a extensão do regime aos demais produtos.
"Se somar tudo isso, câmbio, preço melhor e um seguro rural mais
consistente, eu acredito que a partir do ano que vem a gente comece
a sair da crise de forma bastante articulada e consistente", afirmou
o ministro.
As medidas estruturantes fazem parte do pacote para agricultura
anunciado pelo governo federal na última quinta-feira (25). Entre as
principais ações emergenciais do Plano Agrícola e Pecuário, o
chamado Plano Safra 2006-2007, está o refinanciamento das dívidas
rurais referentes ao custeio da safra 2005-2006.
De acordo com o plano, parte do crédito será prorrogada
automaticamente pelo prazo de quatro anos, em parcelas anuais – a
primeira vence um ano após a data de renegociação. O montante que
será prorrogado vai variar de 20% a 80% do total, dependendo da
região do país e do produto.
O governo também anunciou aumento nos recursos para o Plano Safra
2006-2007: serão destinados R$ 50 bilhões para a agricultura
comercial (mais 13% que na safra anterior) e R$ 10 bilhões para a
agricultura familiar (aumento de cerca de 10% em relação aos
recursos liberados na safra passada).
"Estou convencido de que vamos ter melhoria nas condições de renda
de maneira que o conjunto de medidas até agora anunciado seja
suficiente para resolver essas questões de renda", afirmou
Rodrigues. O ministro destacou que a renegociação vai beneficiar
grande parte dos produtores brasileiros, mas disse reconhecer que
nem todos poderão ser atendidos pelas medidas anunciadas. |