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FAB garante que
governo gastará menos com novo avião presidencial

Valderez Caetano e Isabel Braga - O Globo
BRASÍLIA - O comandante da Aeronáutica, brigadeiro Luiz Carlos Bueno,
disse neste sábado que o governo
federal gastará menos com o custo da hora de vôo do novo avião
presidencial do que com o 'Sucatão', o Boeing 707 usado até então para as
viagens do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. A nova
aeronave, que ganhou o nome do pai da aviação Santos-Dumont, chegou ao
Brasil pela manhã e já foi apelidada de 'aerolula'.
O governo estima que o uso anual será de 1.200 horas
de vôo, o equivalente a 60 viagens para Nova York.
- Esta aeronave gasta 20% do que consome a atual. Foi um ótimo negócio.
Além da economia grande, o contrato prevê uma aplicação de recursos no
Brasil correspondentes ao capital gasto para compra - afirmou Bueno.
Segundo a FAB, a Airbus, empresa que vendeu o avião, terá que investir no
Brasil 170% do valor do avião, que custou US$ 56,7 milhões.
Parlamentares da oposição, porém, fizeram duras críticas à compra da
aeronave. O líder do PFL no senado, Agripino Maia (PFL), acusou o governo
de perdulário. Neste sábado, o senador disse que o governo gasta mais do
que permite o orçamento. Para ele, o governo deveria continuar fretando
vôos para viagens internacionais, como fazia o ex-presidente Fernando
Henrique Cardoso, que, a partir de 2000, optou pelo fretamento.
- Esta é uma sinalização de perdularismo e má
gastança. Este governo é mestre em aumentar impostos, mas não sabe
controlar gastos. O governo existe para dar bom exemplo à sociedade e a
compra do avião, decididamente, não é um bom exemplo - disse Maia.
O Orçamento do ano passado quase teve as verbas para a compra do avião
bloqueadas pela bancada oposicionista na Comissão Mista de Orçamento. As
votações foram obstruídas por vários dias, mas no fim a maioria governista
venceu.
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