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ACM disse
que a falta de autoridade do governo compromete a vida do cidadão
O senador
Antonio Carlos Magalhães afirmou ontem, no plenário do Senado, que a
invasão do prédio do Ministério da Fazenda por manifestantes do Movimento
de Libertação dos Sem Terra (MLST), ocorrida ontem, em Brasília, foi uma
demonstração de falta de autoridade do governo federal. ACM disse que,
enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "dança na África, os
sem-terra dançam no Ministério da Fazenda", comandado por Antônio Palocci,
que viajou para os Estados Unidos. "É uma demonstração de falta de
autoridade, é uma demonstração de que estamos próximos do caos", advertiu
o líder político baiano.
Os
manifestantes chegaram a ocupar o andar em que fica o gabinete do ministro
da Fazenda durante a invasão, que durou cerca de seis horas. Foram 1.200
militantes do MLST que empreenderam a ação, a propósito de cobrar
liberação de recursos para a reforma agrária. "É uma situação vexatória",
lamentou o senador baiano, classificando a ação como grave. "Quando não há
polícia, não há Forças Armadas para defender o próprio governo, que dirá
as casas dos cidadãos, as casas dos próprios congressistas, as casas de
todos nós", enfatizou ACM.
O líder
político baiano disse que, se o governo federal não melhorar a relação com
os militares, invasões como a ocorrida ontem, no Ministério da Fazenda,
serão uma rotina no país. "Se as Forças Armadas também estão deixando, é
uma reação ao governo. Não pense ele que está bem com as Forças Armadas
coisa alguma. Nós queremos que ele esteja bem com os militares. Nós
queremos que ele (o governo) respeite as Forças Armadas e não fique
descompondo a toda hora, como vem fazendo", declarou.
ACM apoiou
a reivindicação dos militares de reajuste salarial, conforme prometido ano
passado pelo ex-ministro da Defesa, José Viegas. "Nós queremos que ele (o
governo federal) pague decentemente a todos os brasileiros, mas também aos
militares", salientou o senador baiano. Ele lembrou que, na próxima
semana, será a vez do Exército, Aeronáutica e Marinha protestarem em
Brasília contra defasagem salarial. E que o Palácio do Planalto precisa
contar com a confiança das Forças Armadas.
"Em quem
vai confiar finalmente este governo? Com esta bancada do PT, que não vem
sequer ao plenário num dia grave como este?", questionou o senador. ACM
afirmou que o PT "está levando o país a uma situação de gravidade que só
não enxerga o presidente Lula, porque está feliz com as delícias das
viagens no Aerolula, dançando com os africanos, o que talvez seja a única
coisa que ele sabe fazer", frisou o líder político baiano, que defendeu
uma reação do Congresso Nacional.
"A reação
do Congresso tem de existir. É melhor cair de pé do que ficar de joelhos.
E nós estamos ficando de joelhos perante os movimentos revolucionários
insuflados pelo governo. Precisamos reagir. A reação, no caso, é um dever.
Nós temos de mostrar o quanto, nesta Casa, que existe Congresso, e este é
obrigado a fazer com que o governo aja. Se o governo não age,
evidentemente, é porque quer que a anarquia tome conta da nação. Mas nós,
como representantes do povo, temos o dever de querer a ordem", enfatizou.
ACM disse
que é dever do Congresso zelar pela sociedade. "Ninguém quer a pobreza. O
projeto Fome Zero está parado. As famílias estão morrendo de fome aqui e
ali, e o governo passeando no Aerolula e brincando nas embaixadas. Não é
isso que se quer. Ou ganha a autoridade moral ou este governo, que já se
julga reeleito e até perpetuado no poder - está enganado -, será apeado do
poder pelo voto. Mas, se não for pelo voto, será por aqueles que têm
dignidade de reagir de qualquer maneira, para que o Brasil não viva a
desordem que vive", enfatizou o senador. |