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25/09/06 - Por Rafael Imolene Fontana - Leitor do sitepopular

Voto Nulo: Uma Causa Já Vitoriosa

Alô, TSE! Não é o eleitor que precisa mudar de opinião. São os políticos que precisam mudar de comportamento.

Nunca na História do Brasil houve uma campanha tão maciça contra o VOTO NULO. Aliás, desde que nos tornamos República jamais houve qualquer tipo de campanha contra a decisão do eleitor de anular seu voto. Isso só pode significar uma coisa: a campanha pelo voto nulo incomodou, e incomodou bastante. Amedrontou autoridades e fez políticos se mexerem contra a indignação dos eleitores. Em outras palavras, esse barulho todo significa que a mobilização pelo voto nulo é uma causa vitoriosa desde o seu nascimento.

Os partidos políticos, amparados pelo TSE, tentaram minimizar o protesto dos brasileiros, interpretando a Lei Eleitoral em seu favor. Afirmaram categoricamente que se 120 milhões de brasileiros anularem seus votos, porém 10 eleitores votarem num determinado candidato, então este candidato será o presidente do Brasil. Ora, estão querendo chamar o eleitor de palhaço, só pode. Quero ver alguém governar o País amparado por apenas 10 eleitores. Isso vale para presidente, deputados, senadores e governadores.

Os partidos e o TSE jogaram pesado. Contrataram artistas, ocuparam programas de auditório, torraram milhões de reais em publicidade, principalmente na TV e no rádio, tudo para convencer o eleitor que é importante votar. Em nenhum momento se lembraram de dizer que o eleitor é obrigado a votar, caso contrário perderá direitos como cidadão, uma aberração que só acontece no Brasil. Nenhuma outra democracia consolidada do planeta obriga sua população a comparecer às urnas.

Esses mesmos partidos políticos poderiam ter jogado duro de outra forma. Poderiam ter expulsado de seus quadros os deputados corruptos, poderiam ter despachado também os governadores envolvidos em irregularidades, além de mandar para a rua todos os parentes e amigos empregados na máquina pública. Poderiam, ainda, devolver aos cofres públicos os bilhões de reais que desviaram nos últimos anos.

Mas por que não escolhem esse caminho? Tal comportamento representaria o fim da mamata, o fim da roubalheira, do caixa-dois e do coronelismo. Enfim, seria o fim de fenômenos que mantêm o Brasil subdesenvolvido e desigual, enquanto eles metem a mão no nosso dinheiro e nas nossas esperanças. Se quiserem que a gente vote com gosto, então façam por merecer.

Nem o mais otimista militante do voto nulo acreditaria na anulação das eleições programadas para outubro de 2006. Porém, todos os que mantêm essa convicção sabem que o atual movimento é um excelente ponto de partida para colher frutos nas próximas eleições, seja daqui a quatro ou oito anos. Consequentemente, é um importante começo para melhorar a vida de 180 milhões de brasileiros.

O comportamento do TSE

O TSE, que é um órgão público, torrou milhões de reais do contribuinte brasileiro para convencê-lo a não anular seu voto. Agiu errado, porque o eleitor sabe muito bem o que está fazendo quando anula o voto. Se um cidadão decide abdicar de escolher seus representantes, é sinal que ele está descrente com toda a classe política e se recusa a escolher um candidato “menos pior”. Ou seja, ele está se eximindo de participar deste processe de escolha e, principalmente, está protestando contra todos aqueles que desfrutam de mandatos eletivos.

E o TSE errou em dobro ao combater tão ferozmente um modesto movimento surgido na internet. Deveria ter ficado quieto, cumprindo o seu dever de organizar as eleições de maneira transparente, além de vigiar irregularidades dos partidos, tarefas que o Tribunal tem executado de maneira exemplar até agora. Não é função do TSE encampar discurso de partidos políticos e de governantes. Assim, o Tribunal agiu movido por interesses que não são necessariamente o melhor caminho para a manutenção da democracia.

Mas vamos crescer

O movimento pelo VOTO NULO surgiu e ganhou força na internet, a mais democrática ferramenta de comunicação de todos os tempos. No contexto dessas eleições, somos 22 milhões de brasileiros acessando regularmente a rede mundial de computadores em casa ou no trabalho. Em 2008, esse número terá ultrapassado a casa dos 40 milhões. Ou seja, o movimento possuirá muito mais força e terá também um histórico de luta recente. Não ficaremos de braços cruzados até lá.

A mobilização apenas começou e ganhará novas formas e ramificações. Daqui a dois anos haverá eleição para prefeitos e vereadores, e o recado do VOTO NULO será ainda mais forte. Recado que sempre foi e continua sendo um só: “Políticos, trabalhem pelo bem-estar do povo brasileiro, de quem vocês são empregados, caso contrário receberão o nosso repúdio”.

Parabéns a todos que vão protestar com o voto nulo nessas eleições. É o voto mais consciente de toda a História, e o início de uma mudança para melhor.