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Nunca na História do Brasil houve uma campanha
tão maciça contra o VOTO NULO. Aliás, desde que nos tornamos República
jamais houve qualquer tipo de campanha contra a decisão do eleitor de anular
seu voto. Isso só pode significar uma coisa: a campanha pelo voto nulo
incomodou, e incomodou bastante. Amedrontou autoridades e fez políticos se
mexerem contra a indignação dos eleitores. Em outras palavras, esse barulho
todo significa que a mobilização pelo voto nulo é uma causa vitoriosa desde
o seu nascimento.
Os partidos políticos, amparados pelo TSE,
tentaram minimizar o protesto dos brasileiros, interpretando a Lei Eleitoral
em seu favor. Afirmaram categoricamente que se 120 milhões de brasileiros
anularem seus votos, porém 10 eleitores votarem num determinado candidato,
então este candidato será o presidente do Brasil. Ora, estão querendo chamar
o eleitor de palhaço, só pode. Quero ver alguém governar o País amparado por
apenas 10 eleitores. Isso vale para presidente, deputados, senadores e
governadores.
Os partidos e o TSE jogaram pesado.
Contrataram artistas, ocuparam programas de auditório, torraram milhões de
reais em publicidade, principalmente na TV e no rádio, tudo para convencer o
eleitor que é importante votar. Em nenhum momento se lembraram de dizer que
o eleitor é obrigado a votar, caso contrário perderá direitos como cidadão,
uma aberração que só acontece no Brasil. Nenhuma outra democracia
consolidada do planeta obriga sua população a comparecer às urnas.
Esses mesmos partidos políticos poderiam ter
jogado duro de outra forma. Poderiam ter expulsado de seus quadros os
deputados corruptos, poderiam ter despachado também os governadores
envolvidos em irregularidades, além de mandar para a rua todos os parentes e
amigos empregados na máquina pública. Poderiam, ainda, devolver aos cofres
públicos os bilhões de reais que desviaram nos últimos anos.
Mas por que não escolhem esse caminho? Tal
comportamento representaria o fim da mamata, o fim da roubalheira, do
caixa-dois e do coronelismo. Enfim, seria o fim de fenômenos que mantêm o
Brasil subdesenvolvido e desigual, enquanto eles metem a mão no nosso
dinheiro e nas nossas esperanças. Se quiserem que a gente vote com gosto,
então façam por merecer.
Nem o mais otimista militante do voto nulo
acreditaria na anulação das eleições programadas para outubro de 2006.
Porém, todos os que mantêm essa convicção sabem que o atual movimento é um
excelente ponto de partida para colher frutos nas próximas eleições, seja
daqui a quatro ou oito anos. Consequentemente, é um importante começo para
melhorar a vida de 180 milhões de brasileiros.
O comportamento do TSE
O TSE, que é um órgão público, torrou milhões
de reais do contribuinte brasileiro para convencê-lo a não anular seu voto.
Agiu errado, porque o eleitor sabe muito bem o que está fazendo quando anula
o voto. Se um cidadão decide abdicar de escolher seus representantes, é
sinal que ele está descrente com toda a classe política e se recusa a
escolher um candidato “menos pior”. Ou seja, ele está se eximindo de
participar deste processe de escolha e, principalmente, está protestando
contra todos aqueles que desfrutam de mandatos eletivos.
E o TSE errou em dobro ao combater tão
ferozmente um modesto movimento surgido na internet. Deveria ter ficado
quieto, cumprindo o seu dever de organizar as eleições de maneira
transparente, além de vigiar irregularidades dos partidos, tarefas que o
Tribunal tem executado de maneira exemplar até agora. Não é função do TSE
encampar discurso de partidos políticos e de governantes. Assim, o Tribunal
agiu movido por interesses que não são necessariamente o melhor caminho para
a manutenção da democracia.
Mas vamos crescer
O movimento pelo VOTO NULO surgiu e ganhou
força na internet, a mais democrática ferramenta de comunicação de todos os
tempos. No contexto dessas eleições, somos 22 milhões de brasileiros
acessando regularmente a rede mundial de computadores em casa ou no
trabalho. Em 2008, esse número terá ultrapassado a casa dos 40 milhões. Ou
seja, o movimento possuirá muito mais força e terá também um histórico de
luta recente. Não ficaremos de braços cruzados até lá.
A mobilização apenas começou e ganhará novas
formas e ramificações. Daqui a dois anos haverá eleição para prefeitos e
vereadores, e o recado do VOTO NULO será ainda mais forte. Recado que sempre
foi e continua sendo um só: “Políticos, trabalhem pelo bem-estar do povo
brasileiro, de quem vocês são empregados, caso contrário receberão o nosso
repúdio”.
Parabéns a todos que vão protestar com o voto
nulo nessas eleições. É o voto mais consciente de toda a História, e o
início de uma mudança para melhor. |