A Justiça decretou a prisão temporária deles por suspeita de envolvimento em um rombo nos cofres públicos de Taboão da Serra. A investigação começou em março, quando o servidor público Marcio Renato Carra foi surpreendido no momento da fraude. Do computador que ele usava dentro da prefeitura partiu um comando que fez desaparecer em um único dia R$ 64.777,30 em dívidas de impostos.
A fraude ocorria no setor de dívida ativa, onde ficam registrados os devedores de tributos como IPTU e Imposto Sobre Serviços.
O esquema foi detalhado por uma testemunha que assinou o depoimento com a impressão digital para não ter o nome revelado. A testemunha disse que o vereador Carlos Andrade procurava por ela e por outros funcionários da prefeitura. Primeiro, pediu a relação de empresas e pessoas físicas que constavam como os maiores devedores de IPTU.
O mesmo vereador também dizia a ela que alterasse as datas de vencimento e até o nome do devedor. Envelopes entregues aos servidores indicavam quem deveria ter a dívida cancelada.
A fraude causou um desequilíbrio nas contas municipais. Os valores devidos que eram apagados da conta de dívidas ativas não entravam no caixa da prefeitura. O desvio acumulado desde janeiro pode passar de R$ 1 milhão.
Além do servidor preso, outros funcionários tinham senhas especiais para acessar as contas da dívida da Prefeitura de Taboão da Serra. Para descobrir quem estava à frente da fraude, um dispositivo passou a indicar, em tempo real, de qual computador as dívidas eram apagadas.
Segundo o delegado Raul Godoy Neto, um supermercado e o dono de um imóvel foram alguns dos beneficiados pelo esquema. Parentes dos vereadores Arnaldo dos Santos, do PSB, e de José Luiz Eloy, do PMDB, também foram favorecidos.
A Justiça mandou prender ainda outras sete pessoas, a maioria funcionários e ex-funcionários da prefeitura. A polícia ainda vai investigar quanto tempo durou o desvio do dinheiro público. (Do G1)