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A
cada dia se confirmam as denúncias feitas pelo sabotador Henrique
Franco Timóteo.
ITABUNA - A Polícia Federal (PF) já ouviu mais de dez pessoas no
inquérito que investiga a denúncia da sabotagem biológica que
disseminou a praga da vassoura-de-bruxa na região sul do estado.
Segundo os depoimentos, os seis acusados de terem praticado o crime,
entre eles o ex-prefeito de Itabuna, o petista Geraldo Simões,
conheciam o administrador Luiz Henrique Franco Timóteo, autor da
denúncia publicada pela revista Veja e réu confesso do crime. Além
disso, os seis acusados, inclusive Timóteo, se reuniam com
freqüência na década de 80 do século passado, como apurou a PF. Ou
seja, até agora são consistentes e fortes os indícios de que o PT
realmente está envolvido na sabotagem.
Os
outros acusados que estão sendo investigados pela PF ainda trabalham
na Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac). São
eles: Elieser Barros Correia, chefe de planejamento da Ceplac em
Itabuna; Wellington Duarte, um dos diretores do órgão em Brasília;
Everaldo Anunciação, vice-diretor da Comissão; e Jonas Nascimento,
que trabalha no Centro de Extenção da instituição.
Os
depoimentos contradizem a versão dos acusados, que alegaram não
conhecer Franco Timóteo, como disse Geraldo Simões à imprensa - o
petista que, de acordo com a denúncia, é o mentor da saboragem
biológica, ainda não foi ouvido pela PF. A confirmação de que os
seis se conheciam e se reuniam com freqüência na década de 80,
quando a praga foi disseminda no sul da Bahia, foi dada por vários
depoentes, incluindo, segundo o jornal A Região, o engenheiro
Dagoberto Brandão, que trabalhou na prefeitura de Itabuna na segunda
gestão de Geraldo Simões. O ex-prefeito de Itabuna, que é compadre
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, continua insistindo na tese
que a denúncia é fruto de perseguição política.
No
seu depoimento à PF, Franco Timóteo confirmou a denúncia publicada
em Veja. Ele confessou que participou, em 1987, de uma reunião no
antigo bar e churrascaria Caçuá, localizada na Praça Camacan, em
Itabuna, "na qual a cúpula do PT planejou a introdução e
disseminação na região cacaueira da Bahia de uma devastadora doença
do cacaueiro conhecida como `vassoura-de-bruxa´". Ele disse que a
reunião contou com a presença de Geraldo Simões e os outros quatro
funcionários da Ceplac envolvidos na sabotagem, todos eles
militantes petistas - Timóteo era ligado ao PDT na época.
Entre
os motivos alegados pelo PT para disseminar a praga, foi dito
durante a reunião, segundo o relato de Franco Timóteo - responsável
por transportar de Rondônia para o sul da Bahia os galhos infestados
com a praga -, que esta seria a única forma de tomar o poder na
região cacaueira, através do enfraquecimento econômico dos
produtores.
A
força da denúncia de Franco Timóteo provocou reações dos produtores
de cacau. Na semana passada, a Comissão Nacional do Cacau (CNC)
decidiu pedir oficialmente ao Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento o afastamento dos quatro funcionários da Ceplac
acusados por Franco Timóteo e que estão sendo investigados no
inquérito da PF. Eles acreditam que a atitude ajudaria a impedir
qualquer constrangimento ou obstrução das investigações.
Hoje,
o novo ministro da pasta, Luís Carlos Guedes Pinto, almoça com
produtores de cacau da Bahia, em Brasília. Do almoço, deve
participar o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária da
Bahia, José Martins, que já defendeu uma investigação rigorosa da
denúncia de sabotagem biológica. A expectativa é que, durante este
almoço, o ministro se manifeste sobre o pedido da CNC, de
afastamento dos quatro funcionários da Ceplac, que é um órgão ligado
ao ministério. "O pedido já foi encaminhado e esperamos para esta
semana uma posição", disse José Mendes, presidente da CNC.
Outro
assunto que deverá ser tratado no almoço é a mobilização que os
produtores fazem na sexta-feira, ao lado de prefeitos do sul da
Bahia, empresários e representantes da sociedade civil organizada da
região, para pedir apuração da denúncia publicada na revista Veja,
inclusive por parte do Ministério Público Estadual. A mobilização
acontece em Itabuna e deve fechar o comércio da cidade e também de
Ilhéus, bem como as BRs 101 e 415.
Ela
também vai lembrar que o crime da vassoura-de-bruxa deixou 30 mil
produtores falidos e mais de 200 mil trabalhadores rurais
desempregados, afetando de forma direta a uma população de três
milhões de habitantes. Os manifestantes prometem vestir camisas
negras que serão usadas no dia de luta destacando que a praga fez
três milhões de vítimas e que "você também é uma delas". |