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Foto divulgação - Vassoura-de-bruxa

 

 

 


 
 

17/07/06 - C.Bahia

Depoimentos confirmam ligação entre sabotadores do cacau

Testemunhas desmentem à PF declaração de Geraldo Simões e de outros acusados de disseminar a vassoura-de-bruxa.

A cada dia se confirmam as denúncias feitas pelo sabotador Henrique Franco Timóteo.

ITABUNA - A Polícia Federal (PF) já ouviu mais de dez pessoas no inquérito que investiga a denúncia da sabotagem biológica que disseminou a praga da vassoura-de-bruxa na região sul do estado. Segundo os depoimentos, os seis acusados de terem praticado o crime, entre eles o ex-prefeito de Itabuna, o petista Geraldo Simões, conheciam o administrador Luiz Henrique Franco Timóteo, autor da denúncia publicada pela revista Veja e réu confesso do crime. Além disso, os seis acusados, inclusive Timóteo, se reuniam com freqüência na década de 80 do século passado, como apurou a PF. Ou seja, até agora são consistentes e fortes os indícios de que o PT realmente está envolvido na sabotagem.

Os outros acusados que estão sendo investigados pela PF ainda trabalham na Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac). São eles: Elieser Barros Correia, chefe de planejamento da Ceplac em Itabuna; Wellington Duarte, um dos diretores do órgão em Brasília; Everaldo Anunciação, vice-diretor da Comissão; e Jonas Nascimento, que trabalha no Centro de Extenção da instituição.

Os depoimentos contradizem a versão dos acusados, que alegaram não conhecer Franco Timóteo, como disse Geraldo Simões à imprensa - o petista que, de acordo com a denúncia, é o mentor da saboragem biológica, ainda não foi ouvido pela PF. A confirmação de que os seis se conheciam e se reuniam com freqüência na década de 80, quando a praga foi disseminda no sul da Bahia, foi dada por vários depoentes, incluindo, segundo o jornal A Região, o engenheiro Dagoberto Brandão, que trabalhou na prefeitura de Itabuna na segunda gestão de Geraldo Simões. O ex-prefeito de Itabuna, que é compadre do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, continua insistindo na tese que a denúncia é fruto de perseguição política.

No seu depoimento à PF, Franco Timóteo confirmou a denúncia publicada em Veja. Ele confessou que participou, em 1987, de uma reunião no antigo bar e churrascaria Caçuá, localizada na Praça Camacan, em Itabuna, "na qual a cúpula do PT planejou a introdução e disseminação na região cacaueira da Bahia de uma devastadora doença do cacaueiro conhecida como `vassoura-de-bruxa´". Ele disse que a reunião contou com a presença de Geraldo Simões e os outros quatro funcionários da Ceplac envolvidos na sabotagem, todos eles militantes petistas - Timóteo era ligado ao PDT na época.

Entre os motivos alegados pelo PT para disseminar a praga, foi dito durante a reunião, segundo o relato de Franco Timóteo - responsável por transportar de Rondônia para o sul da Bahia os galhos infestados com a praga -, que esta seria a única forma de tomar o poder na região cacaueira, através do enfraquecimento econômico dos produtores.

A força da denúncia de Franco Timóteo provocou reações dos produtores de cacau. Na semana passada, a Comissão Nacional do Cacau (CNC) decidiu pedir oficialmente ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento o afastamento dos quatro funcionários da Ceplac acusados por Franco Timóteo e que estão sendo investigados no inquérito da PF. Eles acreditam que a atitude ajudaria a impedir qualquer constrangimento ou obstrução das investigações.

Hoje, o novo ministro da pasta, Luís Carlos Guedes Pinto, almoça com produtores de cacau da Bahia, em Brasília. Do almoço, deve participar o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia, José Martins, que já defendeu uma investigação rigorosa da denúncia de sabotagem biológica. A expectativa é que, durante este almoço, o ministro se manifeste sobre o pedido da CNC, de afastamento dos quatro funcionários da Ceplac, que é um órgão ligado ao ministério. "O pedido já foi encaminhado e esperamos para esta semana uma posição", disse José Mendes, presidente da CNC.

Outro assunto que deverá ser tratado no almoço é a mobilização que os produtores fazem na sexta-feira, ao lado de prefeitos do sul da Bahia, empresários e representantes da sociedade civil organizada da região, para pedir apuração da denúncia publicada na revista Veja, inclusive por parte do Ministério Público Estadual. A mobilização acontece em Itabuna e deve fechar o comércio da cidade e também de Ilhéus, bem como as BRs 101 e 415.

Ela também vai lembrar que o crime da vassoura-de-bruxa deixou 30 mil produtores falidos e mais de 200 mil trabalhadores rurais desempregados, afetando de forma direta a uma população de três milhões de habitantes. Os manifestantes prometem vestir camisas negras que serão usadas no dia de luta destacando que a praga fez três milhões de vítimas e que "você também é uma delas".