O que está ruim pode ficar ainda pior. Esta é a realidade da Saúde em Eunápolis. Um município com população próxima dos cem mil habitantes, que pode ficar sem um hospital público a partir do próximo mês. A constatação acima é feita tendo como base informações da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (SESAB), cuja preocupação com o setor de Saúde no município fez com que uma comissão da Secretaria comandada pelo Superintendente de Programa de Média e Alta Complexidade, Humberto Torreão, viesse à cidade verificar in loco, o que de grave acontecia, a pedido da 8ª Dires (Diretoria Regional de Saúde) e do Ministério Público Estadual (MPE). A equipe confirmou o que a Dires e o MPE comunicaram às autoridades estaduais, alertando para o alto risco da Saúde no município chegar a uma situação de total descontrole. O dia da vistoria, 7 de novembro, foi de muitas reuniões. Logo às 8h30m os auditores tiveram uma reunião de cerca de uma hora na sede do Ministério Público com os promotores Dinalmari Mendonça, Karine e o diretor da Dires, Baltazar Lamin, onde vários fatos e aspectos da crise foram discutidos. Em seguida, todo o grupo foi à Secretaria Municipal de Saúde, onde se reuniu com o secretário, José Eduardo Mendonça Farias. Foi uma reunião tensa, onde, num certo momento, o supervisor Torreão, cobrou do secretário, com veemência, a solução dos “graves problemas” existentes na Saúde local. E estipulou o prazo de 30 dias para que medidas saneadoras sejam tomadas e comecem a surtir efeito, sob pena da Sesab efetivar uma intervenção, desabilitando a gestão plena na saúde. Segundo o que chegou ao conhecimento da nossa reportagem, o secretário se limitou a escutar tudo em silêncio. Outras reuniões, havidas no mesmo dia, praticamente definiram a desativação do Hospital Professor José Maria de Magalhães, mais conhecido como Hospital Regional de Eunápolis, que desde novembro de 2006 funciona de forma provisória no prédio do Ames. De imediato, ficou acertado o repasse da maioria das AIHs do Regional para outros dois hospitais: o Hospital Ramos ficaria com 300 AIHs e se responsabilizaria pelos serviços de pediatria e obstetrícia; enquanto o Hospital das Clínicas, ficaria com 50 AIHs e os serviços de clínica média. Informações obtidas pela nossa reportagem através de outras fontes, dão conta de que as 317 AIHs restantes devem ficar com o Ames, que deverá assumir os procedimentos de clínica cirúrgica e emergência. A situação só deve ser normalizada com a conclusão da reforma do prédio próprio do Hospital Regional, que não tem data para ser retomada. Provavelmente, só na próxima gestão. |
“Sérios problemas de estrutura e fluxo” foi o termo técnico que uma equipe de inspeção da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (SESAB) encontrou para definir a situação do Hospital Professor José Maria de Magalhães Neto, mais conhecido como Hospital Regional de Eunápolis, que funciona de forma provisória nas antigas instalações do Hospital Ames. O que parece pouco, uma vez que a unidade funciona sem ter sequer um Alvará Sanitário, espécie de garantia de limpeza e higiene que é exigida para o funcionamento de qualquer “cacete armado” que comercialize alimentos. É isso mesmo. O Hospital Regional funciona sem ter sequer um Alvará Sanitário. E quem diz isso é a própria Sesab, através de um Relatório datado do ano passado, assinado por uma equipe de inspeção que vistoriou aquela unidade avaliando a possibilidade de liberar o dito alvará. Que foi negado. Há deficiências, irregularidades e não-conformidades em todos os setores do hospital, desde a Recepção até o Centro Cirúrgico, contabilizando 136 itens. Falhas como a não-existência de comissões de Ética Medica e de Enfermagem, se misturam com a simples falta de arquivo, que faz com que os prontuários sejam “arquivados” em caixas de papelão em contato direto com o chão. No consultório de ginecologia e ultra-som, um lençol pendurado na janela diminuía a entrada de luminosidade e preservava a privacidade das pacientes. Nos sanitários, quase sempre os mesmos para uso masculino e feminino, foi anotada a ausência de papel higiênico, sabão liquido e toalhas de papel. No momento da inspeção, foi verificada a utilização de garrafão plástico contendo água, preso a perna de uma criança com atadura, servindo de peso. Bolsas de sangue foram encontradas na geladeira de medicamentos, existente na área de prescrição médica e de enfermagem, sem controle de temperatura, sem registros de entrada e saída das mesmas. Ausência de barreira física entre a circulação externa e o centro cirúrgico. O material lavado com detergente doméstico. A roupa lavada sem separação por grau de sujidade e contaminação. Dessa forma, a equipe concluiu que “Após avaliação dos agravos que podem ocorrer á saúde da população, concluímos que o alvará sanitário NÃO poderá ser liberado”. |