Dos 72 nomes de
parlamentares encaminhados pela CPI dos Sanguessugas aos Conselhos de Ética
do Congresso, 16 destinaram recursos especificamente para a compra de
unidades móveis de inclusão digital em 2005 e 2006. Ao todo, foram 19
emendas em benefício da aquisição dos veículos totalizando um incremento de
R$ 15,5 milhões. Os ônibus equipados com computadores são o novo foco da
investigação que pretende acabar com a máfia que fraudava licitações.
Clique aqui para ver os autores das propostas.
No ranking dos deputados que mais beneficiaram a aquisição dos veículos
colocados sob suspeita pela CPI o campeão é Paulo Baltazar (PSB-RJ). De 2005
para cá, o parlamentar propôs R$ 2,5 milhões em emendas para os ônibus.
Baltazar também lidera a lista dos maiores agraciados pelas liberações. Mais
de R$ 1 milhão já foi pago pelo governo para atender às propostas do
deputado.
Em seguida, foi o companheiro de Estado e de partido João Mendes de Jesus o
mais generoso nesse sentido, com R$ 2 milhões em propostas. Desse dinheiro,
R$ 800 mil já foram liberados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).
Os deputados paulistas João Batista e Vanderlei Assis, ambos do Partido
Progressita (PP), dividem a terceira colocação na lista dos “defensores” das
unidades móveis. Cada um apresentou R$ 1,2 milhões em propostas para a
aquisição dos veículos. O dinheiro, no entanto, ainda não foi liberado.
No depoimento que deu à Justiça Federal no mês passado, o empresário Luiz
Antônio Vedoin, sócio da Planam e principal operador do esquema dos
sanguessugas, admitiu ter vendido sete ônibus ao MCT, todos referentes ao
programa de Inclusão Digital. No entanto, Vedoin não mencionou ter pago
propina a qualquer pessoa do ministério.
O maior beneficiado pelas emendas destinadas às unidades móveis de inclusão
digital, nos últimos dois anos, foi o Rio de Janeiro. Do ano passado para
cá, os parlamentares do Estado que compõem a lista da CPI destinaram R$ 6,5
milhões para a compra dos ônibus que circulam por municípios de baixa renda
levando conhecimentos de informática.
O incremento sugerido para o RJ corresponde a 42% do total de emendas
propostas pelos suspeitos para a compra dos veículos no país. Além de
Baltazar e João Mendes de Jesus, os deputados do Estado que apresentaram
propostas desse tipo foram Elaine Costa (PTB), José Divino (atualmente sem
partido) e Vieira Reis (PRB).
Na semana passada, o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), um dos sub-relatores
da CPI dos Sanguessugas, divulgou fotos de ônibus do programa de Inclusão
Digital que estariam escondidos em uma garagem no município de Volta Redonda
(RJ). Segundo Gabeira, os dois veículos foram equipados pela Suprema-Rio,
uma das empresas da máfia dos sanguessugas, e vendidos ao programa a um
preço superfaturado, R$ 700 mil.
Depois dos cariocas, foram os vizinhos paulistas que mais destinaram
recursos para os ônibus do MCT. Os deputados de São Paulo indicados ao
Conselho de Ética propuseram um incremento de R$ 2,8 milhões no orçamento do
programa de Inclusão Digital no intuito de aparelhar o Estado com os
veículos informatizados. Além de João Batista e Vanderlei Assis, Neuton Lima
(PP) também contribuiu para engordar as propostas do Estado.
Acre e Bahia ocupam, respectivamente, a terceira e a quarta posição na lista
dos agraciados. Os parlamentares desses Estados que compõem a lista dos
sanguessugas propuseram juntos R$ 3,4 milhões para a aquisição de unidades
móveis. São eles:
João
Correia (PMDB-AC), Júnior Betão (PL-AC), Reginaldo Germano (PP-BA) e
Coriolano Sales (PFL-BA), que renunciou nesta terça-feira (15/8) para evitar
a inelegibilidade.
Diante da
suspeita de fraudes na compra de unidades móveis, o atual secretário de
Inclusão Digital, Alexandre Navarro, suspendeu a liberação de recursos para
a compra dos ônibus. Além disso, um plano de fiscalização foi colocado em
prática, para vistoriar a regularidade não só dos veículos que já estão em
circulação como dos telecentros fixos. Segundo Navarro, os relatórios da
vistoria serão encaminhados à Controladoria Geral da União. A partir da
próxima semana, a fiscalização se extenderá aos demais programas que
integram a secretaria.
O
secretário também decidiu excluir os ônibus equipados com computadores do
programa de Inclusão Digital. “É uma ação ineficiente, pois os veículos
precisam de uma manutenção periódica e não temos verba suficiente para isso.
Não vamos sequer empenhar as emendas deste ano”, explica. Na tentativa de
reduzir o risco de futuras irregularidades, a secretaria criou um grupo de
trabalho que estabelecerá critérios mais rígidos para o repasse dos recursos
federais. “Isso vai dificultar a pressão política”, reforça Navarro. Outra
providência foi criar uma lista de preços nacional para os telecentros, no
intuito de evitar superfaturamento nas licitações municipais.
É importante frisar, no entanto, que apenas o fato de um parlamentar ter
apresentado emendas para inclusão digital ou unidade móvel não significa que
ele esteja envolvido no esquema de corrupção coordenado pela máfia das
ambulâncias. Somente as investigações da justiça poderão indicar os
políticos que facilitaram as fraudes nas compras de unidades móveis feitas
com recursos federais.
Clique nos respectivos anos, para ver as emendas dos deputados apontados
pela CPI dos Sanguessugas que beneficiam as unidades móveis de inclusão
digital, em
2005 e
2006.
Mariana Braga