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O jornal Correio Braziliense desta sexta-feira (25) publicou matéria
na qual aponta um suposto envolvimento do líder da minoria na Câmara dos
Deputados, José Carlos Aleluia (PFL-BA), ex-líder do PFL, com a máfia das
ambulâncias.
Segundo publicou o jornal, o deputado Lino Rossi (PP-MT) usou o nome de
Aleluia para negociar propina com os donos da Planam. É o que revela
documento apreendido pela Polícia Federal na empresa Planam, durante a
Operação Sanguessuga.
Aleluia é um dos sub-relatores da CPI instalada para investigar o escândalo,
que apontou Rossi como um dos deputados mais próximos aos empresários do
Mato Grosso acusados de fraudar a compra de ambulâncias com dinheiro do
Orçamento da União.
As informações foram organizadas no documento sob o título “deputados
acertados”, onde apareceram listados os nomes de Aleluia e quatro
ex-parlamentares da legislatura passada.
Ao lado de cada um foram anotados dois valores — o segundo corresponde a 2%
do primeiro. No caso do deputado do PFL baiano, foram registrados,
respectivamente, R$ 400 mil e R$ 8 mil.
Comissão
Segundo a reportagem, em depoimento à Justiça Federal do Mato Grosso, em 20
de julho, Darci Vedoin, sócio da Planam, explicou que os valores anotados à
direita se referiam à suposta comissão devida a Lino Rossi, “por ter
conseguido recursos de emendas dos parlamentares arrolados”.
O empresário apontou o deputado do Mato Grosso como o beneficiário de R$ 39
mil, por ter captado, em nome de terceiros, cerca de R$ 1,940 milhão em
emendas para a compra de ambulâncias.
O documento não trouxe detalhes dos projetos, como data, por exemplo. Mas
ele fez parte de uma série de papéis que revelou transferências financeiras
realizadas pela Planam para Lino Rossi, entre 2000 e 2002.
Nesse período, Aleluia, então aliado do governo Fernando Henrique Cardoso
(PSDB), apresentou várias emendas ao Orçamento para a melhoria dos serviços
de Saúde em seu Estado.
Em 2002, o líder da oposição destinou R$ 500 mil para a aquisição de
ambulâncias. A proposta se somou a outras apresentadas pela bancada da
Bahia, segundo levantamento da ONG Contas Abertas.
Para o deputado Fernando Ferro (PT-PE), vice-líder da bancada petista, é
preciso investigar a denúncia.
“Como se trata de mais uma denúncia, é preciso produzir investigação para
que não haja dúvidas”, defendeu.
Fernando Ferro avaliou que a extensão da “máfia das sanguessugas é algo
preocupante”. Para ele, essas novas denúncias demonstram que “o fundo do
poço ainda não chegou”.
O petista sugeriu que as denúncias sejam incluídas nas investigações da CPI
das ambulâncias e encaminhadas também ao Ministério Público Federal.
José Carlos Aleluia, ainda segundo a reportagem, negou conversas com Lino
Rossi para tratar de Orçamento ou outro assunto. “Nunca tive contato com ele
ou qualquer um da empresa Planam”, disse o deputado do PFL. |