Depois de ser denunciado ao Ministério Público
Federal e à polícia por pais de alunos, o
diretor da escola Mundaí, em Porto Seguro, o
americano Robert Goldberg, retirou o seu perfil
no site de relacionamento Orkut do ar. O
conteúdo da página causou indignação por conter
apologia à violência e ofensas à mãe de um dos
seus alunos. Ele afirmava ainda que essa mãe
teria iniciado as especulações contra ele.
O
MPE ainda não se manifestou em relação ao caso,
mas o delegado da Polícia Federal de Porto
Seguro, Cristiano Tenório, afirmou que a partir
de hoje serão iniciadas as investigações para
saber se o estrangeiro está legalmente no
Brasil. Ele afirmou que a polícia vasculhou o
site do americano e imprimiu as páginas que
comprovavam a apologia do uso de armas. 'Ele
apagou o perfil, mas temos todas as provas',
afirmou.
O
diretor aparecia numa foto segurando uma arma e
com a camisa da escola amarrada na cabeça. Em
outra, ele mostrava uma tatuagem no braço que
reproduzia o ataque de um avião às torres gêmeas
de Nova York. Ele se descrevia como 'autoritário
ao extremo'. Na opção 'atividades', Goldberg
destacava 'malhação e matar vagabundos'. Na
relação de 'cinco coisas sem as quais não
consigo viver', 'armas, munição, dinheiro, meu
passaporte e vodka'.
As
declarações e as fotos contidas no site chocaram
os pais e alguns deles já retiraram os filhos da
escola. Um dos denunciantes, que prefere não se
identificar, conta que retirou o filho de 3 anos
assim que viu o conteúdo da página na internet.
'Não achei seguro deixar meu filho continuar
naquela escola. O conteúdo era muito chocante e
isso não é atitude de um cidadão de bem. Como
pode um diretor de uma instituição de ensino
colocar palavras de baixo nível e fazer apologia
ao uso de armas?', questiona.
Ele conta que quando ficaram sabendo da
existência do site, os pais tentaram marcar uma
reunião com o diretor, mas não foram recebidos.
Goldberg continuou com o perfil e fez diversas
alterações nos textos, inclusive com ameaças aos
pais. A página foi retirada do ar no sábado.
Antes de excluir o perfil, o diretor, que
assumiu a autoria da página, declarou que estava
sendo perseguido por falsos moralistas.
Num dos trechos de sua última descrição, ele
declara: 'Acho que esses cidadãos devem cuidar
melhor dos seus filhos porque, como todos sabem
bem, a internet tem de tudo; violência,
sacanagem, bestialidade, etc. (cruz credo!!!)
Será que agora que minha foto (aquela) saiu do
orkut junto com meu perfil, o mundo é melhor?
Será que as crianças estão mais felizes, mais
seguras, mais amadas? Está bom, para aliviar a
gastura da minha equipe que está arrancando os
cabelos, não sabendo falar à 'polícia dos nossos
pensamentos' que nos perseguem 24 horas por dia,
sete dias por semana, mudei a foto, alterei o
perfil, mas jamais mudarei quem sou: a pessoa
que ama quem me ama, respeita quem me respeita e
gosta de irritar os demais. Vejo vocês no
inferno!'.