Polícia Civil de braços
cruzados e detentos de Eunápolis iniciam greve de fome
Os 110 presos custodiados na
23ª Coordenadoria de Polícia do Interior (Corpin), com sede em Eunápolis, a
643 km de Salvador, no extremo sul do Estado, iniciaram na manhã desta
terça-feira (9) uma greve de fome em resposta ao corte de visitas e banho de
sol, feito por causa da recusa dos policiais civis, em greve desde ontem, em
vigiar os detentos. O clima é tenso e tende para uma rebelião.
Documento enviado hoje ao juiz da Vara Crime da Comarca de Eunápolis,
Otaviano Andrade de Souza Sobrinho, informa que a situação é grave, com alto
risco de acontecer um motim na carceragem, cuja capacidade é de 28 detentos.
O delegado Antônio Alberto Passos de Melo ainda tentou uma negociação com os
presos na tentativa de fazer com que eles desistissem da greve de fome, mas
não conseguiu.
RECLAMAÇÕES – “Estamos passando por momentos muito difíceis. Aqui falta
água, as visitas não são regulares, a alimentação é ruim e está muito cheio.
Há presos que estão há um ano e seis meses aqui dentro e nunca foram
ouvidos. Vamos continuar com essa greve de fome até que haja garantia de que
a situação melhore“, disse o detento Daniel Mendes da Silva, 21, que
conversou com o delegado.
Na 23ª Corpin só estão funcionando os serviços de levantamento cadavérico,
alvará de soltura e custódia, serviço que está ameaçado de ser cortado,
segundo informação do secretário-geral do Sindicato dos Policiais Civis do
Estado da Bahia (Sindipoc) e membro da comissão do comando de greve,
Bernardino Gayoso, segundo o qual “a orientação é que isso [o abandono da
custódia] seja feito com cautela“.
O argumento para abandonar os serviços de custódia é que os policiais civis
estão cometendo desvio de função, pois a obrigação deles é investigar
crimes, prender pessoas e apreender drogas e objetos roubados ou furtados.
Um policial civil de Eunápolis, que não quis ter o nome divulgado por medo
de retaliação por parte do Estado, disse que a categoria sofre com o descaso
por parte do governo ao estar sem armas e sem estrutura.
DEMORA – Os cerca de 4,6 mil policiais civis da Bahia prometem manter os
braços cruzados até que o projeto da lei orgânica que beneficia a categoria
seja enviado e aprovado na Assembléia Legislativa e sancionado pelo
governador Jaques Wagner (PT). Respeitando os prazos regimentais, o tempo
mínimo para isso acontecer é em meados da semana que vem, uma vez que o
projeto de lei ainda se encontra na Secretaria de Administração (Saeb).
No extremo sul baiano a adesão à greve dos policiais civis é de 100%,
segundo informaram os próprios delegados responsáveis pela 23ª e 8ª Corpin
(sede em Teixeira de Freitas), respectivamente, Evy Partenostro e Nelis
Araújo. A 23ª Corpin abrange nove municípios e possui cerca de 70 policiais
civis. Já a 8ª possui treze cidades em sua jurisdição e cerca de 80
policiais.
Mário Bittencourt, da Sucursal
de Eunápolis - A Tarde