Justiça coloca prefeito de Ubaitaba atrás das grades e o afasta do cargo pela segunda vez em um mês. Asclepíades Queiroz, o “Beda” (PMDB), ainda tentou fugir antes de acabar o julgamento no Tribunal de Justiça da Bahia. Mas acabou preso pela polícia administrativa quando já estava saindo do
prédio do TJ, na sexta-feira, 4. Beda está preso na Polinter, no bairro Piedade, em Salvador, para onde foi conduzido por duas viaturas da polícia militar no final da tarde de sexta. A prisão e o afastamento foram decretados porque Beda abusou em descumprir ordens judiciais para reintegrar 136 servidores concursados, demitidos por ele em 2001, durante o primeiro mandato. Ele ainda sumiu com o processo na justiça. À ação de reintegração dos funcionários não cabia mais recurso, mas o prefeito insistia em descumpri-la. Os servidores acionaram o Ministério Público estadual, que moveu ação penal originária contra Beda. Ele foi julgado pelo Tribunal em junho. Os desembargadores decidiram por seu afastamento e prisão preventiva. Nenhuma das ordens foi cumprida, passados mais de 10 dias da decisão. “Conversa” Dias depois da ordem de prisão e afastamento, Beda teve uma conversa no gabinete do desembargador Rubem Dário, relator do processo, confirmada por ele. Depois da conversa, o desembargador revogou a ordem individualmente e mandou o prefeito voltar ao cargo. A decisão de Rubem foi duramente criticada por colegas. O relator foi acusado de “incompetência” e “tibieza” por tomar uma decisão que só caberia ao pleno do Tribunal. O caso retornou, extraordinariamente, à pauta do Tribunal nesta sexta. Beda assistiu à sessão do pleno na galeria do TJ desde as primeiras horas da manhã. Segundo relatos de advogados para A Região, Beda mostrou-se tenso durante toda a sessão, tendo a quase certeza de afastamento. As discussões ásperas entre o relator Rubem Dário e os desembargadores Olegário Monção Caldas e Sara Brito esquentavam ainda mais o clima e dava a certeza de detenção. O prefeito tentou fugir e só não escapou devido à atenção do desembargador Jerônimo dos Santos, que sugeriu à presidente do Tribunal de Justiça, Sílvia Zarif, a ordem de recapturar Beda, que já estava no elevador do TJ e próximo da saída. Além de observar que o prefeito em julgamento havia sumido do plenário e buscava a saída do TJ, o desembargador opinou pela prisão de Beda, que foi acatada por ampla maioria. Além de afastado por 90 dias, acabou sendo preso. O Ministério Público estadual foi duro no pedido de afastamento do prefeito, que assistiu à sessão com tranqüilidade, pois o MP não havia renovado o pedido de prisão. A tensão aumentou quando o desembargador Jerônimo dos Santos analisou os autos e pediu a prisão do gestor. O procurador-geral de Justiça, Lidivaldo Brito, também foi duro e evocou os novos tempos de democracia no judiciário baiano. “É bom que o denunciado esteja aqui presente para saber que o tempo de coronelismo e do arbítrio já acabou na Bahia”, disse, numa referência ao sumiço do processo na justiça e o seguido descumprimento da ordem judicial |