O Ministério Público Federal na Bahia
(MPF/BA) propôs, em dezembro último, ação de improbidade
administrativa contra o ex-prefeito do município de Araçás José
Coelho Irmão, mais seis pessoas e quatro empresas envolvidas em
um esquema de fraudes em licitações. O grupo, formado pelo
ex-gestor, por Maria Goreth Bastos Rocha Coelho, Agamenon de
Oliveira Coelho, Marcos Antônio Bastos Rocha, José Batista dos
Santos, Robinson Costa de Oliveira, Antônio César Oliveira
Albuquerque e as empresas Prestadora de Serviços Jomar Ltda,
Central Posto Ltda, Benedito & Filha Ltda e Araçás Comércio e
Representações de Materiais de Construção Ltda, é responsável
por malversação de cerca de R$ 1 milhão oriundos do Fundo de
Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de
Valorização do Magistério (Fundef) ente os anos de 2000 e 2004.
No ano 2000, a prefeitura do município abriu procedimento
licitatório para a compra de veículos de transporte escolar. A
empresa Prestadora de Serviços Jomar Ltda venceu o certame por
apresentar preços inferiores. No entanto, relatório elaborado
pela Controladoria Geral da União (CGU) apontou diversas
irregularidades na licitação, como a não comprovação de
publicação do processo licitatório em jornal de circulação da
região e direcionamento do resultado. Além disso, a prefeitura
exigiu no edital que os ônibus locados tivessem entre seis e dez
anos de fabricação, o que poderia prejudicar a segurança dos
alunos.
Transporte escolar - No
ano seguinte, em novo processo licitatório, a prefeitura firmou
novamente contrato com a Jomar Ltda. Mais uma vez, a CGU
detectou as mesmas irregularidades presentes no certame
anterior. Nesta licitação, ainda verificou-se a exigência do
modelo do automóvel, deixando claro o direcionamento do edital
para a contratação da referida empresa. Em 2003, foi firmado
outro contrato com a Jomar para a locação de sete ônibus e uma
Kombi. Apenas um mês após a assinatura do contrato, foi efetuado
um aditamento que aumentava para nove o número de ônibus e
acrescia 27% no valor de cada um deles. A alteração no preço,
além de não obedecer às regras de reajustes, representou mais
uma prova de fraude nas licitações. Por meio de análise
comparativa, a CGU demonstrou um superfaturamento dos valores
fixados nos contratos com a empresa.
A fraude em licitações se deu também no contrato para a
aquisição de combustível para os veículos de transporte escolar.
No ano de 2003, a CGU constatou que a prefeitura de Araçás
contratou a empresa Central Posto Ltda para o abastecimento dos
veículos sem quaisquer procedimento licitatório ou procedimento
de dispensa. Além disso, o consumo do combustível adquirido não
era controlado: a quantidade de combustível que a prefeitura
pagava era superior àquela que se estimava ser consumida.
Reforma – Também foram
apontadas ilegalidades na contratação de serviços para a reforma
do Colégio Municipal José Coelho Irmão. Todo o procedimento de
licitação envolvendo as obras na referida escola serviram apenas
para dissimular a contratação da empresa Benedito & Filha Ltda.
O certame não dispunha de cotação de preços nem projeto básico
que descrevesse a reforma. Verificou-se ainda que a empreiteira
Araçás Comércio e Representação De Materiais de Construção Ltda,
contratada para a execução da reforma, não passava de uma
empresa de fachada.
Pagamentos indevidos -
Como se não bastassem irregularidades em licitações, a CGU
identificou que a secretária de Educação do município à época,
Maria Goreth Rocha Coelho, nora do ex-prefeito, recebeu cerca de
sete mil reais em pagamentos de diárias com recursos do Fundef.
O secretário de Agricultura, Agamenon Oliveira Coelho, filho do
prefeito, também recebeu pagamentos referentes à locação de
imóveis para uso de salas de aula com os mesmos recursos. Todas
as despesas foram pagas sem qualquer documentação comprobatória
da necessidade de utilização da verba do fundo. O dinheiro
também foi empregado para cobrir o pagamento de cerca de R$ 19
mil à empresa Assessoria Contábil Pública e Privada Ltda, o que
constituiu desvio de finalidade, já que os recursos do Fundo
deveriam ser aplicados na manutenção e desenvolvimento do ensino
e na valorização do magistério.
De acordo com a ação, foram emitidos, nos exercícios de 2000 a
2004, cheques que representaram a saída de R$ 1 milhão, de forma
completamente irregular. O procurador da República Danilo
Pinheiro Dias, autor da ação, afirma que o uso das verbas do
Fundef resultou de certames fraudulentos, a fim de ocasionar o
enriquecimento ilícito dos envolvidos. “As constatações da CGU
tornam evidente que tais empresas faziam parte de um esquema de
fraudes, comandado pelo ex-prefeito para dilapidar os recursos
do Fundef em benefício de parentes e correligionários”, afirma.