Como resultado de cooperação entre
o Ministério Público Federal, Polícia Federal e CPI da Pedofilia
do Senado Federal, foi deflagrada no início da manhã de hoje, 18
de maio, a Operação Turko (anagrama de Orkut), na qual estão
sendo cumpridos 92 mandados de busca e apreensão em 21 estados,
em todas as regiões do país. Os mandados, cumpridos pela PF, são
contra 92 usuários do site de relacionamentos do Orkut que
utilizavam o recurso da restrição de acesso aos álbuns de
fotografia (álbuns fechados) para troca e divulgação de
pornografia infantil.
Esta é a primeira operação a ser executada após o acordo
realizado com o provedor Google, responsável pelo site, assinado
em julho de 2008. O procurador da República Sergio Suiama, o
senador Magno Malta, presidente da CPI da Pedofilia, e os
coordenadores da Operação Turko concedem hoje às 14h, no
edifício-sede da PF em Brasília, uma entrevista coletiva.
Os 92 usuários investigados foram identificados a partir das
denúncias encaminhadas por internautas brasileiros ao site
www.denunciar.org.br,
hotline conveniado ao MPF, mantido pela ONG SaferNet Brasil. A
quebra do sigilo dos conteúdos dos álbuns fechados foi feita
pela CPI da Pedofilia em abril do ano passado. À época, a filial
brasileira do Google criava dificuldades para cooperar com as
autoridades brasileiras em relação a crimes praticados no Orkut.
Após a intervenção da CPI, o Google entregou informações sobre
3,6 mil perfis denunciados. O MPF/SP, a SaferNet Brasil e os
assessores da CPI fizeram a triagem do conteúdo, e identificaram
aproximadamente 600 perfis com conteúdo criminoso. Mediante a
quebra do sigilo dos endereços de IP e do trabalho de campo da
Polícia Federal, foi possível identificar os endereços dos 92
alvos da operação.
A Polícia Federal organizou, em conjunto com o MPF, a logística
da operação, que ocorreu simultaneamente em 21 estados. Dos 92
mandados, 24 estão sendo cumpridos no estado de São Paulo.
Em novembro de 2008, o Congresso Nacional aprovou projeto de lei
da CPI, redigido com a colaboração do MPF/SP, aumentando as
penas para a produção e distribuição de pornografia infantil, e
criminalizando o assédio e o aliciamento online e a posse de
fotografias e imagens sexuais de crianças e jovens.
Desse modo, se durante o cumprimento dos mandados de busca, a PF
localizar material contendo pornografia infantil, seja em mídia
impressa ou nos computadores dos investigados, eles serão presos
em flagrante, podendo ser condenados, também pela posse, à pena
de um a quatro anos de prisão. Até as 10h30, duas pessoas haviam
sido presas. A pena para a distribuição de pornografia infantil
na internet é de três a seis anos de prisão, além de multa.
Atuação do MPF – Criado em 2003, o Grupo de
Combate a Crimes Cibernéticos do MPF/SP atua exclusivamente no
combate a crimes contra direitos humanos praticados pela
internet, mais especificamente a distribuição de pornografia
infantil e os crimes de ódio (racismo, neonazismo, xenofobia,
etc).
O grupo é pioneiro no combate a esse tipo de crime no Ministério
Público brasileiro. Foi o MPF/SP quem assinou, em julho de 2008,
o termo de ajustamento de conduta que pôs fim ao litígio
instaurado pela recusa da empresa Google Brasil de atender às
ordens judiciais das autoridades nacionais referentes ao Orkut.
Pelo acordo, a empresa se comprometeu a cumprir integralmente a
legislação brasileira e a encaminhar ao MPF/SP todos os casos
confirmados de pornografia infantil denunciados por usuários ou
identificados pelo próprio provedor. Em razão disso, nos anos de
2008 e 2009 já foram iniciadas no MPF/SP 2.668 investigações
relacionadas à distribuição de pornografia infantil (1975 em
2008 e 693 de 1 de janeiro até 15 de maio deste ano). Cerca de
90% desses casos são do Orkut.
Além das atividades de investigação criminal, o MPF/SP também é
engajado em atividades de prevenção, dirigidas à educação para o
uso ético e seguro da internet. Os procuradores do grupo
realizam oficinas para professores da rede pública e privada, e
fizeram, em conjunto com a ONG SaferNet, as atividades no Brasil
do “Dia
Mundial da Internet Segura”, ocorrido em 10 de
fevereiro.
Desde a criação do grupo, já foram abertas na Justiça Federal da
capital de São Paulo 19 ações criminais pelo crime previsto no
artigo 241 do Estatuto da Criança e do Adolescente. Desses 19
processos, cinco já resultaram em condenações de primeira
instância e outros 11 seguem tramitando na Justiça Federal de
São Paulo. Em dois casos houve declinação de competência
(transferência do processo para a Justiça Estadual) e um caso
foi arquivado.