Dezesseis pessoas foram presas na operação Jaleco Branco da Polícia Federal (PF), em Salvador. Elas embarcaram hoje (22) para Brasília. Todas são acusadas de envolvimento em licitações públicas fraudulentas. Cerca de duzentos policiais federais de Brasília, Maceió e Salvador participaram da operação, que cumpriu 16 dos 18 mandados prisão expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
O ex-deputado estadual e ex-presidente do Bahia, Marcelo Guimarães, foi preso em casa, num condomínio de luxo no Horto Florestal e levado para sede da PF, no bairro de Água de Meninos, para onde também foram encaminhadas as outras pessoas detidas na operação. Entre elas estão o ex-procurador geral do Estado, Francisco Borges, o presidente do Tribunal de Contas do Estado, Antônio Honorato, a procuradora geral da Universidade Federal da Bahia, Anna Guiomar, funcionários do INSS, da Receita Federal e das secretarias Estadual e Municipal de Saúde, além de empresários.
As investigações da PF apontam que empresas de prestação de serviços nas áreas de limpeza, conservação e segurança estariam fraudando licitações públicas com a ajuda de servidores estaduais, municipais e federais. Segundo a polícia, a fraude acontecia há mais de dez anos. Os envolvidos são acusados de superfaturamento em contratos, formação de cartel e utilização de empresas de fachada.
Em uma entrevista coletiva, em que não é permitida a entrada de fotógrafos e cinegrafistas, os delegados da Polícia Federal explicaram como funcionava o esquema. Segundo a polícia, a fraude acontecia principalmente na Secretaria de Administração de Salvador, na Secretaria Estadual de Saúde e na Universidade Federal da Bahia. Os empresários combinavam preços para ganhar concorrências públicas e para garantir contratos em situações emergenciais, quando a licitação é dispensada.
O esquema também envolvia funcionários do INSS e da Receita Federal que emitiam certidões negativas de débito falsificadas para as 25 empresas suspeitas de envolvimento. Durante todo o dia, advogados dos acusados estiveram na Polícia Federal. Além das prisões, a PF apreendeu documentos, computadores e dezoito carros de luxo.