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Washington - O presidente dos Estados Unidos,
Barack Obama, começou nesta quinta-feira a promover mudanças na política
norte-americana em relação ao terrorismo internacional, determinando o
fechamento da prisão militar de
Guantánamo em até um ano, uma de suas promessas
de campanha, e proibindo práticas de tortura durante os interrogatórios dos
suspeitos.
"A mensagem que estamos enviando ao mundo é que os Estados Unidos querem seguir
adiante na luta contra a violência e o terrorismo de maneira vigilante e
efetiva, mas consistente com nossos valores e ideais", explicou Obama.
A ordem presidencial foi assinada durante uma cerimônia na Casa Branca, na
presença de dezenas de fotógrafos e transmitida por emissoras via cabo. O
presidente afirmou que com a medida, "rejeitamos e consideramos errada a idéia
de opção entre segurança e ideais".
Segundo a ordem de Obama, o campo de detenção de Guantánamo, base militar
construída mediante um tratado entre os Estados Unidos e o ditador cubano
Fulgencio Batista que abriga cerca de 245 acusados de vínculo com grupos
terroristas, deverá ser fechado em um ano.
Além do plano de fechamento da base militar e da nova política adotada em
relação às denúncias de tortura, Obama assinou também um documento que paralisa
por quatro meses os julgamentos de todos os acusados de terrorismo para revisão
dos processos.
Guantánamo e as denúncias de violação dos direitos humanos foram dois dos mais
contundentes símbolos de abuso do governo do ex-presidente George W. Bush, que
determinou uma forte campanha contra o terrorismo, a chamada Guerra contra o
Terror, após os ataques contra o Pentágono e as duas torres do World Trade
Center, em Nova York, em 11 de setembro de 2001.
Os Estados Unidos contavam com amplo apoio internacional quando foi lançada a
ofensiva contra o Afeganistão, onde se refugiavam os chefes do grupo terrorista
Al-Qaeda, considerada responsável pelos atentados de 2001.
Em seguida, porém, a política interna americana foi gradativamente concedendo
uma ampliação da influência dos poderes de vigilância internos nas forças de
segurança nacionais e Bush obteve respaldo para a controvertida invasão ao
Iraque, em 2003.
As denúncias de torturas aplicadas durante os interrogatórios de suspeitos
detidos pelas forças norte-americanas e o limbo judicial no qual são mantidos os
prisioneiros de Guantánamo comprometeram a imagem dos Estados Unidos perante a
comunidade internacional.
Entre os primeiros passos dados hoje, Obama ainda pediu ao Ministério da Justiça
que revise a situação judicial do catariano Ali al-Marri, o único "combatente
inimigo" preso em território norte-americano, numa prisão militar na Carolina do
Norte.
O documento pede que sejam apuradas as possibilidades do catariano de promover
ações legais contra autoridades norte-americanas, um direito garantido pela
Suprema Corte aos detidos na prisão em Cuba.
A ordem sobre Guantánamo pede a um grupo de funcionários que avalie formas de
"reinstalar todos os detidos antes de fechar definitivamente a prisão". O plano
é que alguns prisioneiros sejam transferidos para prisões em território
norte-americano, enquanto outros serão custodiados por seus próprios países ou
enviados a prisões em países voluntários e alguns, liberados.
Já o mandado a respeito das técnicas de interrogatório de suspeitos busca
garantir que esses prisioneiros que sejam transferidos "não enfrentem torturas
ou tratamento cruel" nos países que os acolherem. |
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou esta quarta-feira, primeiro dia do seu mandato, um "congelamento dos salários" dos seus colaboradores mais próximos na Casa Branca e restrições à actividade de grupos de pressão. "Neste momento de dificuldades económicas, as famílias americanas são obrigadas a apertar o cinto, é também o que Washington deve fazer, é por isso que determino um congelamento dos salários dos meus principais colaboradores na Casa Branca", afirmou Barack Obama num discurso perante os membros da sua administração. "Algumas das pessoas presentes nesta sala vão ser atingidas por esse congelamento de salários, e quero que saibam que aprecio a vossa boa vontade", adiantou Obama. Empenhado em marcar uma mudança de estilo desde a primeira hora de mandato, o novo presidente dos Estados Unidos anunciou também que funcionários da sua administração que deixem o serviço público ficarão proibidos de passarem a trabalhar para grupos de pressão com contactos com a Casa Branca. "A partir de hoje, os membros de grupos de pressão serão sujeitos a limites mais apertados que os que existiram em qualquer outra administração", afirmou Barack Obama. "Um antigo membro de um grupo de pressão que entre ao serviço desta administração não poderá trabalhar sobre assuntos ou para um departamento com os quais possa ter estado relacionado durante os últimos dois anos. Depois de deixar a função pública, (um ex-funcionário) não terá o direito de exercer funções em grupos de pressão junto da administração enquanto eu for presidente", adiantou o 44º presidente dos Estados Unidos na comunicação aos funcionários da Casa Branca. |
Brasília - Em frente a 2 milhões de pessoas, o democrata Barack Hussein Obama, 47 anos, tomou posse como o 44º presidente dos Estados Unidos da América. Após fazer o juramento de 35 palavras sobre a mesma Bíblia usada por Abraham Lincoln, que comandou a nação de 1861 a 1865, o novo presidente, em discurso de 20 minutos, ressaltou a necessidade de os EUA mudarem sua relação com outros países e nações.
"Viemos proclamar o fim das discussões mesquinhas e falsas promessas que impediram de funcionarmos melhor. Chegou a hora de deixarmos de lado diferenças infantis", afirmou Obama. Segundo o democrata, os norte-americanos não podem ficar indiferentes com os "sofrimentos além fronteira". "O mundo mudou, precisamos mudar com ele."
Ele disse também que é preciso estender a mão às nações mais pobres e ajudar quem estiver disposto a ser ajudado. "Faremos isso para que as plantações floresçam, os rios tenham águas limpas", discursou. Obama disse que o mundo exige uma nova era de responsabilidade dos EUA, e que o país tem obrigações "a nós mesmos e ao mundo".
Crise
No começo de seu discurso, Obama disse que aceitava a tarefa de conduzir os Estados Unidos durante a maior crise econômica dos últimos anos com humildade. Ele agradeceu ao ex-presidente George W. Bush pelo serviço prestado à nação, "bem como à generosidade e à cooperação dada durante a transição".
Mas o novo presidente não deixou de fazer críticas à administração passada por deixar os EUA entrarem na crise, que depois se alastrou pelo mundo inteiro. "Estamos no meio de uma crise que é conseqüência da ganância e do fracasso de alguns. Mas nós escolhemos mal alguns caminhos", disse Obama.
Ele comentou que a atual situação econômica pode crescer se os norte-americanos não "ficarem de olho". "O sucesso da nossa economia é o alcance que ela tem", opinou. "Hoje eu digo a vocês que os desafios são reais. Eles não serão enfrentados em pouco tempo, mas serão enfrentados."
O democrata deu pistas de como ele e sua equipe pretendem enfrentar a crise. Obama disse que a ação do novo governo não será concentrada apenas em criar novos empregos. A idéia, de acordo com o presidente dos EUA, é gerar uma "nova fundação para o crescimento". "Vamos construir pontes, estradas. Vamos investir na ciência, trazer as maravilhas da tecnlogia para perto. Vamos usar o vento e o sol para abastecer nossos carros. Queremos atender as demandas de uma nova era", discursou.
Emoção
Ao entrar no púpito do Capitólio, em Washington, Obama foi saudado pela multidão de 2 milhões de pessoas com muita festa. O público presente superou o recorde anterior, do democrata Lyndon Johnson, em 1965. Durante seu discurso, citou várias vezes os fundadores do país e o fato de terem escrito a constituição norte-americana em um "pedaço de papel".
"Nossos pais fundadores passaram por perigos que nem podemos imaginar. Em um inverno rigoroso, com a neve suja de sangue, eles escreveram nossa declaração de independência", disse. "Estamos prontos para liderar mais uma vez. Vamos trabalhar incessamente contra as ameaças globais. Mas não vamos nos desculpar pelo nosso estilo de vida, nosso espírito é mais forte, não pode ser quebrado", adiantou. |
Brasília - Caso cumpra suas promessas de campanha, o novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que toma posse hoje (20), adotará uma “diplomacia ativa” na América Latina desde seu primeiro dia de mandato. “George Bush nas Américas foi negligente com nossos amigos, ineficaz com os adversários, desinteressado dos problemas que importam aos latino-americanos e incapaz de avançar nos interesses da região”, dizia Obama em seu site de campanha. Ao menos no discurso, o novo governo norte-americano promete outra postura em relação ao continente. A proposta é de uma diplomacia ativa, mas voltada à cooperação.
“Hillary Clinton tem usado uma expressão interessante. Diz que os Estados Unidos, em vez de apresentarem receitas prontas para serem implementadas na região, querem uma cooperação que seja a partir de um diálogo em que sejam identificadas as aspirações dos povos latino-americanos”, resume o embaixador do Brasil em Washington, Antonio Patriota. “Eles tomaram cuidado em reconhecer que existe uma base sólida para que as relações sejam ampliadas e aprofundadas”, ressalta.
Antecessor de Patriota em Washington, o embaixador Roberto Abdenur também aposta em um novo patamar de relações com a América Latina e o resto do mundo. “Em seus discursos de campanha, Obama deu claramente a mensagem de que procederia uma radical correção de rumos na política externa em geral”, avalia.
No caso da América Latina, Abdenur ressalta a perda de influência dos Estados Unidos na região até mesmo antes do governo de George W. Bush. Primeiro, porque os interesses prioritários se concentraram em outras partes do mundo, sobretudo no Oriente Médio. Segundo, devido a “efervescências políticas” que não podem ser controladas ou influenciadas pelos Estados Unidos. Como exemplo, ele cita a Venezuela, a Bolívia, o Equador, a Nicarágua e o Paraguai. “Os Estados Unidos, hoje, não têm mais, a meu ver, condições de exercer a liderança na América Latina”, acredita Abdenur.
Na sua avaliação, foi inadequado o título do principal pronunciamento de Barack Obama sobre a América Latina: Renovando a liderança norte-americana nas Américas. “Com todo o respeito e com os bons votos que dedico ao Obama, acho que esta não é a colocação mais feliz porque o que é preciso, da parte dos Estados Unidos, é um olhar diferente para a América Latina, muito mais matizado, com muito comedimento, com o esforço de buscar o diálogo mesmo com regimes hostis, e procurar buscar linhas de cooperação com a região que atendam a problemas profundos sem interferir indevidamente nos processos políticos”, avalia. “Terão de buscar uma nova receita, uma nova postura em relação à região”, reitera.
Em seu site de campanha, Barack Obama reconhece que a região mudou e diz que os Estados Unidos não acompanharam tal mudança. “Em vez de oferecer uma visão que compita com a de demagogos como Hugo Chávez, cruzamos os braços”, diz a página oficial do novo presidente.
Pelo programa de governo apresentado durante a campanha, o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos proporá uma aliança regional, já batizada de Sociedade Energética das Américas, para o planejamento de estratégias conjuntas visando ao crescimento sustentável e à energia limpa. Nesse sentido, promete aumentar os investimentos em recursos energéticos alternativos na América Latina, como as energias aeólica e solar e os biocombustíveis.
Obama também pretende lançar uma iniciativa conjunta na área de segurança. A idéia é fomentar a cooperação regional no combate ao narcotráfico. Para isso promete, inclusive, apoiar o desenvolvimento de instituições policiais e judiciais independentes e “capazes”.
O novo presidente da maior economia do planeta se propõe a manter relações diplomáticas com todos os líderes da região, “tanto amigos quanto inimigos” e já demonstrou que pretende flexibilizar o bloqueio econômico imposto a Cuba há 50 anos. Ele garantiu que autorizará remessas e viagens irrestritas de cubanos que moram nos Estados Unidos à ilha e relaxará a ajuda exterior ao país, mas impôs condições como a liberação de todos os presos políticos. Obama garantiu ainda que adotará uma diplomacia bilateral “energética e de princípios”. |