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27/11/06 - Sitepopular

Ministério Público lança campanha de
combate ao nepotismo no serviço público

 

“O serviço público não é prolongamento do círculo familiar, onde existe uma relação de afeto e gradação de interesses, é pois o contrário, onde deve prevalecer uma atuação voltada aos interesses gerais, através de atos impessoais”. Desta forma, a coordenadora do Grupo de Atuação Especial de Defesa do Patrimônio Público e da Moralidade Administrativa (Gepam), promotora de Justiça Rita Tourinho, apresentou a campanha 'Diga não ao nepotismo' em entrevista coletiva realizada hoje, dia 27, no Ministério Público estadual. A partir de amanhã, segundo informou o procurador-geral de Justiça Lidivaldo Reaiche Britto, que lançou a campanha, será enviado aos promotores de Justiça um documento para que eles recomendem aos prefeitos e presidentes de Câmara de Vereadores a “imediata exoneração” dos servidores que exercem cargos de confiança e que guardem parentesco de até terceiro grau com o chefe ou vice-chefe do Executivo, secretários municipais, membros da Casa Legislativa e dirigentes dos órgãos da Administração Pública Indireta. O PGJ enviará a recomendação ao governador do Estado, presidente da Assembléia Legislativa e presidentes dos tribunais de contas do Estado e dos Municípios.

Segundo explicou Lidivaldo Britto, após receberem a recomendação, os gestores públicos terão o prazo de, no máximo, 45 dias para providenciarem a exoneração. Caso a determinação não seja cumprida, esclareceu Rita Tourinho, o infrator poderá ser alvo de Ação Civil Pública por Ato de Improbidade Administrativa, o que pode acarretar em perda de função pública, suspensão dos direitos políticos, multa civil, dentre outros. Para que os cidadãos baianos também sejam parte ativa do processo de combate ao nepotismo, o PGJ lançou ainda o número 0800-286-0606 e o endereço denuncianepotismo@mp.ba.gov.br, para recebimento de denúncias. Na coletiva, Rita Tourinho informou que em municípios do Interior já existem coibições à prática, como exemplo em Olindina onde há uma investigação em curso. A ação do MP, segundo esclareceu Lidivaldo Britto, está pautada no artigo 37 da Constituição Federal, que determina a impessoalidade e a moralidade como preceitos da administração pública. Ele salientou ainda que “neste processo de combate à prática nefasta ao serviço público”, há também a previsão do combate ao nepotismo cruzado, quando há reciprocidade de contratação em órgãos públicos.

O Ministério Público foi o primeiro órgão do Estado a combater a prática do nepotismo, segundo informou o PGJ. Em 2002, o então PGJ Achiles Siquara baixou um ato proibindo a nomeação de parentes e em seguida foi aprovada uma lei na qual este tipo de contratação foi vedada no MP. De acordo com Lidivaldo, “esta é a única lei estadual que veda a prática do nepotismo”, fato que determinou a exoneração de sete servidores da instituição. O chefe atual lembrou ainda que, no Planejamento Estratégico do MP, existe a determinação de combate às contratações irregulares no serviço público, fato que tem determinado a realização de concursos públicos em alguns municípios. A campanha lançada hoje teve a participação efetiva do Gepam, composto por Rita Tourinho, Célia Boaventura e Heliete Viana, que redigiram a recomendação. Também participaram do lançamento o procurador-geral de Justiça adjunto, Hermenegildo Queiroz; o corregedor-geral, Washington Carigé; a presidente da Ampeb, Norma Angélica Cavalcante; e outros promotores de Justiça.

 
 
 

Sitepopular / com informações do MP-BA