|
Embora se intitule "sem-terra", o Movimento de
Libertação dos Sem-Terra (MLST) aluga uma casa no metro
quadrado que está entre os mais caros do Brasil.
A
sede do MLST, que se confunde com a da Associação
Nacional de Apoio à Reforma Agrária (Anara), fica em um
sobrado de Brasília que está avaliado em R$ 280 mil. A
casa localizada no Guará I – uma das cidades do entorno
brasiliense mais próximas do Plano Piloto – impressiona
pelo tamanho: tem três andares e ocupa um terreno 200
metros quadrados. Segundo a imobiliária responsável pelo
imóvel, o valor do aluguel é de R$ 1,4 mil.
Uma funcionária da empresa, que não quis se identificar,
informa que a imobiliária desconhecia o uso do imóvel
como sede do MLST e da Anara. "A casa está alugada em
nome de uma pessoa física e nunca tivemos problemas com
eles. Para nós, lá era uma residência normal. Só depois
da confusão é que ouvimos dizer que ela estava sendo
usada como sede do MLST", explica. A funcionária ainda
afirma que o pagamento do aluguel nunca atrasou, mas não
quis informar o nome da pessoa que assina o contrato.
A secretária nacional do MLST, Gladis Rossi, mora na
casa, que é sede da ANARA em Brasília, com sua família.
No entanto, a militante afirma que quem paga o aluguel
do endereço é o MLST. Além de abrigar Gladis, sua
mãe, marido e filha, a casa também recebe militantes do
movimento que vêm à Brasília para conhecer a cidade e
participar de manifestações.
A imobiliária não revelou desde quando a casa está
alugada pelos atuais inquilinos. No entanto, segundo o
Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) da Receita
Federal, o imóvel é sede da Anara, no mínimo, desde
novembro de 2005. Sendo assim, estima-se que o movimento
tenha gasto nos últimos seis meses quase R$ 8,5 mil para
pagamento do aluguel da casa em Brasília.
Nos empenhos retirados do Sistema Integrado de
Administração Financeira (Siafi), no entanto, a casa que
consta como sede da Anara fica em um endereço diferente
do indicado pelos representantes do movimento e pela
Receita Federal. A equipe do Contas Abertas também
esteve no local apresentado no Siafi. A moradora da casa
informou que vive no imóvel desde 1969 e não tem
qualquer tipo de relação com o MLST.
Assim, se considerarmos que houve um erro no registro da
informação no Siafi, e não má fé dos dirigentes da Anara,
pode-se dizer que a casa que serve de sede ao MLST e
à associação em Brasília é ocupada pelo movimento, no
mínimo, desde dezembro de 2003, como consta no sistema
financeiro do governo. Isso corresponde a mais de 30
meses de aluguel. Esse tempo de ocupação multiplicado
pelo valor atual da locação totaliza um gasto superior a
R$ 43 mil, para os cofres do movimento que se diz
sem-terra.
O valor do imóvel em Brasília
Brasília é dona de um dos metros quadrados mais caros do
país. A boa qualidade de vida e o alto poder aquisitivo
de parte da população são algumas justificativas para os
altos preços dos imóveis. "Com o valor que você compra
um apartamento de dois quartos aqui, é possível adquirir
um imóvel maravilhoso em algum dos melhores bairros de
Goiânia, por exemplo", afirma a colunista do site
especializado em decoração e imóveis ParaDecorar,
Fabiana Araújo.
Os preços mais altos de aluguel de imóveis estão
concentrados no Plano Piloto. Esses valores acabam
contaminando as outras regiões do Distrito Federal. No
caso do Guará – cidade do entorno onde fica a sede da
Anara e do MLST - os preços praticados são um pouco mais
em conta do que em outros locais mais próximos do centro
de Brasília. Mesmo assim, ainda estão entre os maiores
do Brasil. "Sem dúvida, o Guará é uma opção para quem
busca algo em conta e mais perto do Plano Piloto",
afirma Fabiana.
Caroline Olinda
Do Contas Abertas
|