Guayana (Venezuela) e Brasília - Ao participar
do ato de inauguração da segunda Ponte sobre o Rio Orinoco, na cidade de
Guayana, na Venezuela, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que em
seu próximo mandato vai trabalhar com muito “mais força” e com muito “mais
ousadia” para consolidar a integração dos países da América Latina.
“Todos nós presidentes dos países da América do Sul e da América Latina
precisamos trabalhar a integração como jamais trabalhamos. Temos que fazer
uma interligação entre nossas estradas, temos de construir as ferrovias que
precisam ser construídas, as empresas de petróleo de nossos países precisam
trabalhar juntas, o Brasil precisa da Venezuela e a Venezuela precisa do
Brasil”, ressaltou.
Em sua primeira viagem internacional após a reeleição, Lula também comentou
a eleição local, marcada para o dia 3 de dezembro. Assim como seu colega
brasileiro, o venezuelano Hugo Chávez tenta a reeleição. A diferença é que
na Venezuela o mandato presidencial é de seis anos.
"Sei que aqui, como no Brasil, somos vítimas de pessoas que governaram o
país durante séculos e séculos, e não aceitam que alguém que queira cuidar
do povo e seja diferente governe", discursou Lula. "Para muita gente, pobre
é apenas um número estatístico. Para nós, não, é um ser humano."
Lula disse acreditar que, apesar dos interesses em contrário das elites
locais, o "mesmo povo" que lhe elegeu e que elegeu o presidente Nestor
Kirchner na Argentina e Evo Morales na Bolívia, vão reeleger Chávez. “Eu não
tenho dúvida que aqui na Venezuela havia muitos e muitos anos que não tinha
um governo que se preocupasse com a gente pobre como tu tem te preocupado”,
disse Lula.
Sobre a relação entre os dois presidentes, Lula deixou um recado a Chávez.
“Não se incomode. De vez em quando tentam fazer intrigas entre nós, tentam
criar divergências entre nós. Mas eu aprendi desde pequeno a conhecer as
pessoas boas não apenas pelas palavras, mas pelos olhos e pelo coração, e eu
acho que você, Chavéz, demonstrou ao povo da Venezuela de que é possível
crescer economicamente fazendo justiça social, de que é possível desenvolver
a economia de forma justa para que todos participem dela”, finalizou.
A segunda ponte sobre o Rio Orinoco, construída pela empreiteira brasileira
Odebrecht, vai integrar o corredor de transportes que facilitará o acesso às
regiões central e oriental da Venezuela e ligará as cidades de Boa Vista, em
Roraima, e Manaus, no Amazonas, com o mar do Caribe.
Com a obra, há a expectativa de expansão do comércio bilateral entre Brasil
e Venezuela, que ultrapassou US$ 3 bilhões de janeiro a setembro deste ano.
Ao falar à imprensa, Lula justificou a continuidade da obra no período
eleitoral venezuelano. “Não posso parar a administração do Estado por causa
de uma campanha. Estou muito feliz. Vai permitir que nós aqui da América do
Sul acompanhemos os europeus. A integração, a exemplo da União Européia.” |