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Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
afirmou hoje (17) que o encontro de líderes do G20 financeiro – que reuniu
chefes de Estado e de governo de 19 grandes economias desenvolvidas e emergentes
no último sábado (15), em Washington – muda a lógica das decisões políticas no
mundo. Em seu programa semanal Café com o Presidente, ele destacou que não mais
o G8 mas o G20 ganha papel de destaque nas negociações internacionais.
“Isso foi unânime na boca de todos os líderes. A correlação da política mundial
hoje precisa ter a participação não apenas dos países mais ricos do mundo, mas
dos países emergentes, dos países em vias de desenvolvimento, que têm uma grande
população. Eu acho que nós encontramos um caminho para evitar que aconteça
novamente o que aconteceu com a crise financeira”, disse.
Lula lembrou que esta foi a primeira vez que 20 lideranças de países que
representam mais de 85% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial se reuniram para
discutir uma crise econômica que teve início no setor financeiro nos Estados
Unidos, que se espalhou pela Europa e que já começou a ser sentida em diversos
outros países por causa do crédito.
Para o presidente, a reunião do G20 representa um passo “extremamente decisivo”
para aumentar a representatividade dos fóruns internacionais. “O mais importante
que conheci nas últimas décadas”, disse Lula.
“Finalmente, todos os países se colocaram de acordo de que precisamos tomar
decisões coletivas para evitar que uma tomada de posição em um país possa
prejudicar outro. Daí a necessidade de trabalharmos coletivamente.”
Lula reforçou ainda o compromisso firmado durante o encontro de, até o final
deste ano, retomar as negociações da Rodada Doha. Para ele, um acordo sobre o
tema é um sinal importante para que o mundo saiba que os dirigentes políticos
estão agindo com responsabilidade, preocupados e tomando decisões.
“Essa reunião foi um marco na história do século 21. Saí de lá convencido de que
participei da reunião mais importante entre líderes de países, entre tantas que
já fiz. E mais importante ainda: todos estavam convencidos de que precisamos
trabalhar juntos daqui para a frente. Na hora de tomar as grandes decisões, o
G-20 se transformou em um fórum importante. Daí a minha crença de que estamos no
caminho certo para debelar essa crise e para evitar outras.” |
Roma - No encontro que teve hoje (13) com o papa Bento XVI, no Vaticano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu que o pontífice incluísse
a questão da crise financeiro mundial em seus pronunciamentos.
“Eu pedi ao papa que nos seus pronunciamentos ele fale da crise econômica, pois se todo o domingo o papa der um 'conselhozinho' quem sabe a gente encontra mais facilidade para resolver o problema", disse o presidente.
“Falamos da crise econômica. Eu contei para ele que eu vou para os Estados Unidos discutir a crise econômica. Eu disse a ele que em todas essas crises o que me preocupa é que o empresário pode perder um pouco, mas vai continuar sendo empresário, vai continuar rico, ou seja, os setores mais avançados da sociedade que ganham mais vão perder um pouco, mas continuarão comendo e bebendo, jantando e almoçando. A minha preocupação é sempre com os mais pobres. A minha preocupação é que a crise não resulte no empobrecimento daqueles que já são pobres. Sobretudo olhando para os países de menores economias, olhando para os países africanos”, disse Lula.
De acordo com Lula, o papa disse que também considera a crise grave.
O encontro reservado de Lula com o Bento XVI durou 24 minutos e ocorreu na biblioteca, em uma sala utilizada normalmente para receber chefes de Estado.
O presidente disse ter ficado surpreso com o nível de informações que o papa demonstrou ter do Brasil. “Eu fui surpreendido, porque ele está muito bem informado sobre o Brasil. Ela sabia do programa Luz para Todos, ele sabia das políticas do Brasil com a África e sobre o Bolsa Família. Obviamente que o Brasil sempre trabalhou e sempre trabalhará para que a gente tenha uma boa relação com todos os papas e com o Estado do Vaticano, até porque, a relação da Igreja com o Brasil é indissociável”, disse o presidente.
Após o encontro reservado com Lula, o papa cumprimentou a primeira-dama, Marisa Letícia, e os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Nelson Jobim (Defesa) e Celso Amorim (Relações Exteriores). Em seguida, representantes do governo brasileiro e do Vaticano assinaram acordo que ratifica normas já previstas na legislação brasileira da atuação de religiosos no país.
Os dois chefes de Estado também trocaram presentes. Lula deu ao papa uma escultura de barro do artesanato pernambucano. A escultura representa uma família de retirantes nordestinos. O papa deu a Lula uma caneta e também presenteou as mulheres com um terço e os homens com um medalha do pontifício.
Lula disse ter achado o papa um homem afável. “O papa é uma figura surpreendente, porque a imagem que ele passava na televisão, antes de ir ao Brasil, era uma imagem de um homem sisudo, de poucos amigos. Quando ele chegou ao Brasil, era um homem afável, acho que ele conquistou o Brasil e o Brasil o conquistou”, disse o presidente.
Logo depois do encontro com o papa, Lula se reuniu com o cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado do Vaticano.
Essa é a segunda vez que Lula se encontra com Bento XVI. Em maio do ano passado, em São Paulo, os dois conversaram. Na ocasião, Bento XVI participou da 5ª Conferência Episcopal da América Latina e Caribe, realizada em Aparecida. |