|
São Paulo - O designer Gabriel Paciornik
trocou, há 12 anos, Curitiba por Ramat Gan, um bairro ao lado de Tel-Aviv,
cidade que é o principal centro econômico de Israel, para cursar a
faculdade. "Fiquei em Israel por um conjunto de coisas: trabalho, estudos,
qualidade de vida", contou com exclusividade à Agência Brasil graças a um
programa de conversas instantâneas. Mesmo estando longe do conflito da Faixa
de Gaza, Gabriel sente os impactos em sua região e descreve como está a
situação: "As pessoas não estão nas ruas. Todas as instituições de ensino
estão fechadas, desde jardins de infância às faculdades. Quem tem criança
pequena, tem saído para casas de parentes e amigos fora da região".
Apesar dos riscos das bombas, o designer
considera o país que escolheu para viver mais seguro do que o país em
que nasceu. "Até nestas épocas de conflito, acho que é mais seguro andar
aqui do que no Brasil", explica. Gabriel conta que não tem medo de sair
na rua de madrugada e que anda de bicicleta com frequência. "Nunca vi
assalto aqui. Nestes termos, Israel é mais seguro que o Rio de
Janeiro",
diz. "Esta situação (dos ataques) existe há oito anos, a diferença é que
somente agora a imprensa noticia", ressalta.
O brasileiro explica que em todo o país existem abrigos com parede dupla
de concreto. "Toda vez que é detectada uma bomba, soa um alarme. As
pessoas têm de 15 a 30 segundos para ir para o seu abrigo", fala.
Segundo Gabriel, todos os prédios construídos desde 1980 têm esses
esconderijos. Quem mora em um prédio mais antigo procura os abrigos
coletivos, que em época de paz funcionam como centros de convivência e
esportes para crianças e adolescentes. "Alguns abrigos são equipados com
camas e todas as facilidades para abrigar as pessoas por mais tempo,
caso seja necessário", diz.
Até o momento, o fornecimento de luz e água em sua cidade não foi
afetado. "Mas o comércio está limitado e os transportes públicos não
funcionam. Recomenda-se ficar em casa", comenta. O sistema de
telecomunicações de Israel também foi mantido: "As pessoas se ligam
quando há bombas, para checar se amigos e familiares estão bem. A
internet funciona normalmente".
Correspondente da TV Record no Oriente Médio, o jornalista brasileiro
Herbert Moraes mora perto do conflito – a cidade de Sderot, que fica a
três quilômetros de Gaza. À Agência Brasil, Moraes afirmou que tem
observado os ataques de longe, já que os jornalistas estão proibidos de
entrar na região. "Há uma frustração grande dos jornalistas, pois
estamos assistindo tudo como quem vê em um telão. Quem está aqui, está
acostumado a este tipo de cobertura e sabe se cuidar. Isto é uma
censura", acredita.
Para a assessora da presidência da Federação de Entidades Árabes da
América (Fearab), Claude Fahd Hajjar, a paz na região não é impossível.
"Estes ataques têm interesses econômicos, pois a região é rica em
petróleo e gás. O que os governantes precisam decidir é se a paz serve
para alguma coisa, se interessa ou não", diz. Hajjar lembra que o Brasil
tem um papel de destaque no cenário do Oriente Médio. "O Brasil é
simpático à causa árabe desde D. Pedro II. Lula sempre se propôs a
ajudar os países da região a buscar a paz", afirma.
Para o presidente executivo da Federação Israelita de São Paulo, Ricardo
Berkiensztat, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode colaborar com
as negociações em Gaza. "O Brasil é lider do continente sul-americano e
o presidente tem a paz como pilar político. A opinião do Brasil é
importante, pois o chanceler Osvaldo Aranha votou a favor da criação do
Estado de Israel na época de sua criação, nos anos 1940", diz.
|