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23/11/2009 - Sitepopular / Do Congresso em Foco

Sobrevivente de holocausto protesta contra Ahmadinejad

Foto: ABR - Protesto contra o presidente do Irã em Brasília

Em sua primeira visita ao Brasil, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, será recebido com protesto também no Congresso, depois das manifestações já registradas ontem (22) em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo. Ao menos dois simbólicos manifestantes já estão de prontidão na entrada do Salão Negro da Casa – por onde são recebidos, com direito a tapete vermelho, chefes de Estado: o deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), seguidor do sionismo (ideologia judaica), e um sobrevivente do holocausto, o polonês Ben Abraham.

“É muito lamentável. Isso demonstra que interesses econômicos estão acima da moral. Uma coisa que foge de meu entendimento, da minha imaginação, é que um presidente democrático como Lula receba esse homem aqui”, disse Ben ao Congresso em Foco, em uma cadeira de rodas conduzida por sua esposa.

Presidente da Associação Brasileira de Sobreviventes do Nazismo (e vice do braço internacional da entidade), Ben disse que já passou por campos de concentração como o de Auschwitz, localizado ao sul da Polônia, antes de chegar ao Brasil, em 21 de janeiro de 1955.
 
Ele diz estar “desiludido” com o presidente Lula. “Ele sempre mostrou suas ascendências e suas posturas democráticas, e agora vai receber um homem que desmente todas essas atrocidades, sendo que até hoje existem sobreviventes do nazismo, como eu”, disse o polonês.

Entre outras declarações polêmicas – contra homossexuais e evangélicos, por exemplo –, Ahmadinejad negou por mais de uma vez a existência do holocausto, quando milhões de judeus morreram devido à ação do regime anti-semita instalado pelo nazismo alemão. A mais recente foi em discurso antes de seu sermão semanal de 18 de setembro, quando disse que “o regime sionista é um símbolo de mentiras e decepção, que se baseia em atitudes colonialistas”.

“Vim demonstrar o repúdio não somente da comunidade judaica, mas também das outras comunidades e outras associações e outras religiões, como a evangélica, bem como os homossexuais”, emendou Ben, dizendo-se porta-voz de uma “revolta” contra a visita do líder iraniano. “É a única maneira [de protesto] que nós podemos fazer, nós não somos violentos, nossas manifestações transcorreram pacificamente, mas demonstramos a nossa revolta.”

Punição

Autor de um projeto de lei que pune quem negar a existência de crimes contra a humanidade, entre eles o holocausto e a escravidão, Marcelo Itagiba também criticou a visita de Ahmadinejad.

“É desnecessária, uma péssima companhia para o Brasil. Pessoas que não respeitam os direitos humanos, os direitos fundamentais, que negam o holocausto e propugnam a plena extinção do Estado de Israel não merecem ser recebidas no Brasil”, disse o deputado à reportagem, antes de fazer, na tribuna da Câmara, um pronunciamento contra a visita do presidente do Irã ao Brasil.

Se depender de Itagiba, seu projeto terá tramitação rápida na Casa. “Estamos todos aqui imbuídos de aprovar essa lei, porque ela não apenas criminaliza quem nega o holocausto, mas criminaliza que também nega outros crimes praticados contra a humanidade, com o objetivo de disseminar o ódio e a discriminação.”

 

23/11/2009 - Sitepopular

 

Polícia Legislativa reforça segurança para visita de presidente do Irã ao Congresso

 

Brasília - O esquema rigoroso de segurança para a visita que o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, fará ao Senado hoje (23) não fugiu à regra dos outros lugares por Protesto na visita do Presidente do Irã,  Mahmoud Ahmadinejad - Foto G1onde passará. A Polícia Legislativa suspendeu as visitações públicas durante todo o dia e solicitou aos gabinetes dos senadores que não façam o agendamentos de audiências para evitar a circulação de pessoas na Casa.

O diretor da Polícia Legislativa do Senado, Pedro Ricardo Carvalho, explicou à Agência Brasil que a classificação de “máximo risco” é universal e seguida pelos órgãos envolvidos na segurança pessoal não só de Ahmadinejad, mas também de outros presidentes e autoridades que requerem “atenção especial”. O mesmo esquema foi montado, por exemplo, na visita do presidente de Israel, Shimon Peres, segundo o diretor.

Além da suspensão das visitas públicas ao Senado, a Polícia Legislativa adotou outras providências como aumentar a área de isolamento em torno do presidente e o número de agentes nas dependências da Casa. Também está proibido o estacionamento de qualquer veículo nas proximidades do caminho por onde Mahmoud Ahmadinejad passará.

Pela agenda pessoal, Ahmadinejad será recebido pelos presidentes do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), às 16 horas. Às 13h30, almoça com autoridades no Palácio Itamaraty e, às 15 horas, comparecerá ao 3º Encontro Empresarial Brasil-Irã. Na agenda de hoje, ainda estão previstas uma palestra no Instituto de Educação Superior de Brasília (Iesb), às 18 horas, coletiva de imprensa no Hotel Alvorada, às 19h30, e uma entrevista à Empresa Brasil de Comunicação (EBC), às 21 horas.

 
 

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