Imagens

 

 

 

 

Publicidade

 

 

 

 


 
 

24/09/06 - Sitepopular

Ilhéus Bahia: Veloso faz farra com dinheiro da Câmara

 

Segundo documentos e contratos suspeitos, autorizados pelo presidente do legislativo ilheense, que se encontram no Tribunal de Contas dos Municípios (TCM).
      Eles apontam para transações suspeitas, envolvendo empresas sem endereço confirmado, possivelmente fantasmas, e valores que chegam a ser 250% maiores que os praticados no mercado.
      Além das compras superfaturadas, a Câmara de Ilhéus também pagou por serviços não prestados, como é o caso do contrato com a empresa RR - Soluções em Informática.
      Ela atendeu a carta-convite emitida pela Câmara para fornecer 20 computadores de configuração básica, no valor total de R$ 61.600,00, ou seja, R$ 3.080 por máquina. Uma unidade com as mesmas especificações é encontrada nas lojas por cerca de R$ 900.
      Como se não bastasse o preço exorbitante, que foi efetivamente pago pelo Poder Legislativo, há outro exemplo de descaso com o dinheiro público. É que os computadores "comprados" até hoje não apareceram na Câmara de Vereadores.
      Mesmo assim, a RR - Soluções em Informática vem recebendo R$ 2.400,00 mensais pela "manutenção" das máquinas inexistentes. Os valores constam nos processos de número 603/05, 683/05, 1.130 e 1.254.
     
      Passagens aéreas
      Há ainda outros casos de empenho para pagamento de despesas inexistentes. É o que ocorre com os processos 935/05, 1.124/05 e 1.288/05, referentes à compra de passagens aéreas para os funcionários José Carlos S. Filho, José Maria Almeida de Santana, José Carlos Silva Santos, Paulo César Ramos e Aliam Jurandy.
      O problema é que não existem as requisições dos servidores, nem os tickets das passagens para a comprovação das viagens. Além disso, os servidores afirmam que nunca fizeram as viagens. Resta saber para onde "viajou" o dinheiro.
      O caso das passagens está sendo investigado pelo Ministério Público em Ilhéus, que já ouviu o presidente da Câmara, Raymundo Veloso, e o diretor da empresa Gabriela Turismo, Paulo Moreira.
      Os indícios de superfaturamento podem criar problemas sérios para o presidente Raymundo Veloso, que disputa uma vaga na Câmara dos Deputados, pelo PPS.
      Veloso realiza uma campanha cara e criou até uma fundação para prestar serviços assistencialistas em cerca de 70 municípios baianos. "Já tem gente somando a exorbitância da campanha com os desvios na Câmara e tirando as conclusões", diz um vereador.
     
      Fantasmas
      Endereços fantasmas e carros que bebem demais são dois problemas da Câmara de Ilhéus. Há o processo de número 689/05, correspondente à compra de resmas de papel A4 pelo valor unitário de R$ 25,00, quando era fornecido antes por R$ 9,90 e o preço nas papelarias não supera R$ 14,00.
      A licitação foi vencida pela AN Formiga Filho, que deveria estar na Rua Antônio Lavigne de Lemos, centro. Mas no local não há nenhuma papelaria. Ela ainda vendeu 69 caixas de canetas entre R$ 29,90 e R$ 40,00, enquanto o preço de mercado é R$ 15,00.
      Detalhe interessante é que a AN Formiga foi registrada na Junta Comercial em janeiro de 2005 e, em fevereiro do mesmo ano, já participava das licitações promovidas pela Câmara de Vereadores de Ilhéus.
      O indício de que a empresa foi criada especialmente para vender ao Legislativo está nos números das notas fiscais: as primeiras se referem justamente às transações feitas com a Câmara.
      A frota da Câmara também representa uma despesa exorbitante. Com apenas dois veículos, ela teria consumido em 2005 um total de 24.784 litros, média de 2.065 litros por mês. Além de "beber" muito, os carros devem quebrar com grande freqüência.
      A Câmara firmou contrato com uma oficina, no valor de R$ 49 mil, para serviços de manutenção. Só que este dinheiro é suficiente para adquirir dois carros populares.
      A lista de gastos suspeitos inclui pagamentos de R$ 7 mil à empresa Margraf, gráfica de Itabuna, onde coincidentemente o vereador Raymundo Veloso produz os impressos de sua campanha. Outros R$ 270 mil foram desembolsados para publicidade.
      Nos processos que deveriam justificar esses pagamentos, não há qualquer informação específica sobre o destino dos recursos.

 

Sitepopular / Com informações do A Região