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O Grito dos Excluídos em
Brasília reuniu pessoas de diferentes lugares com um objetivo comum: pedir
melhores condições de vida.
A vendedora Alzira da Rocha, de 66 anos, que mora em Santa Maria,
cidade-satélite de Brasília, não quis assistir ao desfile oficial de 7 de
Setembro, na Esplanada dos Ministérios. Preferiu se unir às cerca de mil
pessoas que participaram do Grito, segundo cálculos da organização - o
desfile da Independência teve 30 mil, de acordo com a polícia.
“Comemoração é quando está tudo certo”, disse Alzira. O protesto dela e da
filha de 32 anos contra as desigualdades no país estava expresso na faixa
que seguravam: “Só se comemora independência com justiça social”.
Alzira, que recebe um salário mínimo por mês, pediu atenção para as pessoas
que moram em comunidades carentes e, como ela, enfrentam problemas de falta
de infra-estrutura. “Está faltando as pessoas nos ajudarem, estamos
sofrendo. Lá não tem água tratada, não tem luz”.
Além de cobrar mudanças no atual modelo econômico e protestar contra a
corrupção, este ano os manifestantes pediram redução nas tarifas de energia
elétrica. “Lá em casa, a energia só chega por causa de uma gambiarra”,
contou Alzira, que é viúva e mãe de seis filhos.
Para José da Costa, participar do Grito dos Excluídos é uma forma de “unir
forças”. “Família unida ninguém desmancha”, disse o aposentado de 76 anos.
O aposentado fala com orgulho de sua família e dos filhos (sete) e netos
nascidos na capital. “Não tenho certeza de quantos netos são, tenho de fazer
uma recapitulação. Devem ser uns 12, por aí”, diz José da Costa, que também
é bisavô de duas crianças.
Há quatro décadas morando em Brasília, ele faz questão de estar em todas as
manifestações do Grito dos Excluídos. No Distrito Federal, esta foi a 11ª
edição. “Eu acho muito importante participar porque são muitas as
reclamações. A principal é que faltam as coisas, como água. O pessoal
recebia a cesta [básica] e agora não recebe mais, e assim por diante”.
As manifestações do Grito dos Excluídos ocorreram em mais de mil cidades
brasileiras. O tema desta edição foi Brasil: na força da indignação,
sementes de transformação. |