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20/11/2009 - Sitepopular / Agência EFE

 

Grupo peruano que matava para vender gordura humana é preso

"Pishtacos" enterrariam pessoas ainda vivas com o objetivo de fecundar a terra.

 

Peru - Quatro indivíduos foram acusados ontem (19) no Peru de pertencer a um grupo criminoso que poderia ter assassinado até 60 pessoas para vender sua gordura. O titular da 57ª Promotoria Provincial Penal de Lima, Jorge Sanz, informou em uma nota de imprensa que os quatro detidos são acusados de homicídio por lucro e formação de quadrilha em agravo do Estado.

A investigação desenvolvida pela Polícia e o Ministério Público do Peru assinala que estes indivíduos teriam causado a morte de Abel Matos Aranda dia 16 de setembro com o objetivo de substrair, segundo a nota, "tecidos somáticos da vítima". Posteriormente, esses tecidos seriam comercializados em Huánuco, 415 quilômetros ao nordeste de Lima, na própria capital peruana e até na Europa.

Os detidos pertenceriam, segundo a promotoria peruana, a uma gangue de "pishtacos", vocábulo proveniente da palavra quíchua "pishtay" que significa "cortar em pedaços" e que faz referência a um grupo de matadores de aluguel que fazem parte da lendas dos Andes peruanos.

Segundo a Enciclopédia Peruana, os "pishtacos" são um grupo de bandidos que assaltam homens e mulheres que vivem nas ruas e em más condições, degolando-os para comer sua carne e vender sua gordura. A tradição também conta que as vítimas desses grupos muitas vezes são enterradas ainda com vida, com o objetivo de fecundar a terra ou dar solidez às construções. O romance de Mario Vargas Llosa "Lituma en los Andes" também faz referência a este mito andino.

Dois dos acusados foram capturados dia 3 de novembro quando recolhiam uma encomenda de uma empresa de transportes consistente em uma vasilha de plástico que supostamente continha o gordura extraída de Matos. No momento da detenção, um dos detidos levava uma pistola, pelo que foi denunciado também pelo delito de posse ilegal de armas de fogo. Outro dos detidos, preso dois dias depois dos dois primeiros, também levava um revólver de calibre 22.

O fiscal Sanz informou que as investigações, que se vêm realizando em povoados afastados de Huánuco, continuam com o objetivo de esclarecer o desaparecimento de mais de 60 pessoas, que acredita- se que puderam ser vítimas deste grupo. Outros sete integrantes ainda se encontram em paradeiro desconhecido. A Polícia continua as buscas.

 

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