O ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manoel Santos, informou há pouco que Ingrid Betancourt foi resgatada em uma operação
militar do governo. Junto com a ex-candidata à Presidência colombiana, foram resgatados três norte-americanos e 11 militares colombianos que também eram reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Posteriormente, imagens de tevê confirmaram o fato.
Betancourt vivia em poder da guerrilha há seis anos, desde 20 de fevereiro de 2002, e estava com a saúde debilitada. Com nacionalidades colombiana e francesa, ela era a refém mais importante das Farc e compunha, ao lado de outras 38 pessoas, o grupo de reféns considerados passíveis de troca em um acordo humanitário entre governo e guerrilheiros, segundo a BBC Brasil.
Em abril, em meio a relatos sobre o seu frágil estado de saúde, chegou-se a especular que Betancourt poderia estar morta. Na época, ela apareceu em um vídeo com semblante fraco e doente. Na ocasião, o governo brasileiro publicou um apelo formal pela libertação dela. Na época, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia declarado “solidariedade irrestrita” aos pedidos de libertação feitos pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy.
O fato foi noticiado com destaque e uma grande foto de Ingrid no site do governo colombiano. Texto ali publicado informa que as Forças Armadas se infiltraram no secretariado das Farc e conseguiram transportar os reféns para o sul do país, onde supostamente ficariam sob a tutela de ‘Alfonso Cano’, que comanda a guerrilha desde a morte de Manuel Marulanda Vélez.
Segundo o governo, os seqüestrados foram recolhidos por um helicóptero de uma organização fictícia, que na verdade era do Exército e tripulado por membros da inteligência colombiana. Um sujeito apelidado de ‘César’ e outro membro da guerrilha teriam sido neutralizados no helicóptero e serão entregues às autoridades judiciais, para serem processados.
O governo informa que decidiu não atacar 'César', nem outros guerrilheiros envolvidos na operação, na expectativa de que as Farc soltem os demais seqüestrados, em reciprocidade.
Segundo a Fundação País Livre, na Colômbia estão seqüestradas atualmente cerca de 3.200 pessoas, 770 delas nas mãos das Farc, 400 do Exército de Libertação Nacional (ELN), 250 dos paramilitares e o restante de outros grupos.
Além de Ingrid Betancourt, foram libertados os norte-americanos Keith Stansell, Thomas Howes e Marc Gonsalves e 11 militares colombianos: Juan Carlos Bermeo, Raimundo Malagón, José Ricardo Marulanda, William Pérez, Erasmo Romero, José Miguel Arteaga, Armando Flórez, todos do Exército, Julio Buitrago, Armando Castellanos, Vaney Rodríguez e John Jairo Durán, estes da polícia.
"Estão livres, sãos e salvos", afirmou o ministro. "Esta operação não tem precedentes". |