A era da informática chegou com a corda toda. Os sistemas de informações estão presentes em tudo que você pensa. Desde um simples entretenimento infantil até a corrida espacial em busca de novos mundos. A velocidade com que os dados chegam até nós é impressionante. Antigamente militávamos com bites (b), passando depois para os bytes(B), kbytes(KB), megabytes(MB), gigabytes(GB), terabytes(TB), petabytes(PB), exabytes(EB), zettabytes(ZB), yottabytes(YB) e só Deus para dizer a que outro tipo de bytes vamos chegar. Todos estes bytes que são representados por informações estão chegando até nós em tempo real. O grande problema acontece que nos tornamos refém do que chamamos de “SISTEMA”. Não conseguimos trabalhar hoje sem “Sistema”. Tudo que fazemos dependemos do sistema. Temos sistemas nos bancos comerciais, temos sistemas nos órgãos públicos, temos sistemas nas empresas comerciais, temos sistemas nos hospitais controlando e monitorando a saúde dos pacientes, temos sistemas nos escritórios de contabilidade, temos sistemas nas polícias, temos sistemas nos organismos internacionais, ou seja, em tudo que pensarmos encontraremos um sistema monitorando ou tentando resolver a nossa vida e é isto que nos faz a tecer alguns comentários sobre o sistema. A quantidade de sistemas nos envolvendo no dia a dia, nos monitorando o tempo todo, faz com fiquemos refém do sistema. O grande problema é que as pessoas aprenderam a não mais resolver os problemas por conta do sistema. Não se faz absolutamente nada se não tiver sistema. O mundo pára se não tiver sistema. Viramos verdadeiros fantoches na mão dos desenvolvedores de sistema. Como exemplo dos que estamos falando, recentemente o Sul da Bahia foi vítima da queda do sistema da Receita Federal do Brasil. Tanto a Receita Federal com a Receita Previdenciária nos Municípios como Eunápolis e Porto Seguro, mais especificamente, ficaram 3(três) dias fora do ar. Nada se resolveu nestes dias no âmbito destes órgãos públicos e sabem por quê? Não tinha sistema. A perda para os contribuintes que necessitaram do sistema foi grande por conta da queda do sistema. Todos esquecem que os sistemas são gerenciados e moldados por nós mesmos. Somos nós que inventamos os sistemas e portanto somos nós que podemos mudá-lo. Paremos de colocar a culpa nos sistemas encobertando nossas incompetências. Se não sabemos fazer é culpa do sistema, se demos o comando e a certidão não processou é culpa do sistema, se tentamos fazer uma transmissão e o serpro não processou é culpa do sistema, se o pagamento realizado no banco ainda não caiu é culpa do sistema, se tentamos fazer uma transferência estrangeira e não conseguimos é culpa do sistema, ou seja, tudo que não dá certo hoje em dia é culpa do sistema. Aprendemos a colocar a culpa num sujeito indeterminado, impensante, subjetivo, que absorve toda as críticas sem problema algum. Acontece que paramos de pensar para resolver os problemas e ficamos a mercê da resposta do sistema. Aceitamos muitas vezes sem ao menos questionar o retorno ineficaz que os sistemas dão. O que precisamos é usar o bom senso para sabermos lidar com a tecnologia que está a nossa volta e não sermos refém dos sistemas que parecem imperar sobre seus próprios construtores. Faço a crítica principalmente aos órgãos públicos onde os servidores se escondem atrás da cortina dos sistemas para não resolver os problemas dos contribuintes. Ninguém quer se expor e todos ficam atrás da máscara do sistema. Entendem que ficando ali o servidor está resguardado não tendo que se envolver em nada e como disse um amigo meu “não tendo que colocar a senha 2”. É preciso que o bom senso impere para que a tecnologia se justifique e não o contrário. Não deixemos que a tecnologia tome conta das nossas vidas e percamos a capacidade de pensar, de raciocinar, de julgar, dando lugar a sentenças eletrônicas muitas das vezes mal formuladas por analistas meramente tecnicistas. Senhores leitores. Paremos então para pensar. Pedro Izauro de Souza Mello Contador Porto Seguro – BA |