O estelionatário baiano Marcelo Lima dos Anjos, de
31 anos, que já se passou pelo ex-procurador-geral de Justiça da Bahia Achiles
Siquara, foi preso em Brasília no último sábado, dia 21, pela Polícia Civil do
Distrito Federal. Marcelo estava exercendo a função de professor voluntário e a
coordenação da Fundação de Estudos e Pesquisas em Administração e
Desenvolvimento (Fepad) da Universidade de Brasília (UnB), após ter-se passado
por advogado e ex-procurador da República, com títulos de mestrado e doutorado
em Ciências Sociais. O novo golpe foi descoberto após um funcionário da UnB,
desconfiado das titulações do suposto professor, ter encontrado no portal de
busca Google uma
notícia no site do Ministério
Público baiano sobre a prisão, em 2004, do estelionatário. Após contato com a
Assessoria de Comunicação Social e a Assistência Militar do MP, as informações
sobre Marcelo dos Anjos foram repassadas para a Polícia Civil brasiliense, que,
cumprindo mandado de prisão expedido pela 7ª Vara Criminal de Salvador,
prendeu-o por tentativa de estelionato e falsidade ideológica em um apartamento
da UnB. No momento da prisão, Marcelo dormia com um adolescente de 17 anos e foi
autuado em flagrante por corrupção de menores para fins sexuais.
De acordo com informações do diretor de
Comunicação da Polícia Civil do Distrito Federal, delegado Miguel Lucena, em
apenas um ano e oito meses residindo em Brasília, o estelionatário conseguiu
adquirir um automóvel Honda Civic e dois apartamentos na cidade-satélite de
Águas Claras. Agora, a Polícia Civil investigará se há outras pessoas envolvidas
com as ações golpistas de Marcelo dos Anjos e de que forma ele conseguiu ocupar
a vaga de professor voluntário na UnB e compor a comissão de reestruturação da
Fepad sem que a sua procedência e as informações falsas apresentadas por ele
fossem checadas. Em Brasília, Marcelo também se fez passar por consultor da
Controladoria-Geral da União (CGU) e assessor da ministra do Supremo Tribunal
Federal (STF), Ellen Gracie. Na Bahia, ele se apresentava como assessor ou irmão
do então procurador-geral de Justiça Achiles Siquara, quando não se passava por
ele, e também utilizava o nome do cardeal arcebispo de Salvador e primaz do
Brasil, Dom Geraldo Majella Agnelo, para aplicar golpes. Ele usou o nome do
então chefe do MP para arrecadar dinheiro junto a deputados e vereadores, além
de aplicar golpes no extremo-sul da Bahia. Marcelo fazia os contatos via
telefone celular, dizendo ser o próprio Achiles, e ia buscar o dinheiro,
apresentando-se, nessa etapa do crime, como assessor do procurador de Justiça.
Ele já foi preso duas vezes e responde a quatro processos por estelionato.