Vitória - O Conselho Nacional de Política
Criminal e Penitenciária (CNPCP), órgão ligado ao Ministério da Justiça,
entregou ao procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza,
pedido de intervenção federal no Espírito Santo em função de
denúncias de precariedade das unidades prisionais e da prática de
tortura e esquartejamentos
nos presídios do estado. Em um das
penitenciárias, o conselho identificou pessoas presas em conteiners,
cercados de lixo e esgoto a céu aberto e grande quantidade de insetos
De acordo com o presidente do CNPCP, Sérgio Salomão Shecaira, o pedido
foi entregue ao procurador há uma semana. Ele relatou que visitou em
abril as
prisões capixabas e que cobrou providências das autoridades locais. No
entanto, de acordo com Shecaira, o secretário estadual de Justiça
informou que os problemas só poderiam ser resolvidos em 2010 ou 2011,
com a construção de novas unidades.
“Em função da gravidade das denúncias que recebemos eu estive
pessoalmente no Espírito Santo, no mês passado e visitei a Casa de
Custódia de Viana e o presídio de conteiners no bairro Novo Horizonte.
Ele me apresentou como solução a construção de novas unidades que nem
sequer começaram a ser construídas. Diante dessa falta de providências
do governo estadual decidi entregar pessoalmente o pedido às autoridades
federais”, disse o presidente do CNPCP.
A assessoria da Procuradoria Geral da República confirmou o recebimento
do pedido de intervenção e informou que ele será analisado pelo
procurador-geral sem prazo definido. Além da intervenção, Shecaira pediu
ao Conselho Nacional do Ministério Público e do Conselho Nacional de
Justiça que investigue a conduta dos promotores e juízes responsáveis
pela fiscalização dos presídios e pela apuração das denúncias. Segundo
ele, o Ministério Público Estadual e a Vara de Execuções Penais local
têm sido omissos diante dos fatos.
O CNPC decidiu entrar com uma ação contra o secretário estadual de
Justiça, Ângelo Roncalli, para apurar a possível omissão diante de
denúncias de tortura já feitas pelo Conselho Estadual de Direitos
Humanos e pelo Movimento Nacional de Direitos Humanos.
De acordo com Shecaira, na Casa de Custódia existem áreas onde os
agente penitenciários não conseguem entrar. Esses pavilhões não possuem
portas, luz elétrica e os presos só têm acesso a água durante uma hora
por dia. Ele também enfatizou que como não há controle sobre os presos,
a ação de quadrilhas e gangues nos presídios põe em risco a segurança
dos presos. Cerca de dez pessoas já foram esquartejadas dentro dos
presídios capixabas.
Shecaira deixou claro que não se trata de uma intervenção nos presídios,
mas em todo o sistema de segurança pública do estado, que já
experimentou, em 2000, uma situação de intervenção federal devido à ação
do crime organizado infiltrado nas instituições do estado. “Não é uma
intervenção nas penitenciárias do Espírito Santo e sim no estado, porque
as unidades federativas têm como obrigação assegurar valores de direitos
humanos e isso não vem acontecendo no Espírito Santo.
O secretário estadual de Justiça ainda não se manifestou e a assessoria
do Palácio Anchieta, sede do governo local, disse que ainda hoje o
governo irá responder às acusações.
O Ministério Público do Espírito Santo informou, por meio da assessoria
de imprensa, que vai aguardar a comunicação oficial da denúncia de
omissão antes de adotar qualquer posicionamento.