Brasília - Com o slogan Nota Zero para
o Enade, por Uma Avaliação de Verdade, integrantes da Executiva Nacional dos
Estudantes de Comunicação Social (Enecos) incentivaram hoje (12) alunos de
instituições de ensino superior públicas e privadas a boicotarem o Exame
Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) 2006.
Foram selecionados para fazer as provas 488.883 estudantes, de 1.619
instituições em todo o país, de acordo com a assessoria de imprensa do
Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) do Ministério
da Educação (MEC), responsável pela aplicação do exame.
Em Brasília, houve protestos contra o Enade em alguns locais de realização
das provas. Segurando faixas e gritando palavras de ordem, os manifestantes
entregavam adesivos aos estudantes que chegavam para fazer o exame. Dessa
forma, ganharam a adesão de vários alunos, como José Hélio Sabóia de Sousa,
que cursa o 8° semestre de Comunicação Social no Instituto de Educação
Superior de Brasília (Iesb).
Sousa chegou ao local de prova cinco minutos antes do fechamento dos
portões, previsto para as 13 horas, e acabou desistindo do exame. “Decidi
boicotar. Só vim porque era obrigatório e porque estava com medo de não
receber o diploma. Agora que eles [representantes da Enecos] disseram
que basta assinar a lista de presença, resolvi deixar a prova em branco”,
disse.
Para Danilo Silvestre, membro do comitê organizador do boicote no Distrito
Federal, a adesão dos alunos ao movimento foi boa. Pelos cálculos dele,
somente no colégio onde José Hélio Sabóia de Sousa faria a prova, mais de 50
universitários deixaram o local antes de completar meia hora do início do
exame. “Este é o terceiro ano consecutivo de boicote, a gente vem ganhando
participação dos alunos com o passar dos anos”, afirmou Silvestre.
Segundo ele, em 2004, houve “adesão maciça” dos alunos de Pedagogia da
Universidade de Brasília (UnB) e, no ano passado, dos estudantes de Educação
Física.
O Enade foi criado em 2004 pelo MEC para avaliar a qualidade dos cursos e
instituições de ensino superior em todo o Brasil e o grau de aprendizado dos
estudantes. O exame faz parte do Sistema Nacional de Avaliação da Educação
Superior (Sinaes).
No entanto, diz Silvestre, o exame não é uma forma eficiente de avaliação,
além de ter caráter punitivo. “O Enade, junto com o Sinaes, pune as
faculdades. Ou seja, é como se uma pessoa doente fosse ao médico e. em vez
de receitar um remédio, ele desse um veneno. No caso das universidades
públicas, elas podem deixar de receber verbas e, sem receber verbas, não têm
como melhorar”.
O estudante critica também o fato de as próprias faculdades, muitas vezes,
usarem as notas dos alunos no Enade para fazer “propaganda” da instituição.
“A avaliação da faculdade, não é feita só pelo Enade. Só que se uma
determinada faculdade foi mal em todas as outras (avaliações), menos no
Enade, vai dizer que se saiu bem em tudo, como se o curso realmente
estivesse bom, e na verdade não está”, disse Silvestre.
“A gente sabe que há várias faculdades em que alguns cursos não estão bons,
mas elas incentivam os estudantes a fazer o Enade, oferecem até cursinho
preparatório, para parecer que a faculdade está boa e, na verdade, não
está”, completou.
O estudante de Publicidade e Propaganda da Universidade Católica de Brasília
Antônio Luis Siqueira da Silva concordou com os argumentos e também aderiu
ao boicote. “A prova era bem extensa, e achei que não teria nenhum benefício
se fizesse as questões. A universidade em si prepara o aluno para ser um
profissional, e não é o MEC que vai avaliar isso, mas sim o próprio mercado
de trabalho”, acrescentou.
Já as amigas Hanna Carla Gomes e Janaína Gonçalves da Silva, ambas
estudantes segundo semestre de Direito, preferiram resolver as questões do
Enade, em vez de entregar a prova em branco. Hanna Carla considera o exame
uma “boa oportunidade de testar os conhecimentos e melhorar os pontos em que
há dificuldades”. Ela disse, no entanto, que não faria a prova, se não fosse
obrigatório, por “não estar certa de que é um mecanismo que ajuda realmente
a avaliar a faculdade”.
Janaína Silva discorda da colega. “Melhora a instituição, sim, porque, se os
alunos não tiverem notas boas, a faculdade vai
ter que se esforçar para melhorar o corpo docente e deixar o curso mais
puxado”.
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