A decisão da prefeita de Jacobina, Valdice Castro (DEM), em desativar o Samu por falta de
condições financeiras foi interpretada pelo ex-prefeito, Rui Macedo (PMDB), como uma demonstração de que o atual governo estadual não dá prioridade nem mesmo para os municípios governados pelos seus aliados. Segundo ele, a área de saúde em Jacobina está completamente abandonada.
“Não adiantou os democratas deixarem o candidato do seu partido para apoiar Wagner. O apoio não trouxe nenhuma melhoria para a população e o município, ao contrário, só fez piorar a situação, principalmente na saúde”, acrescentou.
Segundo o ex-prefeito, a crise na saúde não atinge apenas a população de Jacobina: ‘São 80 mil habitantes da cidade e outros 400 mil moradores de municípios vizinhos que dependem do atendimento em hospitais, postos de saúde e Postos de Saúde da Família (PSF). O problema é que grande parte dessa infraestrutura de atendimento foi desativada pela prefeitura de Jacobina.
“Na verdade, é um verdadeiro desmonte de tudo. O pior é que, por motivos políticos, a prefeita acaba prejudicando a população”, alerta Rui. Um exemplo do desmonte é que, atualmente, na cidade, restam apenas oito PSFs dos 16 criados na gestão anterior.
Outro caso emblemático é o do Hospital Municipal Antonio Teixeira Sobrinho, que ficou fechado durante seis meses no ano passado para uma suposta reforma. A unidade foi reaberta sem mudanças efetivas e o número de atendimentos do hospital, considerado referência na região, caiu cerca de 30%. “Hoje a população precisa ir a Salvador e Feira de Santana para fazer exames simples, ou procurar atendimento em municípios vizinhos, muitos de porte menor, e que têm uma melhor estrutura de atendimento”.
Também o Centro de Especialidade Odontológica (CEO) foi fechado. Além disso, dez equipes de saúde bucal foram desativadas nos PSFs. Com isso, formam-se grandes filas e a população sofre para conseguir atendimento odontológico. Outras unidades desativadas pela prefeita foram o Laboratório de Análises Clínicas do Município e o CAPS AD – Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas. Outro CAPS, ainda aberto, funciona precariamente, sem oferecer o tipo de atendimento essencial à unidade: o psiquiátrico.
“O pior é que, depois disso tudo, a prefeita decretou emergência na saúde pública. Com o dinheiro que recebeu do governo, fechou contrato com o Hospital Regional Vicentina Goulart, em que seu marido é diretor. Foram alocados R$4,5 milhões para pagamento dos serviços prestados. E o Ministério Público não faz nada para impedir isso”, disse Rui.
O candidato ao governo do estado pela coligação A Bahia Tem Pressa, Geddel Vieira Lima, esteve em Jacobina e se mostrou indignado com as queixas que ouviu da população, boa parte delas na área de saúde. “Como eu venho dizendo em cada cidade que visito, não adianta propaganda maciça sobre a construção de cinco hospitais se, na verdade, só foram dois e que apresentam problemas de funcionamento. Não adianta sair por aí construindo essas unidades, sem fazê-las funcionar plenamente, com gente e equipamentos”.
Outro ponto ressaltado por Geddel é a ausência de incentivos para levar os médicos e outros profissionais de saúde para o interior baiano. “É por isso que, no meu primeiro ano de governo, vou encaminhar o plano de cargos e salários desses profissionais à Assembléia Legislativa, para que eles conheçam suas possibilidades de ascensão profissional e se sintam motivados a morar em outras cidades”.