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11/02/2011 - Sitepopular

 

Depois de 30 anos no poder, presidente do Egito renuncia

 

O DITADOR MUBARAK RENUNCIA

 

Brasília - Depois de 18 dias de protesto contra o governo do Egito, o presidente do país, Hosni Mubarak, de 82 anos, renunciou hoje (11) ao cargo. Ele passou quase três décadas no poder. A decisão foi anunciada em um comunicado na rede estatal de televisão.

Após o anúncio de Mubarak, os manifestantes reunidos na Praça Tahrir, que virou uma espécie de símbolo para as manifestações no Egito, e em vários locais do país comemoraram. Os manifestantes prometeram intensificar os protestos, caso Mubarak insistisse em se manter no cargo.

Autoridades egípcias confirmaram que Mubarak e a família deixaram o Cairo, pela manhã, em direção ao resort de Charm el-Cheikh, no Mar Vermelho. O resort fica a 250 quilômetros do Cairo. Helicópteros foram vistos deixando a residência oficial do presidente na manhã desta sexta-feira.

Em Brasília, a Embaixada do Egito no Brasil informou que não prestará esclarecimentos sobre a renúncia de Mubarak nem sobre como será o funcionamento do governo provisório. De acordo com a assessoria da representação diplomática, se houver algum tipo de manifestação, ela será feita por meio de comunicado enviado aos veículos de imprensa por e-mail.

Nos 18 dias de protestos contra Mubarak, a embaixada se manifestou em uma ocasião – em uma nota, na qual pediu desculpas ao governo brasileiro pelo tratamento dispensado pelas autoridades egípcias aos repórteres Corban Costa, da Rádio Nacional, e Gilvan Costa, da TV Brasil. Corban e Gilvan foram presos por 18 horas, tiveram os olhos vendados e os equipamentos apreendidos.

Depois do pedido formal de desculpas, o governo brasileiro decidiu não apresentar uma nota de protesto ao Egito. O embaixador do Brasil no país, Cesario Melantonio Neto, chegou a elaborar uma proposta de queixa formal ao governo egípcio. (ABr)

 

03/02/2011 - Sitepopular / Informações da ABr

 

Repórteres da EBC são detidos e vendados no Egito e obrigados a voltar para o Brasil

 

 

 

Brasília – Enviados para o Egito para a cobertura da crise política no país, o repórter Corban Costa, da Rádio Nacional, e o repórter cinematográfico Gilvan Rocha, da TV Brasil, foram detidos, vendados e tiveram passaportes e equipamentos apreendidos. Desde ontem (2) à noite até esta manhã, Corban e Gilvan ficaram sem água, presos em uma sala sem janelas e com apenas duas cadeiras e uma mesa, em uma delegacia do Cairo.

“É uma sensação horrível. Não se sabe o que vai acontecer. Em um primeiro momento, achei que seríamos fuzilados porque nos colocaram de frente para um paredão, mas, graças a Deus, isso não aconteceu”, afirmou Corban, que volta amanhã (4) com Gilvan para o Brasil.

Para serem liberados, os repórteres foram obrigados a assinar um depoimento em árabe, no qual, segundo a tradução do policial, ambos confirmavam a disposição de deixar imediatamente o Egito rumo ao Brasil. “Tivemos que confiar no que ele [o policial] dizia e assinar o documento”, contou Corban.

No caminho da delegacia para o aeroporto do Cairo, Corban disse ter observado a tensão nas ruas e a movimentação intensa de manifestantes e veículos militares nos principais locais da cidade. Segundo ele, todos os automóveis são parados em fiscalizações policiais e os documentos dos passageiros, revistados. Os estrangeiros são obrigados a prestar esclarecimentos. De acordo com o repórter, o taxista sugeriu que ele omitisse a informação de que era jornalista.

Há dez dias, o Egito vive momentos de tensão em decorrência de onda de protestos contra a permanência de Hosni Mubarak na presidência do país. A situação se agravou ontem, depois que manifestantes pró e contra o governo se enfrentaram nas ruas das principais cidades egípcias.

De acordo com as Nações Unidas, até agora, mais de 300 pessoas morreram nos confrontos e cerca de 3 mil ficaram feridas.

 
 

02/02/2011 - Sitepopular / Informações da ABr

 

Ditador Mubarak rejeita transição e violência toma conta dos protestos no Egito

 

Vídeo: Rede Globo de Televisão

Maputo (Moçambique) - Grupos pró e contra o presidente do Egito, Hosni Mubarak, enfrentaram-se com pedras e tiros na tarde de hoje (2), no Cairo. Até cavalos e camelos foram usados pelos manifestantes, que transformaram em campo de batalha a Praça Tahrir, que tem sido o palco das maiores manifestações conta Mubarak. O Exército acompanhou o confronto praticamente sem intervir. Quando começou o período do toque de recolher, bombas de gás foram atiradas para dispersar a multidão. Várias pessoas ficaram feridas.

De acordo os manifestantes, o grupo favorável ao governo age a mando do presidente Mubarak, para tentar aterrorizar a população e diminuir a pressão popular pela sua saída. Na tentativa de retomar o controle das ruas, Mubarak anunciou ontem que não vai concorrer a um novo mandato nas eleições presidenciais marcadas para setembro.

Hoje, a oposição repetiu que quer Mubarak fora do poder e do país até sexta-feira (4). Um dos principais líderes da oposição, o Prêmio Nobel da Paz  Mohamed Elbaradei, chamou o posicionamento do presidente de “um truque” para manter-se no cargo.

Sem o apoio que esperava - do Exército ou da comunidade internacional – Mubarak hoje ouviu do secretário-geral das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, que é "inaceitável" um ataque aos manifestantes pacíficos. "Estou profundamente preocupado com a violência contínua no Egito", declarou Ban Ki-moon, que está em Londres.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou ser “significativo que haja uma transição ordeira, que deve ser pacífica e começar agora”. Mas o governo egípcio não aceita iniciar um processo de transferência de poder neste momento.

Líderes africanos costumam ser exageradamente resistentes na defesa dos próprios poderes, mesmo quando fica evidente que o período de poder está no fim. Para a professora Iraê Lundim, doutora em relações internacionais, isso ocorre porque pouquíssimos são os países que, em termos institucionais ou até culturais, reservam um lugar específico para seus ex-líderes, sejam eles bons ou ruins.

“É uma constatação”, diz ela, que participou do grupo que, em 1994, negociou a paz em Moçambique, processo que pôs fim a uma guerra civil de 16 anos. “Isso faz com que nossas transições, em bom número, sejam muito conflituosas. Como regra geral, ou você está no poder, ou no exílio, ou no mausoléu”, diz Iraê. Segundo ela, perder o cargo representa muito mais do que deixar de ter uma fonte de renda (honesta ou não), de exercer o poder ou de viver o “fausto de ser um líder”. Muitas vezes, é uma questão de sobrevivência.

A professora lembra que, em outros países, o quadro é diferente. Nos Estados Unidos, por exemplo, o presidente Richard Nixon renunciou em 1974, acusado de mentir para o país e sob risco de sofrer processo de impeachment, no escândalo  conhecido como Caso Watergate. Entretanto, depois de afastado do cargo, acabou sendo formalmente perdoado pelo sucessor, Gerald Ford, e teve seguidores e adversários até a morte.

No Brasil, o ex-presidente Fernando Collor chegou a ser formalmente afastado do poder após um processo de impeachment, cumpriu a pena política e voltou à vida pública em um cargo eletivo, de senador por Alagoas. “Não estou tentando justificar esse apego todo”, diz a professora Iraê. “Mas é importante entender porque eles [os ditadores] resistem tão enormemente.”

 

02/02/2011 - Sitepopular / Informações da ABr

 

Egito: Oposição promete manter manifestações até que o ditador Mubarak deixe o poder

O Egito deve viver hoje (2) mais um dia de tensões. Líderes da oposição no país avisaram que não aceitam a permanência do presidente egípcio, Hosni Mubarak, no poder até setembro – quando acaba o mandato. Segundo os oposicionistas, os protestos vão continuar até que Mubarak renuncie. Ontem (1º), o presidente prometeu não concorrer à reeleição, mas o discurso foi recebido com hostilidade no país.

O discurso de Mubarak ocorreu depois que a oposição conseguiu reunir manifestantes contrários à sua permanência em protestos generalizados pelo país. Os líderes da oposição disseram que mais 1 milhão de pessoas foram às ruas protestar.

Mohamed ElBaradei, um dos nomes cotados para substituir Mubarak, afirmou que as declarações do presidente são "uma manobra" para se manter no poder. No pronunciamento em rede nacional, Mubarak disse que não concorrerá à reeleição.

"Não pretendo concorrer a outro mandato presidencial", disse Mubarak, ressaltando que não deixará o poder imediatamente, como exigem as lideranças dos manifestantes. "Hosni Mubarak, que fala a vocês, se orgulha do que conquistou nos anos em que serviu ao Egito e a seu povo", afirmou. "Este é meu país. Onde vivi, lutei e defendi sua terra, soberania e interesses e morrerei aqui."

O pronunciamento ocorreu horas após o encontro de Mubarak com o enviado norte-americano ao Cairo, Frank Wisner. Segundo informações do governo norte-americano, o presidente Barack Obama defende uma "transição ordenada" do poder. Ontem, a Organização das Nações Unidas (ONU) estimou que até 300 pessoas teriam morrido até agora nos protestos contra o governo.

 
 

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