“Auxílio-mordomia”
Na declaração de bens dos deputados federais
desfilam casas confortáveis em alguns dos mais tradicionais e caros
bairros da capital federal e apartamentos no Plano Piloto, cujo metro
quadrado pode chegar a R$ 10 mil. Apesar do patrimônio, pelo menos 25
proprietários de imóveis na cidade recebem da Câmara dos Deputados o
auxílio-moradia no
valor de R$ 3 mil mensais ou ocupam um dos
apartamentos funcionais pertencentes à União: benesses criadas sob o
pretexto de ajudar parlamentares de outros estados durante a estadia em
Brasília. Enquanto gastam o dinheiro público para “hospedar-se” na
cidade onde possuem imóvel residencial, alguns deputados aproveitam para
usufruir de um dos mercados imobiliários mais caros e promissores do
país. O deputado Pedro Chaves (PMDB-GO), por exemplo, alugou o
apartamento que possui na 212 Sul para hospedar-se em hotéis durante o
tempo que fica na capital. “Minha família está em Goiânia. Por isso, não
preciso de um apartamento disponível. Preferi alugar o imóvel e ficar em
hotéis”, argumenta. O exemplo vem de cima. Na lista de deputados que
recebem o auxílio-moradia apesar de possuírem imóveis na capital do país
está o quarto-secretário da Casa, Nelson Marquezelli (PTB-SP),
responsável por administrar os apartamentos funcionais e o próprio
auxílio. O paulista declarou ser dono de um duplex no Plano Piloto, mas
apresenta mensalmente notas fiscais de gastos com hospedagem para serem
reembolsados pela Câmara. Por meio da assessoria, Marquezelli diz que o
apartamento que possui é um investimento pessoal sem qualquer relação
com sua atividade como parlamentar.