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Enquanto Lula estava em
comício, em São Bernardo do Campo, onde disse, por exemplo, que "nada é mais
importante do que estar com companheiros" os adversários partiram para o
ataque. No primeiro bloco, com temas sorteados pelo mediador William Bonner,
todos criticaram, por exemplo, a carga tributária do governo Lula.
No início do segundo bloco
foi ainda pior. “Faltar ao debate como esse é um ato de corrupção à
democracia”, disse Buarque. O candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, por sua
vez, falou que “a ausência ao debate é de quem tem medo de prestar contas à
população”, citando casos como o da quebra ilegal do sigilo bancário do
caseiro Francenildo Costa, além da demora nas investigações do dossiê com
acusações contra tucanos. “É duro com Francenildo e fraco com os colarinhos
brancos”, completou.
A candidata Heloísa Helena
(PSOL) lembrou que foi expulsa do PT por não concordar “com a ocultação de
crimes do governo FHC por parte do PT”. “É por isso que ele não está aqui
para se explicar”, afirmou. Assim como Alckmin, Heloísa cobrou de Lula
respostas sobre a origem do dinheiro do dossiê.
Entre críticas freqüentes a
Lula, no entanto, houve também embate entre os candidatos, principalmente
entre Heloísa Helena e Alckmin. A candidata do Psol perguntou a Alckmin
sobre Segurança Pública, assunto delicado ao ex-governador de São Paulo. O
tucano mostrou irritação. "Eu não sei o que a senhora já fez pela Segurança
Pública. Mas eu já fiz", respondeu.
Em outro momento, sobre o
tema Energia Elétrica, enquanto Alckmin disse que investiria no setor,
Heloísa respondeu que o tucano tinha "mania" de colocar toda a culpa no
governo do PT, quando o governo FHC, segundo ela, também se omitiu neste
setor. Na réplica, Alckmin lembrou que as companhias são estatais, mas que
dependem de investimento da União. "Em 4 anos, Lula não conseguiu tirar nada
do papel", criticou.
Entre Heloísa e Buarque,
ex-companheiros de PT, o clima foi muito mais cordial. Cristovam chegou a
brincar e perguntou para Heloísa qual seria o remédio para sua gripe. Em
seguida, questionou a proposta da candidata para o desenvolvimento da
infra-estrutura científica e tecnológica. Heloísa lembrou a riqueza das
fontes naturais que propiciam investimentos no setor.
Em quase todas as questões,
os candidatos ainda pontuaram suas propostas com críticas ao que o governo
Lula fez na área específica. Até mesmo o Bolsa Família, trunfo do presidente
Lula, foi usado contra o petista. Buarque e Alckmin, por exemplo, disseram
que irão continuar, sim, com o programa. Buarque citou que retomará o Bolsa
Escola, assim como Alckmin, que lembrou que o o programa petista é uma
reunião do que foi feito no governo FHC.
Nas considerações finais,
Buarque pediu voto “em um daqueles que vai permitir que haja o segundo
turno". Heloísa agradeceu aos militantes de esquerda e pediu votos para que
o Psol não seja eliminado pela cláusula de barreiras. "Pena que Lula não
esteja aqui", lamentou. Chorando, a candidata disse que é a vez de uma
mulher, “pois os homens não deram certo“.
Alckmin agradeceu ao
público, aos eleitores e afirmou que Lula mandou um recado para a população:
"eu não estou interessado na sua opinião". No domingo, Alckmin ainda pediu
que o eleitor também mande um recado para o presidente. |
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Brasília - A TV Globo
informou há pouco que o presidente Lula não comparecerá ao debate entre
os presidenciáveis de hoje (28) à noite. A informação, dada pelo petista
ao telefone, põe fim ao mistério que tomou conta desta quinta-feira.
Às 18h40min, Lula viajou de Brasília para São Bernardo dos Campos (SP),
onde realizará o último comício eleitoral. A decisão de não participar
do encontro entre candidatos ao Palácio do Planalto foi anunciada depois
de uma reunião com o Secretário-Geral da Presidência, Luiz Dulci, o
porta-voz da Presidência, André Singer, e o Chefe de Gabinete da
Presidência, Gilberto Carvalho. |