A comodidade de usar cartões de crédito e
débito, cheque ou dinheiro exige dos consumidores cuidados para evitar
fraudes ou pagar mais caro quando é possível economizar, dizem os
especialistas. Além disso, eles consideram importante acompanhar a
atuação das empresas no mercado.
O consultor em finanças e professor da da Faculdade de Informática e
Administração Paulista (Fiap) Marcos Crivelaro enfatiza que um dos
problemas no mercado de cartões de crédito é a falta de concorrência,
que hoje é feita basicamente entre Visa e Mastecard. Com isso, tanto
para lojistas e prestadores de serviços quanto para consumidores fica
mais difícil negociar o pagamento pelos serviços do setor de cartões de
crédito.
Para contornar essa situação Crivelaro considera que seria necessária a
entrada de novas empresas especializadas em pagamentos com novidades
tecnológicas que atraiam os clientes. Enquanto isso não ocorre,
Crivelaro orienta aos consumidores a pesquisar as vantagens oferecidas
na hora de escolher os cartões ou o sistema de pagamento pela internet.
Essa preocupação com a concentração no mercado de cartões de crédito
levou o Banco Central e os ministérios da Justiça e Fazenda a
pressionarem empresas do setor a adotar medidas. Um diagnóstico desses
órgãos concluiu que o mercado atual impede a entrada de novos
credenciadores (que habilitam estabelecimentos comerciais para aceitarem
cartões como forma de pagamento), já que as máquinas leitoras de cartões
não são compartilhadas e também porque há contratos de exclusividade.
No início do mês, a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de
Crédito e Serviços (Abecs) anunciou que serão unificas máquinas de
leitura de cartões de crédito. Para a associação, a medida vai aumentar
a competitividade no setor e reduzir custos para os lojistas, que não
vão precisar mais de uma máquina leitora para cada bandeira. Além disso,
até 30 de setembro, o governo deve concluir a versão final do
diagnóstico do mercado de cartões de crédito e pode apresentar proposta
de regulamentação.
Em outro movimento contra a concentração, a Secretaria de Direito
Econômico (SDE) instaurou, neste mês, processo administrativo contra a
Redecard por suposta prática abusiva e anticoncorrencial contra empresas
de pagamento na internet, como MercadoPago e PagSeguro.
Uma outra mudança para enfrentar o problema da falta de concorrência,
defendida em audiência pública no Senado pelo chefe da Divisão Econômica
da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas, é
que haja uma mudança no Código de Defesa do Consumidor para permitir que
os lojistas ofereçam descontos quando o cliente optar pelo pagamento à
vista. Segundo ele, assim, os lojistas teriam maior poder de barganha
com as empresas de cartão de crédito.
Uma das reclamações dos lojistas é quanto à taxa de desconto, que é paga
aos credenciadores por venda. Segundo o Banco Central, em 2007, a taxa
média de desconto era de 2,9%, chegando a 5% para o cartão de crédito.
No caso dos cartões de débito, a taxa média foi de 1,6%. Mas essa
discussão esbarra no Código de Defesa do Consumidor, segundo a técnica
da Fundação Procon de São Paulo Renata Reis. “A legislação que está em
vigor diz que não pode haver diferenciação entre pagamento à vista, em
dinheiro, e com o cartão de crédito. É como se você discriminasse do
consumidor que vai pagar à vista e o cartão de crédito, que tem o
crédito pré-aprovado”, diz.
Enquanto essas questões não são resolvidas, os consumidores podem seguir
algumas dicas na hora de escolher entre os meios de pagamento. A técnica
do Procon-SP lembra que o único meio de pagamento que é obrigatoriamente
aceito é o dinheiro - papel ou moeda. Entretanto, ela explica que cabe
aos estabelecimentos comerciais fixarem avisos sobre a recusa de algum
outro tipo de meio de pagamento. Se o consumidor se sentir constrangido
com a falta de aviso, deve procurar o Procon para fazer reclamação e o
estabelecimento pode ser autuado.
Para aqueles que querem levar na carteira notas e moedas, é preciso
cuidado quanto à quantidade, uma vez que em caso de roupo ou furto
dificilmente será recuperado. Já no caso dos cartões, em situações de
roupo ou furto, o cliente conta com a opção de ligar para o banco e
pedir o bloqueio.
Se a opção for usar o cheque, a técnica do Procon-SP lembra que pelas
regras de tarifas bancárias estabelecidas pelo Banco Central as
instituições financeiras só podem cobrar pela emissão quando for
ultrapassado o limite de 20 folhas por mês. “E não pode haver cobrança
por compensação de cheques."