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A atual legislatura chega
ao fim como começou: mesclando escândalos, impunidade e autoconcessão de
benesses. Como diz o ditado, "pau que nasce torto..."
O aumento de salários é não apenas escandaloso como um conjunto absurdamente
inacreditável de erros, inclusive políticos, de avaliação: 1) o índice de
91% é acima de qualquer razoabilidade. 2) foi decidido pelas Mesas da Câmara
e do Senado, sem passar pelo plenário. 3)veio combinado com a discussão
sobre o salário mínimo, limitada ao corta-não-corta umas migalhas dos
miseráveis. 4)e quando a classe média (que faz opinião pública) anda meio
desconfiada e sofrendo os desconfortos da crise dos aeroportos nos feriados
e no fim de ano.
E, enfim, o aumento dos parlamentares veio num momento de enorme descrédito
das instituições políticas, coroando quatro anos de mensalões e
sanguessugas, em que o Congresso pagou todo o pato, e Lula foi reeleito com
60% dos votos. Ou seja: o Executivo passou incólume.
O desgaste de fazer corresponde ao desgaste de terem de desfazer. O
Congresso fez, a opinião pública se rebelou, o Supremo desfez, sob alegações
menos morais e mais legais. O que acrescenta um novo erro da cúpula
parlamentar: além de absurdo e escandaloso, o aumento foi uma ilegalidade
cometida justamente por quem vota as leis --e em seu benefício. Estamos no
limite do non-sense.
Agora, a lambança se completa com o vota-não-vota o aumento no plenário, com
o quando vota, com o fica em 20, fica em 18, fica em 16. E isso não muda
nada, muito menos reduz o imenso desgaste.
O atual Congresso acaba como começou, e o "novo Congresso" vem aí, sem
Sigmaringa, sem Delfim, sem Paulo Delgado, sem Sérgio Miranda, sem Denise
Frossard, sem José Thomaz Nonô, sem Greenhalgh, sem Jandira Fegalli... Mas
com Clodovil e Maluf.
Ou seja: as perspectivas não são exatamente alvissareiras. No mínimo, o
Congresso tende a continuar igual. E sempre pode piorar.
Mais importante do que o fato é o efeito. Enquanto Lula e seu governo passam
ao largo de todos os escândalos e denúncias, o Congresso patina na lama. O
resultado é que o cidadão está ficando enojado e cada vez mais irado, mas
perdoa ou esquece o Executivo e se concentra no Legislativo, como fica
evidente principalmente pelo mais novo e poderoso agente político: a
internet. As ruas estão calmas, impassíveis. A internet está fervendo.
O que se projeta nesse quadro é um fortalecimento do Poder Executivo, com um
presidente que "pode tudo", e um esgarçamento do que resta do Poder
Legislativo. Foi exatamente isso que ocorreu na Venezuela, na Bolívia, no
Equador. Hugo Chávez, Evo Morales e Rafael Correa assumiram o poder com uma
força popular extraordinária e a primeira coisa que fizeram foi fechar o
Congresso na prática, dourando a pílula com a convocação de uma
Constituinte. Equivale a dizer: jogando fora o que está "podre" e
reinstalando a república com os seus e a seu jeito.
Os motivos existem em profusão. As conseqüências é que são preocupantes |