Passado o auge da crise aérea no Brasil, o Gabinete do Comando da Aeronáutica parece ter decidido comemorar. Ao menos é o que parece, pelas compras da semana. O órgão reservou em orçamento recursos suficientes para uma lista de produtos digna de um banquete. Foram R$ 4,2 mil para a compra de 50 pacotes de batatas palito congeladas, 700 biscoitos cream cracker, 300 manteigas, 120 latas e 120 garrafas dois litros de coca-cola e mais de 2 mil latas de guaraná. Isso sem contar os outros R$ 8 mil para a aquisição de garrafinhas e garrafões de água mineral, 29 quilogramas (kg) de queijo parmesão, 100 kg de prato e 10 kg de minas, entre outros. A sobremesa, pelo que tudo indica será bem adocicada, ja que o Gabinete decidiu comprar 150 caixas de bombons. A conta dos doces ficou em R$ 835,50 e a dos mais de 47 frascos de azeitona recheada com pimentão, R$ 398,40.
E a lista não pára por aí. O órgão resolveu encher o carrinho e reservou outros R$ 10,9 mil para comprar 120 vidros de alcaparra em conserva, 60 pacotes de amêndoas torradas e salgadas, 60 arroz da marca Tio João, 48 vidros de aspargos, 100 latas de atum, 120 azeites de oliva, 250 batatas palhas, biscoitos waffer, caldos de carne e galinha, 100 latas de castanha de caju, 55 chás de diferentes sabores, 48 frascos de cogumelos em conserva, 240 cremes de leite, 120 doces de figo em calda, 120 de goiabada e 400 dúzias de ovos. Haja fôlego e mantimentos!
Como se não bastasse a quantidade de comida, o principal departamento do Comando da Aeronáutica também resolveu "investir" em tecnologia. Comprometeu R$ 105,8 mil em orçamento para a aquisição de 48 computadores e R$ 2 mil por 1.600 cds “virgens” de gravação. Além disso, comprou mais 10 cds “com trilhas musicais pré-produzidas” por R$ 265,00 cada, ou seja, R$ 2,6 mil no total. Será que, passado o sufoco nos aeroportos, vem aí não apenas uma, mas uma temporada de festas fartas e com muita disposição? Resta aguardar.
Já a Diretoria de Material Aeronáutico e Bélico comprou 150 quilos de camarão graúdo e médio. O congelado, que provavelmente deverá ser consumido pela alta cúpula, custou R$ 2,6 mil aos cofres do departamento. Enquanto isso, o Batalhão de Suprimento reservou R$ 172 mil para a aquisição de um caminhão de carga. A pergunta então é a seguinte. Será que não houve uma inversão de funções entre os dois órgãos?
A Câmara dos Deputados, por sua vez, parece estar aficionada pelos carros novos das propagandas. O órgão comprometeu R$ 205,2 mil para a compra de quatro veículos da Kia, modelo Serato, de luxo, zero quilômetro, e mais R$ 443,4 mil pela aquisição de seis Ford Fusions, com bancos de couro, ar condicionado e transmissão automática. Os quase R$ 650 mil para a compra dos 10 veículos, todos de cor preta adquiridos por meio de pregão, foram solicitados pela coordenação de transporte da Casa. As notas de empenho não informam para quem os carros serão destinados. No entanto, dá para imaginar que não será “qualquer funcionário” a transitar nos possantes pelas ruas da capital federal.
Já o Senado preferiu permanecer, mais uma vez, no ramo odontológico e obscuro. O Parlamento empenhou na última semana R$ 6,6 mil para custear tratamento dentário. Outros R$ 24 mil serviram para o mesmo fim. Só não se sabe qual parlamentar, parente ou funcionário foi beneficiado pelo tratamento, já que a nota de empenho não informa. Para concluir, a Casa reservou ainda outros R$ 46,8 mil para comprar 24 “equipamentos” de não se sabe o quê. Cada um saiu por R$ 2 mil na loja Elcio Brant Rocha, por meio de pregão. Outros R$ 106,5 mil foram empenhados pela contratação de uma empresa especializada em execução de obras.
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*Todo fim de semana o Contas Abertas publica a coluna Carrinho de Compras, que traz reservas de recursos feitas por órgãos da União em orçamento para as compras mais curiosas. Vale ressaltar que, a princípio, não existe nenhuma ilegalidade nem irregularidade nesse tipo de compra feita pelo governo e que o eventual cancelamento de tais empenhos certamente não resolveria os problemas do Brasil. A intenção de publicar essas aquisições é popularizar a discussão sobre os gastos públicos junto ao cidadão comum, no intuito de aumentar a transparência e o controle social, além de mostrar que a Administração Pública também possui, além de contas complexas, compras curiosas.
Leandro Kleber Do Contas Abertas |