O deputado Clodovil Hernandez (PTC-SP) fez seu primeiro discurso na Câmara pedindo bondade na política. “Ao aplicar a política com bondade, Brasília nunca mais será a mesma, nem o Brasil”, disse. Um pouco nervoso em sua estréia, o parlamentar admitiu que, embora seja “comunicador”, preferiu que sua assessoria preparasse seu discurso inaugural. “Estou um pouco atrapalhado”, comentou.. Logo depois ele comparou a Câmara a um mercado devido às conversas paralelas dos deputados, e conseguiu silenciar o plenário para seu discurso.
Segundo ele, o maior “medo” em sua nova atividade é a quebra do decoro parlamentar. “Me botaram muito medo, não sei o que é decoro”, desabafou. Antes mesmo de ser diplomado, Clodovil causou polêmica ao insinuar, em entrevista ao jornal argentino Perfil, que poderia vender seu voto, dependendo do tamanho da oferta.
Pelo que se viu há pouco em sua estréia na Câmara, porém, ele não parece correr risco de sofrer um processo por quebra de decoro parlamentar. Clodovil foi acalmado por vários deputados, que aproveitaram para pegar carona no seu pronunciamento. “Tenha certeza que o senhor não fez nada que feriu a honra dos deputados nem desta Casa”, atestou o deputado Carlos Willian (MG), líder do PTC.
Quem também pediu a palavra para elogiar a trajetória de Clodovil foi o deputado Paulo Maluf (PP-SP), ressaltando a “sinceridade” com que o ex-estilista se expressa: “O senhor não diz o que o público quer ouvir, mas sim o que com sinceridade sente”.
Já a deputada Luiza Erundina (PSB-SP) disse que Clodovil é sensível às questões sociais e aproveitou para falar que se sente “identificada com as causas” que o deputado defende.
“Arregacem as mangas”
Clodovil afirmou que, após anos como “estilista, comunicador e ator de sucesso”, vê uma guinada em sua vida e que o “povo brasileiro precisa de uma nova chance e de um novo olhar”. Ele também comentou que seu sucesso se deve ao trabalho e “não por coisas desonestas”. E prometeu continuar agindo com “honestidade, lealdade, sinceridade e bondade”. No entender dele, “somente a bondade” pode garantir a melhoria do padrão de vida do povo brasileiro.
No discurso, Clodovil rejeitou críticas morais ao seu comportamento, afirmando que quem as faz é por que tem um “lado moral sujo”. E pediu trabalho a todos os parlamentares: “Arregacem as mangas, de preferência, com elegância”.
Falta de educação
Após o discurso no plenário, Clodovil tachou o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), de "mal -ducado", por ter iniciado a ordem do dia exatamente depois da fala do ex-estilista. "O senhor Chinaglia me botou para fora sem dizer nada, é muito mal-educado. Eu ouvi ele uma hora falando no meu ouvido quando queria o meu voto [para a presidência da Câmara]. Eu não preciso dele para nada. Estou aqui por desejo das pessoas e não dele", disse.
Ele fez o mesmo comentário sobre os demais deputados, por não terem aplaudido seu pronunciamento. "Acho o Plenário mal-educado. Se a gente trabalha para uma nação, a gente tem que prestar atenção no que as pessoas estão dizendo", concluiu.