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Você se imagina ficar quatro
anos de castigo sentado num banco sem poder
trabalhar? Parece algo impensável, mas está
acontecendo numa cidadezinha do interior do Rio
Grande do Sul, Sertão.
Da rua dá para ver os funcionários. Eles passam o
dia sentados no pátio da secretaria de obras.
“Estamos no chamado banco. Banco é o castigo que
eles colocam a gente aqui, sem exercer atividade
nenhuma. Nós somos proibidos de trabalhar porque nós
somos contra as idéias, a ideologia da
administração”, fala um servidor.
Pra seu Luiz, essa rotina já dura quatro anos. Ele
contou que recebeu o castigo, porque apoiou um
adversário do prefeito.
Há dois meses dona Élia também fica oito horas
parada, esperando o expediente terminar.
“A gente serve de chacota para as pessoas. Tem
pessoas que passaram por mim e deram gargalhadas por
eu estar aqui”, diz Élia Terezinha de Oliveira -
telefonista concursada.
O secretário de obras sugere que a punição é
aplicada àqueles que não são alinhados ao prefeito.
“Foram contra a política, politicamente foram do
outro lado”, conta um morador da cidade.
O prefeito, Aldenir Sachet, do Partido Progressista,
não quis gravar entrevista.
Sem saber que nossa câmera estava ligada, ele
explicou porque deixa os funcionários parados no
pátio, o dia inteiro.
“Como são funcionários públicos municipais eu não
vou soltar eles, pra eles irem nos botecos , pra
depois a administração ficar mal falada”, afirma.
Em nota, a prefeitura diz que há excesso de
servidores e que, mesmo sem trabalhar, os
funcionários precisam cumprir horário.
Segundo a nota, o fato de alguns servidores estarem
sem ocupação momentânea se deve ao acúmulo de cargos
preenchidos ainda nas administrações anteriores.
O prefeito já está no cargo há quatro anos e acaba
de ser reeleito. Os funcionários afirmam que se
ofereceram para trabalhar em outros setores da
prefeitura, mas não houve acordo.
O Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul vai
examinar o caso: acredita que o prefeito pode estar
cometendo improbidade administrativa. “O servidor
para receber o seu salário precisa trabalhar. Quem o
impede de trabalhar e paga está cometendo
improbidade administrativa. O Tribunal de Contas
nunca assistiu algo semelhante. Isso é inusitado, é
primitivo, e não é civilizado”, declara Porfírio
Peixoto, presidente Tribunal Contas – RS. |